sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Champions League: O que nos reservou o sorteio.

Foram definidos nesta sexta-feira os confrontos da fase Oitavas-de-Final da UEFA Champions League, sem mais delongas, veja como ficaram os duelos, com uma pequena analise de cada jogo e o palpite desse que vos escreve:

Apoel (CHIPRE) x Lyon (FRANÇA)

Duas equipes que jamais se enfrentaram. Líder do grupo G, o surpreendente Apoel do Chipre aposta nos brasileiros Manduca e Ailton para tentar bater os franceses e fazerem história com uma inédita participação nas quartas de final da Champions. Garantido nas oitavas após a polêmica goleada por sete a um sobre o Dinamo Zagreb, o Lyon quer voltar a figurar entre os oito melhores do continente, e não poderia encontrar adversário melhor para isso, afinal, por mais que decida em casa, o time cipriota continua sendo zebra.

Palpite: Lyon

Apoel x LyonFormações: Times espelhados em 4-2-3-1. Mais experiente e com mais talento, o time francês não deve encontrar dificuldades para avançar.

Chelsea (INGLATERRA) x Napoli (ITÁLIA)

Os azuis de Londres só asseguraram a classificação na última rodada, mas ainda assim conseguiram ficar com o primeiro lugar. Em fase de renovação da equipe, o Chelsea terá adversário duro pela frente em um jogo onde “ninguém é de ninguém”. Apesar da recente melhora, o time de André Villas Boas ainda sofre de falta de padrão de jogo. Depois de desbancar o novo rico inglês Manchester City na fase de grupos, esse Napoli pode entrar para história caso passe pelo outro inglês em seu caminho, afinal, o time italiano jamais chegou às quartas de final da Liga dos Campeões, nem mesmo durante a Era Maradona.

Palpite: Napoli

Chelsea x NapoliFormações: Depois de sofrer no inicio da temporada, André Villas Boas parece estar encontrando o time ideal no 4-1-4-1 com o jovem Oriol Romeu a frente da zaga e Drogba na referencia. No Napoli, o mesmo sistema de sempre: 3-4-1-2 apostando tudo no letal trio ofensivo.

Arsenal (INGLATERRA) x Milan (ITÁLIA)

Depois de um começo de temporada titubeante, o Arsenal se encontrou e vem crescendo tanto na competição continental quanto na caseira, alavancado pelos gols do artilheiro Robin Van Persie. Os Rossoneri tentam quebrar um mini tabu: Desde o título em 2006/2007 os rubro-negros não passam das oitavas (lembrando que em 2008/2009 nem disputou a Champions), sendo que todas as três eliminações foram para ingleses: o próprio Arsenal em 2007/2008, Manchester United em 2009/2010 e o Tottenham em 2010/2011.

Palpite: Milan

Arsenal x MilanFormações: O 4-1-4-1 de Wenger tem duas grandes apostas: a velocidade de Walcott e os gols de Van Persie. No Milan, o 4-3-1-2 de Allegri é mais sólido e conta com o talento de Ibrahimovic na frente para decidir.

Bayern Munique (ALEMANHA) x Basel (SUIÇA)

O time alemão é na opinião desse blogueiro a terceira força do continente (atrás apenas de Barça e Madrid) e com a motivação de poder disputar a final em casa, é muito difícil de ser batido, mesmo com a ligeira queda que vem tendo nesse meio de temporada. O surpreendente campeão suíço desbancou ninguém mais ninguém menos que o atual vice campeão Manchester United e chega empolgado nessa fase de oitavas, mas imagino que não passe disso, especialmente por encarar tão duro oponente.

Palpite: Bayern Munique

Bayern x BaselFormações: Com a base da seleção alemã, os bávaros têm um futebol ofensivo e vistoso, contando com um meio campo mágico. Fechado em duas compactas linhas de quatro, o Basel tem na dupla Frei seu trunfo para surpreender.

Barcelona (ESPANHA) x Bayer Leverkusen (ALEMANHA)

O bom time alemão desperdiçou na última rodada da fase de grupos a chance de ser o primeiro da chave, e com isso, acabou levando azar no sorteio e terá a dura missão de encarar o atual campeão e favorito ao bi (algo que não acontece desde o Milan de 89 e 90) Barcelona. Mesmo contando com o talento do experiente Ballack e do jovem Schurlle, dificilmente os germânicos conseguem parar esse que é um dos maiores time da história do futebol, e que conta com talento de sobra.

Palpite: Barcelona

Barça x LeverkusenFormações: O 4-2-3-1 de Robin Dutt, que aposta na força de seu lado esquerdo para tentar aprontar. No Barcelona, Guardiola faz uma verdadeira salada tática, alternando o seu time diversas vezes no jogo, mesmo sem trocar uma única peça. Mas, na teoria, segue como antes, 4-3-3 com uma sutil diferença: o deslocamento de Messi para a ponta direita e a entrada de Fabregas como “falso 9”.

Real Madrid (ESPANHA) x CSKA Moscou (RUSSIA)

Dono da melhor campanha na fase de grupos em toda a história da Champions, o Madrid de Mourinho vem mais forte do que nunca na sua caçada por “La décima”. E o time merengue não deverá encontrar dificuldades para avançar diante do enfraquecido CSKA, que pode ainda perder Vagner Love na janela de transferências em janeiro.

Palpite: Real Madrid

Madrid x CSKAFormações: O imutável 4-2-3-1 de Mourinho, com força total na esquerda com os avanços de Marcelo e o vasto poder de fogo de Cristiano Ronaldo. No CSKA, duas linhas de quatro para se fechar e bola na perigosa dupla de avantes.

Benfica (PORTUGAL) x Zenit (RUSSIA)

O bom time encarnado tenta voltar a assustar em termos continentais. Começou bem, desbancando o poderoso Manchester United, e agora o time tem um adversário razoavelmente fraco pela frente e pode muito bem ir mais longe na competição. Segundo colocado no maluco grupo G, o Zenit chega pela segunda vez às oitavas a fim de avançar e entrar para a história do clube, já que da primeira vez, caiu para o Kuusysi Lahti, da Finlândia, em 1985/1986.

Palpite: Benfica

Benfica x ZenitFormações: O talentoso trio de meias armadores do Benfica é a arma do treinador Jorge Jesus para avançar. Do outro lado, o time russo aposta tudo justamente em um luso, o perigoso camisa 10 Danny é o grande jogador da equipe de São Petersburgo.

Internazionale (ITÁLIA) x Olympique Marseille (FRANÇA)

Outro jogo onde “ninguém é de ninguém”. A Inter já não assusta tanto quanto em outros carnavais, enquanto o time francês chega motivado após a classificação heróica, conseguindo virar um jogo em menos de cinco minutos e na casa do adversário (Borussia Dortmund). Até fevereiro, peças importantes no time nerazurri devem retornar e dar ao time italiano um ligeiro favoritismo. Didier Deschamps, treinador do Marseille tem retrospecto favorável contra o técnico italiano. Em 2003/2004, quando dirigiam Monaco e Chelsea, respectivamente, o time francês bateu os londrinos e avançaram à decisão daquela temporada.

Palpite: Internazionale

Inter x MarseilleFormações: Com os retornos de Chivu, Maicon e Sneijder, a Inter pode ser apontada favorita a ficar com a vaga. Sem os três, a previsão é de vida difícil para os italianos contra o perigoso time francês de Deschamps e seu perigoso quarteto ofensivo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cinco vezes Corinthians: Cinco jogos marcantes no caminho do título

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O empate sem gols contra o arqui-rival Palmeiras foi o suficiente para o Corinthians se sagrar campeão nacional pela quinta vez em sua rica história. Uma conquista justíssima, que vem coroar uma campanha, senão irretocável, sólida o bastante para manter o time entre os quatro melhores da competição durante as 38 rodadas, sendo 27 delas na ponta.

A manutenção do técnico Tite mesmo nos momentos de turbulência da equipe, e a crença do treinador em seu imutável 4-2-3-1 e em sua proposta de jogo de intensidade e rotatividade desde o primeiro minuto, sufocando os adversários, foram pontos de destaque no alvinegro paulista, e para fazer a justa homenagem ao campeão do país, o blog traz um resumo de cinco jogos, que para esse que vos escreve foram os mais importantes ou inesquecíveis no caminho do título.

26/06/2011 – 6ª Rodada
Corinthians 5x0 São Paulo

O time que teve 17 das suas 21 vitórias obtidas pela diferença mínima, aplicou a maior goleada contra o rival Tricolor, e justo quando o time do Morumbi liderava e dominava a competição, após uma seqüência de cinco vitórias nos cinco primeiros jogos. O triunfo garantiu ao time do Parque São Jorge a liderança pela primeira vez na competição, posição que a equipe não mais largou.

Com atuação de gala, impondo seu jogo desde o primeiro minuto, o Corinthians só veio construir a goleada a partir da segunda etapa, quando já jogava com um jogador a mais após a tola expulsão de Carlinhos Paraíba ainda aos 40 minutos da etapa inicial.

Mesmo com um buraco na meia cancha devido a expulsão, o então técnico são paulino Paulo César Carpeggiani optou por não abrir mão do seu poder de fogo para recompor o sistema defensivo, e o time pagou caro por isso. Logo no primeiro minuto, Danilo anotou um golaço que deu inicio ao massacre. Liedson três vezes e Jorge Henrique com grande colaboração de Rogério Ceni definiram aquela que viria a ser a maior goleada do Timão no caminho do título e a maior no Majestoso. (LEIA MAIS AQUI).

Corinthians 5-0 são pauloFormações iniciais do clássico: Enquanto esteve 11 contra 11, o São Paulo conseguiu segurar o ímpeto corinthiano. Com um a menos e totalmente exposto, Tricolor foi presa fácil.

14/07/2011 – 12ª Rodada
Corinthians 1x0 Internacional

Uma das melhores atuações da equipe no campeonato, que serviu para consolidar a liderança em jogo adiantado da décima segunda rodada e abrir boa vantagem sobre o então vice colocado Flamengo. Contra um adversário fechado e esperando uma brecha para contra atacar com seu perigoso quarteto ofensivo, o Corinthians precisou ser impecável, técnica e especialmente taticamente.

No jogo de muito estudo e pouquíssimas oportunidades, o time da casa foi feliz em uma delas quando Fabio Santos fez boa jogada pela esquerda e cruzou rasante para Paulinho dominar e ajeitar para Willian acertar o canto direito de Muriel, com precisão cirúrgica para garantir mais três pontos ao futuro campeão.

Corinthians 1-0 interContra um Inter acuado, o Corinthians precisou de inteligência e especialmente paciência para chegar ao triunfo.

08/09/2011 – 22ª Rodada
Corinthians 2x1 Flamengo

Na primeira das decisões antecipadas encaradas pelo time alvinegro, a torcida se fez presente para buscar a vitória contra o algoz na Libertadores do ano anterior. E o placar do torneio continental se repetiu, porém com enredo bem diferente. Se naquela ocasião, a vitória por dois tentos a um não foi suficiente para classificar os paulistas, dessa vez, a virada (uma dentre as seis viradas do time de Tite) sobre o rubro negro carioca serviu para manter a ponta com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

O gol (achado) de Deivid em cobrança de escanteio de Ronaldinho ainda no primeiro tempo não abalou o Corinthians, que não abdicou do seu estilo e seguiu martelando até chegar ao empate e conseqüentemente à virada, com dois gols de Liedson em dois cruzamentos de Willian, que entrara na vaga de Jorge Henrique durante o jogo, dando mais dinâmica e poder de fogo ao time e sendo crucial na vitória sofrida, como a torcida alvinegra diz gostar.

Corinthians 2-1 flamengoPara virar e vencer a primeira “final” do campeonato, o time mostrou maturidade ao lidar com o placar adverso em jogo tão nervoso.

02/10/2011 – 27ª Rodada
Vasco 2x2 Corinthians

A segunda “decisão” dentro do campeonato, dessa vez, com o Corinthians atrás na tabela e precisando vencer para recuperar a ponta. O triunfo não veio, mas o empate em dois tentos assegurou que o Vasco, então com dois pontos de frente, não disparasse na tabela.

Mesmo sem contar com Liedson, Emerson ou Adriano, Tite não abriu mão de seu sistema de 4-2-3-1, lançando Alex como uma espécie de “falso 9”, fazendo o pivô ou abrindo espaços para o trio de meias que vinha de trás.

E foi assim que o time chegou ao empate em duas oportunidades: Primeiro quando Danilo serviu para Alex fazer o papel de centroavante e igualar após o gol de Dedé pelo Vasco; Já na segunda etapa, em desvantagem depois do gol de Fagner no fim dos quarenta e cinco minutos iniciais, Willian cruzou e dessa vez foi Danilo quem apareceu com liberdade para testar e no canto de Fernando Prass e garantir que o time carioca não desgarrasse dos corinthianos na ponta.

Vasco 2-2 CorinthiansSem um centroavante de oficio, Tite lançou Alex como “falso 9” no comando do ataque corinthiano. Funcionou.

20/11/2011 – 36ª Rodada
Corinthians 2x1 Atlético-MG

Talvez o mais emocionante jogo da campanha vitoriosa alvinegra. A torcida corinthiana que lotou o Pacaembu na antepenúltima rodada não podia esperar uma vitória com tanta cara de Corinthians como a virada sobre o Galo que serviu para recuperar a liderança perdida para o Vasco um dia antes, após a vitória cruzmaltina sobre o rebaixado Avaí.

Diante de um Atlético muito bem armado por Cuca, o Corinthians errava muitos passes e não conseguia impor seu ritmo na primeira etapa, que terminou de maneira modorrenta.

O gol de Leonardo Silva logo aos nove minutos, foi um susto e tanto na torcida, que viu a partir dos 32, uma das mais épicas viradas de placar no campeonato. Primeiro com Liedson, aproveitando cruzamento de Alessandro para igualar. E depois com Adriano, o Imperador que ressurgiu das cinzas para voltar a marcar mais de um ano e meio depois de seu último gol (o último havia sido ainda pelo Flamengo, na vitória por 2 a 1 sobre a Universidad de Chile pela Libertadores de 2010). E que gol! Mesmo pesado, o camisa 10 deu um pique e pediu o passe, Sheik serviu e o Imperador chapou de canhota no único metro quadrado em que a bola poderia ter entrado.

Corinthians 2-1 galoA encaixada marcação atleticana dificultou o trabalho do time paulista na primeira etapa, porém, Cuca não contava que o iluminado Adriano iria entrar em ação justo contra o Galo.

A vitória deixou o time do Parque São Jorge ainda mais perto do título, que só veio ser assegurado após a vitória pelo placar mínimo sobre o Figueirense no Orlando Scarpelli e o empate contra o Palmeiras no Pacaembu, mais uma vez lotado, e dessa vez emocionado, depois da perda do ídolo Sócrates, que viu lá do andar de cima o quinto título alvinegro (Para ler sobre outros jogos da campanha alvinegra, AQUI, AQUI e AQUI).

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Atlético Madrid 4x0 Udinese – 45 minutos de um time só

atleticodemadridxudinese_efe62 Pela quarta rodada da fase de grupos da Europa League, o , Atlético Madrid recebeu a Udinese e antes mesmo que esse blogueiro pudesse identificar os jogadores e seus posicionamentos no campo do esvaziado Vicente Calderón, o time da casa já empurrava dois tentos a zero no vice líder da serie A italiana.

Isso porque o time de Gregorio Manzano se impôs desde o primeiro minutos, marcando à frente e pressionando o homem da bola (quando não a tinha), como na recuperação de Arda, que puxou contragolpe e serviu para Adrian fazer o seu primeiro.

A movimentação e a troca de passes colchonera envolvia completamente a marcação italiana, que não conseguia acompanhar a rápida transição ofensiva dos espanhóis e assim acabou sofrendo o segundo gol, quando Falcão saiu da área para tabelar com Antonio Lopez pelo lado esquerdo e confundiu a marcação, que não acompanhou Adrian e permitiu que o camisa 7 testasse com liberdade o ótimo cruzamento do lateral e capitão rojiblanco.

Foi também na base do “tiki-taka” espanhol que os donos da casa chegaram ao terceiro gol ainda na primeira etapa, e que gol. Linda jogada coletiva iniciada pela direita, onde Diego recebeu de Arda, carregou pra dentro e enfiou para Falcão deixar de calcanhar para Adrian, que poderia ter feito o seu terceiro, mas preferiu servir para Diego concluir a belíssima jogada iniciada por ele mesmo.

Atl. Madrid O 4-3-1-2 colchonero, aliada a intensa movimentação e troca de passes foi o caminho para a goleada.

O 4-3-1-2 vermelho e branco foi como um rolo compressor para cima de uma tímida e acuada Udinese, que tinha uma proposta de se defender até onde desse e tentar um eventual contra ataque, mas viu sua idéia de jogo ir por água abaixo em menos de dez minutos e acabou criando uma única oportunidade na etapa inicial em um erro bisonho do zagueiro Godin, que ofereceu o gol a Fabbrini mas foi salvo pela boa intervenção do arqueiro Courtois.

Na etapa final, a equipe italiana bem que melhorou. Adiantou sua marcação, criou algumas chances, mas sem contundência, não foi capaz de ofender o gol espanhol. Ao contrário do time da casa, que em um novo contra ataque puxado por Arda Turan, executou o tiro de misericórdia no gol de Falcão Garcia, gol de um legitimo camisa 9.

Uma goleada que além de garantir a primeira colocação no grupo I da UEFA Europa League, dá moral para o Atlético se recuperar também na liga espanhola, onde ocupa apenas a décima posição, o que claramente não condiz com o elenco que tem e , especialmente, com o excelente futebol apresentado nos primeiros quarenta e cinco minutos de hoje.

sábado, 29 de outubro de 2011

Chelsea 3-5 Arsenal – Surpreendente e Marcante

Van PersieClássicos por si só são sempre jogos emocionantes e completamente imprevisíveis. Mas na atual temporada da Premier League esses jogos tem sido ainda mais espetaculares. Primeiro, foi a impressionante goleada do Manchester United por 8 a 2 sobre o Arsenal. Depois, foi a vez do mesmo United provar do próprio veneno e cair por 6 a 1 perante o seu rival Manchester City, em pleno Old Trafford. Hoje não foi diferente, pois com uma atuação impecável, o Arsenal implicou sonoros 5 a 3 no Chelsea, dentro de Stanford Bridge.

Com suas linhas retraídas e uma postura diferente da habitual, o Arsenal não mantinha a posse de bola, e sim, apostava nos contragolpes, acionando sempre o veloz Theo Walcott pelo lado direito. Por ali, o time poderia ter saído na frente, quando o camisa 14 passou como quis por Ashley Cole e rolou para Gervinho perder gol incrível. Pouco depois, foi a vez de Van Persie desperdiçar ótima chance, também em cruzamento de Walcott.

Chelsea - ArsenalFormações iniciais: O 4-3-3 azul contra o 4-1-4-1 do Arsenal: Lado direito era a saída para as duas equipes.

Com mais posse, mas sem tanta contundência, o Chelsea explorava os lados com Sturridge à direita e Mata nas costas do improvisado Djourou pela esquerda. No entanto, foi quando os dois wingers inverteram seus posicionamentos, que o time chegou ao gol, quando Mata, dessa vez pela direita, recebeu lançamento primoroso de Terry, tirou de André Santos e colocou na cabeça de Lampard para abrir o placar.

O reves no marcador não abalou o time visitante, mas o fez alterar seu estilo, saindo de trás e passando a pressionar o Chelsea em seu campo de defesa e encurralando o time azul. O combate na intermediaria adversária funcionou quando Gervinho se redimiu do tento perdido no inicio ao roubar a bola de Mikel, deixar com André Santos e penetrar nas costas de Terry para receber de Ramsey e deixar Van Persie na boa para empatar. A primeira etapa já se encaminhava para o seu final com o resultado em igualdade, porém, antes do intervalo ainda deu tempo de Lampard cobrar escanteio para Terry se antecipar a Mertesacker e recolocar os azuis em vantagem.

Veio a segunda etapa e com ela um Arsenal avassalador que em dois minutos já havia desperdiçado duas boas chances de empatar. No terceiro minuto, a terceira chance, quando novamente Gervinho roubou a bola – dessa vez de Torres – e deixou com Song, que acionou André Santos livre na esquerda para igualar novamente o marcador.

Sentindo o bom momento, os Gunners não diminuíram o ritmo e a virada não demorou a sair, quando Walcott novamente foi acionado pela direita, mas dessa vez resolveu tudo sozinho, passando no meio de dois marcadores e tocando na saída de Cech para fazer um golaço.

Em desvantagem, André Villas Boas mexeu e lançou o time a frente, trocando Sturridge, Ramires e Mikel por Malouda, Lukaku e Raul Meireles, respectivamente. O 4-3-3 inicial se tornara um 4-4-2, com linhas avançadas e a dupla de wingers Mata e Malouda bem espetados, fazendo quase um 4-2-4. A pressão no campo do oponente fez efeito e André Santos, que havia ido bem no campo de ataque, voltou a falhar na defesa, quando tentou sair jogando e deu a bola nos pés de Raul Meireles, que passou para Mata acertar belo chute de fora da área e igualar novamente o placar.

Chelsea - Arsenal 2Como terminou: Chelsea em um 4-4-2 que virou praticamente um 4-2-4, acabou batido pelo impiedoso Van Persie.

Mas o dono do jogo ainda estava por aparecer. Van Persie, que se movimentou e deu trabalho para a defesa azul durante os noventa minutos, foi letal em duas oportunidades no fim do jogo. Primeiro, quando Malouda recuou bola na fogueira para John Terry, que escorregou de maneira patética e deixou Van Persie tranqüilo para driblar Cech e recolocar os Gunners na frente. Depois, já nos acréscimos, quando o Chelsea se lançava de maneira desesperada ao ataque em busca do empate, Arteta puxou contra-ataque e serviu o holandês pela esquerda para fuzilar a meta azul e fechar o marcador.

Com os três gols, o capitão Gunner chega à impressionante marca de 28 tentos em 27 jogos em 2011 pela Premier League, média de 1,03 por jogo. O resultado pode marcar a temporada para as duas equipes, já que a boa atuação e a goleada em campo adversário podem devolver a confiança para o Arsenal voltar a brigar na parte de cima da tabela mesmo em uma temporada que promete ser difícil. Por outro lado, a segunda derrota seguida deixa o Chelsea a nove pontos do líder Manchester City e cada vez mais preocupado apenas em se assegurar entre os quatro melhores, posição já ameaçada pelo próprio rival vermelho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu vou ensinar como é que se faz, eu vou ensinar como é que se faz...

Deve ser inspirado no refrão do Grupo Molejo que o Vasco conduz a temporada de 2011. Após um inicio de ano trágico, com uma seqüência de derrotas no Campeonato Carioca, o time cruzmaltino se restabeleceu desde a chegada de Ricardo Gomes (e com ele, nomes como Alecsandro e Diego Souza), conquistou a Copa do Brasil e se garantiu na Libertadores.

Pensa que por isso o time se acomodou como outros campeões da Copa do Brasil têm feito? Especialmente Corinthians e Santos nos últimos dois anos, quando tinham disparado os melhores times do país e simplesmente abriram mão do Brasileirão, o mais importante campeonato do país. O Vasco NÃO!

O gigante da Colina demonstra hombridade ao conduzir a temporada “a vera”, levando todas as competições com a seriedade que se deve. No Brasileirão, a liderança com dois pontos de vantagem para o vice Corinthians há apenas sete rodadas do fim deixa o time com chances reais de faturar o penta campeonato.

Na Sul-Americana, mais uma aula de caráter foi dada ontem. Ao contrário do que fazem a maioria dos times brasileiros, abrindo mão da competição continental, mais uma vez, o Vasco NÃO! Precisando vencer os bolivianos do Aurora por três gols de diferença para se classificar (havia perdido por 3x1 em Cochabamba), o time cruzmaltino fez muito mais do que isso e empurrou sonoros 8 a 3 para se assegurar na próxima fase e mostrar ao país como é que se faz.

Mesmo utilizando um time misto, com apenas quatro titulares, o time foi pra cima e começou o massacre com um gol espetacular de Bernardo. O camisa 16 recebeu pela direita, meteu uma caneta no marcador, girou sobre a bola (a la Zidane) para sair de outro defensor antes de soltar um petardo indefensável. Na segunda etapa, o armador ainda faria outro lindo gol, aproveitando passe de Juninho Pernambucano para acertar um lindo chute de fora da área, no ângulo do goleiro Lanz.

Outro a deixar sua marca em duas oportunidades foi Alecsandro. Alias, a noite foi do camisa 9, que desperdiçou chance incrível quando o placar ainda marcava 1 a 0, foi (injustamente) vaiado, se redimiu, anotou o segundo e terceiro tento na goleada e ainda serviu Leandro para fazer o quarto, seu primeiro com a camisa cruzmaltina. No fim, depois dessas reviravoltas da bola, a mesma torcida que vaiou, teve que aplaudir um dos destaques do time no jogo e no ano.

Mas quem se destacou mesmo foi Juninho Pernambucano. Soberbo em campo, controlou a meia cancha e ditou o ritmo da equipe com passes precisos e lançamentos primorosos. No fim, teve sua atuação – de Reizinho que é – coroada com o gol na cobrança do pênalti sofrido por Fagner, o quinto gol vascaíno.

Douglas e Alan fizeram os outros dois gols que fecharam o atropelo do trem bala sobre o fraco time boliviano. Peña, Andaveris e Segovia fizeram os gols do time azul – muito mais por desatenção da defesa cruzmaltina do que por qualidade dos visitantes.

Claro que existe um abismo enorme entre os dois times, mas uma coisa é existir esse abismo, outra bem diferente é saber aproveita-lo para fazer o resultado necessário ou até mais do que isso. A goleada serve para classificar o Vasco, mas serve também para dar ainda mais confiança ao time que é candidato a “bicho papão” do ano, que brigará com unhas e dentes para fechar a temporada com uma tríplice coroa inesquecível.

Que sirva também de lição aos demais clubes brasileiros, que o ano não se resume a uma simples vaga na Libertadores. Que conquistar um Brasileirão tem peso enorme e que abrir mão da Sul Americana é burrice. Afinal, querendo ou não, é uma conquista continental e tem seu valor. Hoje, o Vasco ensina como é que se faz.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Neymar, o imponderável

Em duelo atrasado da vigésima primeira rodada, o Santos recebeu o Botafogo na Vila Belmiro na noite de ontem. Em jogo, para o Peixe, a busca por mais uma vitória que afastaria de vez qualquer possibilidade de rebaixamento e daria tranqüilidade para pensar apenas no Mundial de Clubes em dezembro. Para os cariocas, o cotejo valia nada mais nada menos que a liderança do Brasileirão.

Para sair da Vila famosa com os três pontos e a ponta, o técnico Caio Junior optou por uma formação semelhante a que encarou e bateu o Corinthians no Pacaembu há uma semana. Sacou o atacante Herrera e colocou Felipe Menezes na articulação central do seu 4-2-3-1, abrindo Maicosuel e Elkeson pelos lados, para bloquear os laterais, uma vez que o camisa 10 tinha a função de impedir a saída de bola dos volantes. A única para o time de uma semana atrás era a ausência de Renato, suspenso, substituído por Bruno Thiago.

Tudo parecia certinho, encaixado no time botafoguense, inclusive a troca de Lucas por Alessandro na lateral. Melhor marcador, o veterano poderia se sair melhor no cerco a Neymar. O que o treinador e a torcida botafoguense não esperavam era que o camisa 11 santista saísse da ponta esquerda e viesse jogar na armação do time, a frente do trio de volantes no 4-3-1-2 de Muricy Ramalho, que por conta de uma dor nas costas, não pôde ficar no banco de reservas. Tata, seu auxiliar, ocupou sua vaga.

santos 2x0 botafogo Atuando na articulação, Neymar desmontou o sistema defensivo botafoguense e garantiu a vitória ao Santos.

Como um autentico camisa 10, a “Jóia” ditou o ritmo do jogo e tirou o sono de Bruno Thiago, que certamente não esperava ter que marcar Neymar. No primeiro embate entre os dois, falta e cartão para o botafoguense, ainda aos três minutos de bola rolando. No segundo encontro, o santista mostrou mais uma vez por que é o melhor jogador do país. Entortou o marcador para a direita, para a esquerda, ajeitou e de bico tocou no canto de Jefferson. Um GOLAÇO!

Golaço que abriu caminho para a vitória santista, sacramentada minutos depois com outro belo gol, dessa vez de Borges, que matou no peito, girou e de fora da área, soltou a bomba, sem chances para o arqueiro alvinegro. O gol não só selou a vitória do time da baixada, como marcou um recorde pessoal para Borges: O vigésimo segundo gol do camisa 9, que o coloca n11ao lado de Serginho Chulapa como o maior artilheiro do Santos em uma edição do Brasileirão. Marca que possivelmente será batida nas próximas rodadas.

O Botafogo bem que tentou na segunda etapa. Apertou, encurralou o Santos em seu campo de defesa, mas esbarrou na segurança da defesa santista, além da boa atuação de Rafael.

A derrota tira do Botafogo a chance de assumir a liderança da tabela e depender apenas de si para chegar ao caneco, porém, não afasta e nem deve desanimar o time de Caio Junior na corrida pelo título, afinal, o time até fez uma boa partida, tinha tudo bem planejado, mas, apareceu o imponderável, apareceu Neymar.

sábado, 1 de outubro de 2011

Inter 0-3 Napoli – Nocaute Napolitano

Buscando emplacar a terceira vitória consecutiva e embalar sob o comando de Claudio Ranieri depois de um inicio de temporada horrível com Gian Piero Gasperini, a Inter recebeu o time sensação da última temporada do Calcio, o Napoli, no Giuseppe Meazza.

Ranieri apostou no mesmo sistema que vem utilizando desde que chegou aos Nerazurri, um 4-4-1-1, com duas linhas de quatro bem próximas e Forlan voltando um pouco mais para buscar o jogo. Contando com o retorno de Maicon, o time ganhava uma importante arma pelo lado direito.

Do outro lado, Walter Mazzari não podia contar simplesmente com seu melhor jogador, o artilheiro Edinson Cavani. Na vaga do uruguaio, entrou o ex-jogador interista Goran Pandev. Com isso, Lavezzi foi adiantado para a função de centroavante, enquanto o jogador da Macedônia atuou ao lado de Hamsik na armação da equipe, no já habitual 3-4-2-1 napolitano.

Inter - Napoli Inter com duas linhas de quatro, ajustada em um 4-4-1-1; Napoli bem postado no costumeiro 3-4-2-1 que liquidou os nerazurri.

O time da casa começou melhor, ficando com a posse da bola e trabalhando especialmente pela direita com Maicon. Ricky Alvarez centralizava e abria o corredor para o lateral brasileiro, que aproveitava e chegava ao fundo com freqüência.

Outra boa válvula de escape para o time nerazurri era Diego Forlan. Atuando às costas dos volantes adversários, o uruguaio era o cérebro dos mandantes e levou perigo no começo do jogo, quando saiu da esquerda pra dentro e soltou a bomba de direita de fora da área que passou à esquerda do gol de De Sanctis.

Com suas linhas bem postadas no campo de defesa, o Napoli equilibrou o jogo e passou a sofrer poucos riscos, apostando nos contragolpes, puxados principalmente por Lavezzi, que em velocidade incomodava os zagueiros interistas.

No fim da primeira etapa, o lateral Chivu sentiu e o Napoli aproveitou. Pela direita de seu ataque, Lavezzi saiu da área e lançou Maggio, nas costas do lateral romeno. Obi veio na cobertura e por trás deslocou o camisa 11 napolitano, fora da área, mas o árbitro Gianluca Rocchi apontou penalidade. De quebra, Obi recebeu o segundo amarelo. Julio Cesar até pegou a cobrança de Hamsik, mas Campagnaro apareceu para pegar a sobra e abrir o placar.campagnaro-afp

Com um jogador a mais em campo, o Napoli mudou sua postura na segunda etapa e passou a reter mais a bola, trabalhando na sua meia cancha e esperando uma brecha na defesa para a infiltração.

Mesmo com a desvantagem numérica, a Inter não se intimidou e jogou de maneira franca, se abrindo completamente para buscar o empate. O problema é que essa foi uma atitude suicida para o time da casa, porque encarava um oponente de muita qualidade e muita velocidade para aproveitar os espaços na sua retaguarda.

Na primeira oportunidade, Inler fez lançamento primoroso nas costas da defesa, Maggio ganhou na corrida de Nagatomo e tocou por cobertura na saída de Julio Cesar para ampliar o marcador e praticamente liquidar a fatura.

Atordoado, o time nerazurri que já se apresentava muito nervoso, ficou completamente perdido após o segundo tento dos visitantes, passando a ser presa fácil. Como em uma luta de boxe, o time da casa foi parar nas cordas.

O terceiro gol já poderia ter saído após a linda tabela de Zúñiga e Hamsik, em que o camisa 17 deixou o colombiano na boa para matar o jogo, porém de maneira incrível, dentro da pequena área e com o gol aberto, o ala esquerdo conseguiu jogar por cima.

Mas o nocaute napolitano só veio aos 30 da etapa final, após longa troca de passes do time visitante que culminou com mais um lançamento de Lavezzi nas costas da defesa, dessa vez para Hamsik, que na cara de Julio Cesar não desperdiçou e pôs o time da casa para beijar a lona.

O pênalti mal marcado ainda na primeira etapa e a justa expulsão de Obi deixou o time da casa vendido, diante de um oponente forte e letal que soube aproveitar a “guarda baixa” interista para liquidar o adversário e fazer um resultado importante que garante a liderança momentânea da Serie A para o Napoli.

domingo, 18 de setembro de 2011

Tottenham 4x0 Liverpool – Baile Londrino

Pensando em fazer frente aos poderosos de Manchester e ao Chelsea, o Liverpool foi a Londres encarar o Tottenham, time que ocupou o lugar dos Reds como quarta força há duas temporadas e que tenta voltar a figurar entre os primeiros colocados para brigar no mínimo por uma vaga na próxima UEFA Champions League.

Harry Redknapp utilizou sua formação preferida e armou a sua equipe em um 4-4-2 “à inglesa”, com duas linhas de quatro mais dois centroavantes. Do outro lado, se imaginava um Liverpool com sistema semelhante ao do rival, porém Kenny Dalglish optou por um 4-2-3-1, com Suarez à esquerda, Downing pela direita e Henderson na faixa central de três armadores, com Carroll isolado no comando do ataque.

Tottenham - Livpool Como começaram: Tottenham com o bom e velho 4-4-2 hibrido; Liverpool, em um 4-2-3-1, com Suarez saindo da esquerda pra dentro.

Relembrando seus melhores momentos, quando chegou à quarta colocação da Premier League na temporada 2009/2010 e até as quartas de final da UCL na última época, o Tottenham começou o jogo explorando o lado esquerdo com Gareth Bale.

Por ali, o galês passeava contra o improvisado Skrtel (hoje atuando na lateral direita vermelha) e começou a jogada do primeiro gol, quando passou para Defoe escorar e Modric soltar a bomba no ângulo esquerdo de Reina. Falha também de Lucas, que deveria ter acompanhado o croata.

Acuado em seu campo de defesa, o Liverpool só foi chegar com perigo aos dezoito minutos, após reposição de bola de Reina que Carroll ganhou por cima e Suarez em impedimento tocou para as redes, gol bem anulado. A ameaça de reação vermelha, porém, parou por aí e foi comprometida de vez quando menos de dez minutos depois, Charlie Adam fez falta dura em Scott Parker e recebeu o segundo amarelo, deixando a equipe com um a menos – antes disso, Agger lesionado havia dado lugar a Coates na zaga.

Com dez homens em campo, Kenny Dalglish repaginou seu time em um 4-4-1, recuando Henderson para ocupar a vaga de Adam e puxando Carroll para fechar a segunda linha de quatro pela esquerda, dando total liberdade para Suarez ser o comandante de ataque.

Tottenham - Livpool 2 Após a expulsão de Adam, Liverpool em 4-4-1, com o recuo de Henderson para fazer a função de volante e Carroll deslocado à esquerda.

Na volta do intervalo, Redknapp decidiu dar mais criatividade ao time e trocou o inoperante Niko Kranjcar por Van Der Vaart. Até por característica própria, o holandês se deslocava da direita para dentro e abria o corredor para o bom lateral Walker subir ao ataque.

O time da casa controlava bem a posse da bola (chegou a ter 62%) e administrava o resultado, porém faltava contundência para definir o jogo. Na primeira boa chance, Defoe ganhou do perdido Skrtel e deixou Adebayor livre pela direita. Displicente, o togolês bateu fraco nas mãos de Reina. Um minuto depois, mais uma vez Skrtel comprometeu o time e fez falta dura em Bale e assim como Adam, recebeu o segundo amarelo e foi para o chuveiro.

Com dois a mais, o Tottenham teve a vida facilitada e antes qmodric ue o Liverpool se reorganizasse, Van Der Vaart, por dentro, fez ótimo lançamento para Defoe ganhar de José Enrique e fuzilar a meta de Pepe Reina para ampliar.

A vantagem numérica e no marcador deu tranquilidade aos Spurs, que tocavam a bola de pé em pé, colocando o time vermelho na roda até Defoe receber na entrada da área e bater fraco no meio do gol. Reina falhou e soltou nos pés de Adebayor, que dessa vez não desperdiçou.

Sem muito o que fazer, Dalglish trocou Downing e Suarez por Spearing e Bellamy, reoxigenando sua equipe visando evitar o pior. No entanto, no último lance do jogo, Adebayor, livre pela direita, recebeu lançamento de Ekotto e bateu firme para dar números finais a partida.

Tottenham - Livpool 3 No fim do jogo, Liverpool com dois a menos, sem muito o que fazer e entregue, apenas assistiu o baile dos Spurs.

Com um jogo a menos e há apenas três pontos do atual quarto colocado Newcastle, o Tottenham vai se colocando na briga pela última das quatro vagas – imaginando que Manchester United, Manchester City e Chelsea devem brigar pelo título e consequentemente, ocupar as três primeiras posições.

Para o Liverpool, o momento é de saber engolir o duro revés e seguir o bom trabalho, se mantendo na briga direta com o próprio Tottenham pela mesma vaga. O retorno cada vez mais próximo de Gerrard dará mais qualidade, e principalmente, inteligência ao time, algo que faltou no baile londrino de hoje.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Paris Saint-Germain 3×1 Red Bull Salzburg: movimentação dos meias é a chave

Texto inicialmente publicado no A Prancheta, por Leandro Colares.

As contratações de Javier Pastore e Jérémy Ménez foram certeiras. Rápidos e habilidosos – especialmente o argentino, no segundo quesito –, têm grande chance de se adaptar à equipe. O esquema os favorece, e beneficia também Nenê, jogador que deve crescer de produção e voltar a boa fase do primeiro turno da Ligue 1 em 2010-11.

No 4-2-3-1 de Antoine Kombouaré, Ménez se posicionava à direita e Nenê à esquerda, com Pastore por dentro. Mas o esquema não funcionou durante boa parte do primeiro tempo. Antes do gol de Nenê, o Red Bull Salzburg era melhor. A equipe austríaca marcava no campo de ataque e tinha maior controle.

O 4-1-4-1 austríaco baseava-se na intensa movimentação de seu lado esquerdo. Jantscher se saía da esquerda para o meio, abrindo o corredor para a passagem de Svento. A recomposição do time francês era falha e os espaços apareciam.

Mas o Red Bull não tinha criatividade. Rodava a bola, com bons passes, mas não entrava na área. Ninguém se aproximava de Maierhofer, que pouco tocou na bola.

No PSG, Erding teve muita dificuldade em jogar de costas para o gol. O turco está mais acostumado a atuar em dupla, como acontecia em 2010-11, ao lado de Hoarau.

No 4-2-3-1, PSG não foi bem durante maior parte do primeiro tempo. Salzburg no 4-1-4-1, eficiente nos passes e pobre em infiltrações.

O segundo tempo sofrível dos austríacos é resultado, também, da nova postura de marcação do Paris Saint-Germain. Pressionando a saída de bola, os franceses dominaram por completo a etapa final.

Isso porque a movimentação do trio de meias se intensificou. Ménez, Pastore – que estava em tarde inspirada – e Nenê trocavam de posição o tempo todo, procurando tabelas e infiltrações por dentro. A marcação adversária sofreu e sucumbiu diante da eficiente fluência nos passes.

Ao mesmo tempo, é preciso destacar que os armadores do PSG tiveram muito espaço. O Red Bull Salzburg se desorganizou no segundo tempo, perdendo a compactação necessária para obter uma eficiência minimamente razoável.

Intensa movimentação do trio de meias do PSG, agora com Gameiro na frente. Red Bull se descompactou e sofreu na saída de bola.

O novo Paris Saint-Germain é uma equipe de muito talento. O entrosamento entre os três armadores é fundamental para o sucesso do 4-2-3-1, que necessita desta movimentação citada acima. Nenê tem tudo para voltar à boa fase. Resta saber se o centroavante estará à altura. Gameiro – que tem sido titular na Ligue 1 – dará conta do recado?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Barcelona 2-2 Milan – O Jogo só acaba quando termina

O gol de Alexandre Pato ainda aos 25 segundos de bola rolando, o quinto mais rápido na história da Champions League, foi um duro golpe aos mais de noventa mil espectadores que lotaram o Camp Nou para a estréia do atual campeão do torneio contra o atual campeão italiano e detentor de sete taças continentais.

Apesar do gol relâmpago, o Barcelona não se abalou e naturalmente impôs o seu estilo. Manutenção da posse da bola, que chegou a incríveis (mas não surpreendentes, em se tratando do time de Guardiola) 73%, toques de lado a lado e muita movimentação no campo ofensivo.

Sem poder contar com sua dupla de zaga titular, Pep Guardiola mais uma vez utilizou os volantes Busquets e Mascherano para compor a zaga. Hoje, ao lado de Abidal, formaram um trio defensivo no 3-4-3 em linha, diferente do mesmo 3-4-3 em losango utilizado na estréia da liga espanhola contra o Villareal – leia mais AQUI.

barça - milan ucl Apesar do diferente 3-4-3, Barça como de costume: marcação adiantada e muita movimentação.

No desfalcado Milan, sem poder contar com os avantes Ibrahimovic e Robinho, o gol caiu como uma luva para quem já foi à Espanha com o pensamento no empate. Daí em diante, era se fechar e esperar por um contragolpe. Seedorf, fazendo o vértice esquerdo no losango rossonero, fechava o cerco para Daniel Alves, porém, com a lesão de Boateng, Ambrosini entrou nessa faixa e o holandês foi deslocado para a função de enganche e o italiano não conseguiu mais encurtar os espaços para o lateral brasileiro.

Diante do ferrolho armado por Maximiliano Allegri, o time da casa precisava acelerar o último passe ou contar com um lance individual para furar o bloqueio dos italianos. Foi onde apareceu o melhor jogador do mundo. Na primeira tentativa, passou pelos defensores e bateu fraco para a defesa de Abbiati. Na segunda, deixou Abate na saudade e cruzou rasteiro para Pedro igualar o placar.

Com apenas cinco minutos da etapa final, em lance até atípico para o time catalão, David Villa aproveitou uma das inúmeras infrações milanistas e levou o Camp Nou ao delírio com belíssima cobrança de falta da intermediaria que colocou o time blaugrana na frente.

Allegri trocou o inoperante Antonio Cassano por Emanuelson, reconfigurando a equipe em um 4-4-1-1, com o camisa 28 aberto à esquerda na segunda linha de quatro, justamente para combater Daniel Alves. Do outro lado, Nocerino batia com Fabregas, que substituiu o lesionado Iniesta ainda na primeira etapa, enquanto Messi era acompanhado de perto por Van Bommel e Ambrosini, se revezando entre o combate inicial e a cobertura ao melhor jogador do mundo.

barça - milan ucl 2 Na segunda etapa, Milan em 4-4-1-1 visando diminuir os espaços de Dani Alves. Barça, de volta ao 4-3-3 com a entrada de Puyol.

Com a entrada de Puyol na vaga de Keita, o Barcelona voltou ao rotineiro 4-3-3 que o consagrou e controlava a partida, sem sofrer riscos, porém, também não oferecia perigo algum ao gol de Abbiati.

E a exemplo do cotejo de sábado, quando a equipe veSpain Soccer Champions Leaguencia por 2 a 0 a Real Sociedad pelo campeonato espanhol, a tranquilidade virou displicência, e o time já não fazia questão de ofender o adversário. Tal qual na partida da Liga, o time foi castigado, quando Thiago Silva subiu mais que Mascherano após cobrança de escanteio de Seedorf e empatou o jogo já nos acréscimos, dando números finais à peleja.

Um empate heróico para o Milan, e frustrante para o Barcelona, que precisa voltar a manter a concentração até o apito final do árbitro, pois como já dizia o ditado, o jogo só acaba quando termina.

Destaques do Brasileirão – Parte III

Após um longo período, voltamos com os destaques do campeonato. E com todo esse tempo, é natural que sobrem assuntos, mas como não há espaço para todos, peço desculpas se algum tema relevante na opinião dos amigos não estiver presente. Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

  • A volta dos Guerreiros?

Após um primeiro turno muito instável, finalmente o atual campeão Fluminense pegou no breu e já soma quatro vitórias nas quatro primeiras rodadas do returno. Com isso, o time deu um salto da décima segunda para a quinta colocação e hoje estaria classificado para a Taça Libertadores da América de 2012. O time de guerreiros, que foi do inferno do quase rebaixamento em 2009, ao céu do título em 2010, já começa a dar sinais de luz para os ponteiros do campeonato. Destaque para o garoto Lanzini, que se encaixou perfeitamente no time e hoje é o regente da equipe de Abel Braga.

  • Tocou o despertador

Como já foi abordado aqui, Galo e Grêmio precisavam abrir os olhos no campeonato para não passar por maus bocados. Pelo jeito, o despertador tocou tanto em Minas quanto no Rio Grande e os dois times já demonstram forças para sair do limbo, especialmente o tricolor gaúcho, que hoje se encontra há apenas sete pontos da zona de classificação para a Libertadores, e pode sim, sonhar em pleitear uma vaga na competição continental. O sempre tão contestado Celso Roth faz um ótimo trabalho desde que assumiu o time na décima quinta rodada. Desde então, conquistou 16 de 27 pontos disputados, ou seja, mais da metade dos 30 pontos ganhos pelo Imortal. Também muito contestado, Cuca passou por uma crise de seis derrotas consecutivas desde sua estréia no Galo, no entanto, recuperou e conseguiu três vitórias em quatro jogos do returno, suficiente para tirar o alvinegro da zona da degola – agora é trabalhar para se manter fora.

  • Queda Livre

Ao contrário do Fluminense, que só venceu no returno, o seu arqui rival Flamengo só perdeu. O time, que foi o último invicto a cair (primeira derrota veio apenas na 17ª rodada), hoje já acumula cinco derrotas e não está sequer entre os que estariam classificados à Libertadores. E o que mais assusta, é que três dessas cinco baixas foram dentro de casa, e para times que lutam na parte de baixo da tabela. Outro a seguir em queda é o Palmeiras. A campanha regular do primeiro turno ficou para trás e o time ainda não venceu no returno – dois empates e duas derrotas. A defesa, ponto forte do time no turno, sendo disparada a menos vazada com apenas 18 tentos sofridos, hoje é a segunda pior do returno, com nove gols em quatro pelejas.

  • Empurrados pelos seus matadores

Artilheiro e vice-artilheiro do campeonato, Borges e Leandro Damião tem sido decisivos nas campanhas de recuperação de Santos e Inter, respectivamente. Para se ter uma idéia da importância dos dois jogadores, Damião sozinho garantiu 13 dos 39 tentos do Inter (33,3% dos gols), melhor ataque da competição. Borges é ainda mais impressionante, pois anotou 16 (55%) dos 29 gols santistas no campeonato, sendo que dos últimos 6, quatro foram do goleador, que garantiram sete pontos nas últimas três rodadas ao Peixe.

  • Efeito “Ioiô”

Uma arrancada fulminante, uma queda brusca e uma irregularidade de causa inveja. Assim se resume as campanhas de Corinthians e São Paulo, líder e terceiro colocado respectivamente. No time alvinegro, os impressionantes 93% de aproveitamento nas dez primeiras rodadas viraram míseros 33% nas nove rodadas seguintes do turno, e desde a entrada do returno alterna uma vitória e uma derrota, ou seja, nem embala, nem cai. No tricolor é a mesma coisa, após 100% de aproveitamento nas cinco primeiras rodadas, a instabilidade tomou conta da campanha, e depois de fechar o turno com quatro empates nas últimas quatro partidas, o time do Morumbi, tal qual o do Parque São Jorge, alterna vitória e derrota na segunda metade da competição, também não vai, nem racha.

Seleção do Brasileirão:

seleção brasileirão 23

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Palmeiras 2x1 Corinthians – Consistente e Consciente

Há cinco jogos sem vencer e eliminado da Copa Sul Americana, o Palmeiras tinha no clássico contra o rival Corinthians a chance de reanimar seu torcedor e entrar no returno do Brasileirão mais vivo do que nunca na briga pelo título. Por outro lado, o Corinthians também precisava do triunfo para apagar a má impressão deixada na reta final do turno, onde até então, havia conquistado apenas nove dos últimos 24 pontos disputados.

Sem poder contar com o lateral Cicinho, suspenso, Felipão deslocou Marcio Araújo para o setor. Postado no mesmo 4-2-3-1 utilizado ao longo do campeonato, essa foi a única mudança no time verde.

No lado corinthiano, Tite também não pôde contar com seus laterais titulares. Na direita, Alessandro e Weldinho, ambos machucados, foram substituídos pelo improvisado Wallace, enquanto na esquerda, Ramon entrou na vaga de Fabio Santos. Outro desfalque no time foi Alex. O meia, que vinha crescendo de produção, sentiu um incomodo e foi substituído por Emerson, voltando a jogar com dois homens de velocidade pelos lados do campo.

palmeiras 2-1 Corinthians

Assim, o time do Parque São Jorge começou melhor, mantendo a posse da bola e trabalhando no campo de ataque, porém sem ameaçar o gol palmeirense. O Corinthians tocava a bola, porém, sem a velocidade de outrora e com os laterais “travados” no campo de defesa, era incapaz de furar o forte bloqueio defensivo adversário.

Em um raro momento em que Ramon foi ao ataque, o lateral fez bela jogada, passou por dois marcadores e soltou a bomba para a defesa de Marcos. Na sobra, Paulinho também tentou a finalização, que ficou na marcação e sobrou para Emerson. Pelo lado direito, Sheik tentou o cruzamento e a bola entrou direto no gol de Marcos.

Logo após o gol, o Corinthians teve ainda chance de ampliar, desperdiçada por Liedson. Perdendo o jogo e dominado em campo, Felipão decidiu mexer ainda na primeira etapa, trocando o inoperante Patrik pelo recém contratado Fernandão. Com a mudança, Kleber passou a sair mais da área para buscar o jogo, e carregando consigo a marcação dos zagueiros, abria espaços para as infiltrações, especialmente de Luan pela esquerda.

Numa dessas, o camisa 21 foi ao fundo e acabou desarmado por Wallace, que jogou para escanteio. Na cobrança, o goleiro Julio César saiu mal, a zaga bobeou e a bola acabou nos pés do próprio Luan, que fuzilou para empatar.

Foi apenas a primeira falha da defesa corinthiana no cotejo, já que no começo do segundo tempo, um novo vacilo da dupla de zaga decidiu o resultado. Leandro Castan saiu para acompanhar Kleber, e Chicão, saiu na cobertura, porém, errou na linha de impedimento. Resultado, Marcos Assunção encontrou Fernandão completamente livre às costas do camisa 3, o estreante matou no peito e tirou de Julio César para definir o placar.

Na base do abafa, o time do Parque São Jorge cresceu e foi melhor durante o último quarto do jogo, mas, diante de um Palmeiras consistente e consciente, não teve capacidade de chegar ao empate.

Nova derrota alvinegra, que apesar da liderança, fecha o turno com uma “mini-crise”, causada pelo baixo aproveitamento de apenas 33,3% nas últimas nove rodadas. Em contrapartida, o triunfo palmeirense recupera a auto estima verde, em baixa após a queda na Copa Sul Americana e recoloca o time do Parque Antarctica na briga pelo campeonato nacional.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A mudança que decidiu e a volta da confiança

É senso comum que para brigar na parte de cima de um campeonato longo e equilibrado como o Brasileirão, é fundamental ter um elenco numeroso e qualificado, com um bom time titular e peças de reposição à altura.

Ainda assim, alguns treinadores ainda correm o risco de sofrerem com as peças pregadas pelas casualidades do decorrer da competição, como lesões e suspensões.

Foi um problema que Tite encarou na última partida, diante do Atlético Mineiro em Ipatinga. Com o titular da lateral esquerda, Fabio Santos, no estaleiro por cerca de dois meses e o seu substituto imediato, Ramon, também lesionado, o treinador corinthiano foi obrigado a improvisar no setor.

Weldinho, que ocupou a lateral direita nas treze rodadas em que Alessandro esteve fora e voltou ao banco com o retorno do camisa 2, foi quem atuou no setor. Não funcionou.

Deslocado, ficou nítido o “incomodo” do camisa 18 na lateral oposta. Na contenção, foi incapaz de conter os avanços de Patric, que explorava bem o setor. No apoio, ao contrário do que fazia na direita, não buscava o fundo do campo, centralizava e facilitava para a defesa atleticana.

Mas esse não foi o único problema na equipe de Tite. Pela meia direita, Danilo e Paulinho não se entendiam como acontecia entre o volante e Willian. Alessandro não dava opção como Weldinho o fazia pela lateral. O veterano, por sinal, fez uma partida muito fraca tecnicamente. Além disso, Liedson ficava muito isolado no comando do ataque, sem a aproximação do trio de meias. Jorge Henrique verticalizava demais as jogadas e não buscava a penetração na área, e Danilo, centralizava para abrir o corredor para Alessandro, que não o explorava.

Com todas essas deficiências, o Corinthians foi incapaz de levar perigo ao gol de Renan Ribeiro e se tornou presa fácil para o Galo, que com certa facilidade (e uma pequena colaboração do árbitro Marcelo de Lima Henrique, ao anotar o pênalti que originou o segundo gol mineiro), abriu dois tentos a zero sobre o líder do campeonato ainda na primeira etapa.

Corinthians 1 Na primeira etapa, no 4-2-3-1 de toda a temporada: Weldinho na esquerda e o isolamento de Liedson “liquidaram” o Corinthians.

Na tentativa de corrigir os erros apresentados na etapa inicial, Tite trocou o seu pior homem em campo, Alessandro, por Emerson “Sheik”. Com a mudança, Weldinho voltou para a sua posição de origem e Jorge Henrique passou a ocupar a lateral esquerda.

Em função da entrada do camisa 11, o time saiu do seu habitual sistema de 4-2-3-1 utilizado desde o inicio do campeonato e se repaginou em um 4-3-1-2, com Alex na articulação e Sheik fazendo companhia a Liedson.

Corinthians 2 Com a entrada de Emerson, o time migrou para um ofensivo 4-3-1-2 para buscar a virada.

Assim, o time ganhou em movimentação e voltou a ser aquele dos 93% de aproveitamento nas primeiras dez rodadas do certame. Controlando o jogo, mantendo a posse da bola e encurralando o rival em seu campo de defesa, o alvinegro paulista não demorou a chegar ao empate, em gols de Emerson e de Alex, cobrando penalidade sofrida pelo próprio Sheik.

Emerson entrou muito bem e foi o diferencial em favor do Corinthians na partida, fazendo aquela que é disparada a sua melhor atuação desde que chegou ao Parque São Jorge. Além do gol e do pênalti sofrido, Sheik ainda criou diversas oportunidades, se movimentou bem, buscou tabelas e enlouqueceu a defesa mineira, antes de desviar cruzamento do “lateral” Jorge Henrique para que Liedson virasse o placar.

Uma mudança inteligente e pontual de Tite para virar o jogo e levar três importantes pontos de Minas Gerais. Uma vitória emblemática, que devolve a confiança a um grupo forte e homogêneo, que precisava de um trunfo como esse para renascer na competição.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Noite do 13.

 

botafogo 4x0 vasco 

A mística torcida botafoguense podia esperar por algo especial quando Zagallo tocou para o camisa 13, Loco Abreu, no pontapé inicial do clássico contra o Vasco.

Suspenso, Maicosuel deu lugar a Felipe Menezes no meio campo. A mudança tirou a velocidade, no entanto, deu mais cadência à meia cancha. Com inteligência e paciência, Menezes e Renato articulavam as tramas ofensivas alvinegras.

Se o meio campo ficou mais lento com a ausência de Maicosuel, na lateral Cortês tratou de impor velocidade, e com habilidade, criar bons lances pelo lado esquerdo. Como na primeira boa oportunidade do jogo, quando o lateral rolou para Marcelo Mattos soltar a bomba de fora da área que Fernando Prass fez boa defesa.

Apesar da boa intervenção na primeira chance, o arqueiro nada pôde fazer na segunda, quando Renato cobrou escanteio e Antonio Carlos apareceu no primeiro pau para desviar no canto direito de Prass e abrir o marcador. Também em cobrança de escanteio, o Vasco teve a chance de empatar na seqüência, mas Jefferson fez linda defesa em cabeçada de Alecsandro.

O lance serviu para o time cruzmaltino acordar e passar a ter mais a bola, porém, com Marcelo Mattos fechando o cerco para Diego Souza e Renato acompanhando Felipe, a articulação vascaína ficou comprometida e o time não conseguia levar perigo ao gol de Jefferson.

Na base dos contragolpes, o Botafogo ampliou quando Cortês voltou a aparecer. O lateral roubou a bola ainda no campo de defesa e avançou com ela até o meio campo, quando fez ótimo lançamento para Herrera bater forte e Fernando Prass defender parcialmente. No rebote, Loco Abreu apareceu para tocar de direita no gol vazio.

Mais pensador e menos corredor, o Botafogo controlava bem o jogo. Dominava as ações da partida e articulava com paciência a partir da intermediária ofensiva. Felipe Menezes, peça chave no ritmo de jogo demonstrado pelo time de General Severiano, apareceu muito bem quando achou Lucas completamente livre pela direita. O lateral, que substituiu o fraco Alessandro, levantou na área, Prass afastou mal e Elkeson tocou de cabeça para Loco Abreu encher o pé esquerdo e fazer o terceiro.

Após o massacre sofrido na primeira etapa, Ricardo Gomes voltou com Juninho Pernambucano na vaga de Marcio Careca, deslocando Jumar para a lateral esquerda. Apesar da qualidade indiscutível do “Reizinho”, não acho que era o momento para o camisa 8. Com Diego Souza apagado, o time precisava de mais velocidade.

Embora seja um grande jogador, um problema que Diego Souza carrega consigo há muito tempo é o seu estopim curto. Especialmente quando não joga bem, como no clássico deste domingo. Resultado disso foi o bate boca entre o camisa 10 e o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que culminou com a expulsão do meia vascaíno.

Antes disso, Loco Abreu perdeu duas ótimas oportunidades de ampliar o marcador. Uma, em linda defesa de Fernando Prass e outra quando o avante acertou o travessão após mais um cruzamento de Cortês, o homem do jogo que deu lugar a Marcio Azevedo após o lance.

Quem ampliou foi Herrera, aproveitando boa jogada de Renato. O camisa 8 carregou por dentro e na entrada da área serviu para o argentino tirar de Fernando Prass e fechar o placar.

Uma goleada tão importante quanto improvável, devido ao ótimo momento que vivia o time da Colina e a inconstância do Glorioso. Um resultado que dá mais tranqüilidade no ambiente botafoguense, pois só assim o bom time de Caio Junior poderá render tudo o que pode e manter uma regularidade para continuar a luta na parte de cima da tabela.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Hora de Acordar

despConfesso que não vi o “jogo dos desesperados” entre Grêmio e Atlético-MG na noite de ontem. Optei em ver o duelo entre o líder Corinthians e o lanterna América-MG. Assim, não posso fazer uma profunda analise sobre o confronto do Olímpico. O que posso fazer é uma analise do momento complicado que vivem as duas equipes.

Ambos “namoram” com a zona de rebaixamento desde o inicio do campeonato, e só não fazem parte dos quatro piores ainda porque equipes como Avaí e Atlético-PR que figuram na temida zona desde a primeira rodada, demoraram a se encontrar e vencer – sem contar o Santos, que tem ainda três jogos por fazer e deve sair da posição incomoda.

Mas, o crescimento de catarinenses e paranaenses nas últimas rodadas (dos últimos quinze pontos disputados, nove e seis ganhos, respectivamente) assusta e deve servir de alerta para os dois gigantes que ficaram no empate em dois tentos pra cada lado.

GremioNo Tricolor Gaúcho, uma reformulação começou há pouco. Primeiro com a queda do vice- presidente de futebol Antônio Vicente Martins, que deu lugar a Paulo Pelaipe. O novo cartola já chegou disparando para todo lado, afirmando que o time precisava de reforços em todos os setores, na defesa, meio e ataque.

Correu e acertou o primeiro reforço, para o ataque. Seria Wellington Paulista, mas por problemas na documentação, a transação não se concretizou. Pelaipe foi rápido e pouco depois acertou com Brandão. Francamente, não é um nome que me agrada. Por mais que seja (pouco) melhor que o atual centroavante gremista, André Lima, ainda está longe de ser a solução para os problemas do Imortal, que detém o sexto pior ataque do Brasileirão, com apenas 14 gols.

Outro nome recém chegado é Dema, zagueiro que estava na Chapecoense e que fez parte do time do Paulista de Jundiaí campeão da Copa do Brasil de 2005, ao lado de Victor e Rever.

A troca no comando técnico foi outra solução tomada pelo cartola, logo após o empate com os mineiros. A “invenção” com Julinho Camargo não funcionou, ficou claro que não tinha cancha suficiente para comandar um time do tamanho do Grêmio. Celso Roth é quem assume o cargo. Aí sim, um nome que me agrada, pelos seus últimos trabalhos a frente de Inter, Atlético-MG e do próprio Grêmio. Roth tem bagagem, é rodado e saberá lidar com a pressão que o time vive. Além de ter se consagrado por boas campanhas com elencos apenas medianos, caso do Grêmio.

Atlético MGA situação no Galo não é diferente. Com apenas 15 pontos conquistados, o time é somente o 14º colocado na tabela. Nas últimas dez rodadas então, o desempenho é ainda pior. Foram só oito pontos em trinta disputados, pífios 26% de aproveitamento.

Desde que o presidente Alexandre Kalil assumiu o posto, em outubro de 2008, jogadores chegam e saem em demasia, e com isso, o time nunca tem uma “cara”, não cria identidade, não se impõe. Só neste ano, já foram 19 contratações. Quase dois times inteiros. O presidente é um dos responsáveis pela seqüência de fracassos, por não conseguir manter uma equipe.

Dorival Junior, a exemplo do presidente, já faz hora extra no Galo há um bom tempo. Ao contrário do ano passado, quando o treinador chegou e conseguiu impor um estilo de jogo ao time e com isso livrar os mineiros de um novo rebaixamento, nesse ano o comandante ainda não emplacou uma equipe forte o suficiente para fazer frente no tão equilibrado certame nacional. Renovar o comando técnico nem sempre é solução, mas no caso do Galo, vejo como uma saída fundamental para mexer no brio dos jogadores e quem sabe alavancar uma nova campanha de recuperação.

Recuperação. Essa é a palavra chave nos dois times. Dois times gigantes, de camisa pesada e torcida imensa, que já passaram pelo pesadelo da segunda divisão e precisam acordar enquanto é tempo. Daqui a pouco poderá ser tarde demais.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Santos 4x5 Flamengo - Um Jogo Para Sempre

Para quem gosta de futebol, o jogaço da Vila Belmiro foi um prato cheio. Santos e Flamengo proporcionaram um espetáculo de encher os olhos. Nove gols, lances geniais e um show a parte de dois ícones que representam como poucos a magia do futebol brasileiro.

Neymar fez o que a Vila Belmiro já está mais do que acostumada a ver. Pediu a bola, recebeu, partiu pra cima, driblou, passou, finalizou. Enfim, arrebentou. O que a casa do Rei do futebol não contava era que do outro lado teria um certo Gaúcho. Ronaldinho como nunca. Genial como sempre.

O jogo começou quente e logo aos quatro minutos, Elano descolou ótimo lançamento para Borges, o camisa nove que o Santos tanto procurava tirar com categoria de Felipe e abrir o placar.

Os desenhos táticos das duas equipes se assemelhavam. Um 4-4-2 em losango que ainda reluto em desmembrar em 4-3-1-2, pelos posicionamentos dos vértices laterais dos dois meio campos, que se adiantavam e juntavam-se ao ponta-de-lança.


O problema é que as duas defesas ficavam extremamente expostas e qualquer erro poderia ser fatal. Como foi quando Renato Abreu tentou virar o jogo em sua intermediaria e deu nos pés de Ganso, que achou Neymar nas costas da zaga. O camisa 11 errou na primeira, mas descolou belo passe de puxeta (tentou o gol, diga-se) para Borges ampliar.

Foi o cartão de visitas da “Jóia”, que pouco depois mostrou porque é tratado como tal. Um gol sensacional, digno do campo onde desfilou Pelé. Neymar recebeu na esquerda, saiu no meio de dois, tabelou com Borges e deixou Angelim na saudade antes de tocar na saída de Felipe para fazer 3 a 0 e ser ovacionado por toda a Vila e por todo o Brasil.

O Flamengo não se entregou e partiu pra cima do Peixe, explorando especialmente as investidas de Luiz Antonio pelo lado direito. Por ali, parecia o caminho das pedras para o time carioca, que poderia ter diminuído com Deivid que perdeu gol incrível em passe do jovem meio campista.

Mais uma vez pela direita, o Flamengo renasceu no jogo quando novamente Luiz Antonio foi no fundo e rolou pra trás, dessa vez nos pés de Ronaldinho, que ao contrário de Deivid, não desperdiçou. O mapa da mina voltou a funcionar e Leo Moura apareceu para levantar na área e ver a desatenta zaga alvinegra deixar Thiago Neves subir sozinho para tirar de Rafael e incendiar de vez o jogo.

Neymar voltou a aparecer quando avançou pela esquerda lado a lado com Williams até entrar na área e aí sim, se jogar de forma escandalosa. O árbitro André Luiz de Freitas Castro foi na dele e apontou a marca da cal. Elano mostrou personalidade ao pegar a bola das mãos de Borges e partir para a cobrança depois da trágica penalidade na Copa América. Mas mostrou muita displicência na cobrança, ao tentar uma ousada cavadinha, que Felipe teve tranqüilidade para pegar e ainda fazer embaixadinhas. Lance patético para um jogador com a experiência e a rodagem de Elano.

No fim da primeira etapa, ainda deu tempo de mais uma bobeada da zaga santista. Em cobrança de escanteio da direita, Ronaldinho levantou no primeiro pau como já havia feito em outras cobranças e ainda assim a defesa deixou Deivid aparecer livre para desviar e igualar o placar ainda nos quarenta e cinco iniciais.

A bronca de Muricy parece ter surtido efeito e a etapa final começou na mesma batida que terminou a inicial. Logo aos cinco minutos, Leo fez boa jogada e achou Neymar na área. Com belo toque, o camisa 11 encobriu Felipe e recolocou o Peixe na frente.

Foi aí que o astro maior do jogo pegou a bola, botou embaixo do braço e falou para si mesmo: “Chega de aplaudirem o moleque, eu sou o cara e vou resolver”. E Ronaldinho o fez.

Primeiro, drible desconcertante em Edu Dracena, que Arouca chegou na cobertura parando o craque com falta. Na cobrança, um toque magistral por baixo da barreira que deixou o goleiro Rafael estático, olhando a bola entrar sem nada poder fazer. Segundo, quando apareceu pela esquerda para receber passe de Thiago Neves e com muita categoria tirar de Rafael para virar o jogo de maneira épica e dar números finais ao jogo do ano (ou dos últimos anos).

Um jogo como há muito não se via no país. Cheio de oportunidades e belos lances de ambas as partes. Um jogo onde a parte tática foi sucumbida pelo talento individual de craques capazes de fazerem o inimaginável. Um jogo para sempre. O futebol agradece e aplaude de pé o espetáculo da Vila.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Destaques do Brasileirão – Parte II

Campeão dos Campeões

O aproveitamento corinthiano nesse inicio de Campeonato Brasileiro é simplesmente espantoso. Incríveis 84,85% dos pontos conquistados (28 em 33), algo nunca visto no certame nacional desde o começo dos pontos corridos em 2003 – o mais próximo disso foi o Flamengo, em 2008, com 78,7%, ou 26 dos 33 pontos disputados. Antes da derrota para o Cruzeiro na última rodada (primeira alvinegra na competição), o desempenho era ainda maior, com 93% de aproveitamento que mereceu destaque até dos rivais Vanderley Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari.

Imbatível

O Flamengo de Vanderley Luxemburgo ainda não sabe o que é perder nesse começo de campeonato. O problema é que o rubro negro ainda se encontra há sete pontos do líder Corinthians, em função da grande quantidade de empates. Foram seis resultados de igualdade e apenas cinco vitórias, mesmo número que o 11º colocado Fluminense. Se não joga um futebol encantador, no mínimo o time carioca demonstra solidez o suficiente para ser derrotado.

Renascimento Azul

Se na primeira parte dos Destaques (leia mais AQUI), o Cruzeiro aparecia como um dos piores times na tabela, com apenas três pontos, nessa segunda edição é justamente o contrário. Desde a chegada de Joel Santana à Toca da Raposa, o time mineiro venceu cinco dos seis jogos disputados, um aproveitamento incrível de 83,3% sob a batuta do novo treinador que recoloca o clube na condição de brigar na parte de cima da tabela.

Ladrões em Alta

Uma característica em comum dentre os primeiros colocados é no quesito roubadas de bola. Os três primeiros, Corinthians, com 394 desarmes (35,8 por jogo), São Paulo com 317 (28,8) e Flamengo com 331 (30) estão entre os que mais desarmaram na competição.

PS: Destaque individual para Ralf, dono de 74 desarmes no total, por isso, premiado (com justiça) com a convocação para a Seleção Brasileira.

Maldição do “A”

Dentre os últimos colocados também há uma característica em comum (e curiosa). Todos os quatro que seriam rebaixados hoje começam com a letra A: Atlético-GO, América-MG, Avaí e Atlético-PR já namoram com a segunda divisão. Juntos, os quatro conquistaram 28 pontos, mesmo número obtido pelo líder Corinthians.

PS: O Atlético-MG é o primeiro fora da zona de rebaixamento. Mais um “A”.

Dança das Cadeiras

Até a quinta rodada, apenas um técnico havia caído – Cuca, que dava lugar a Joel Santana no Cruzeiro (leia AQUI). Após mais seis rodadas disputadas, seis trocas de treinadores. No São Paulo, um momento turbulento com três derrotas consecutivas (sendo uma a goleada para o rival Corinthians) derrubou Paulo César Carpeggiani. Em seu lugar, chegou Adilson Baptista, que deixou o Atlético-PR na sétima rodada, com apenas um pontinho. Para a vaga de Adilson, a diretoria rubro negra se mexeu rápido e foi buscar Renato Gaúcho, que acabara de deixar o Grêmio sob o comando de Julinho Camargo. O outro gaúcho, o Inter, também trocou e dispensou o eterno ídolo Paulo Roberto Falcão do comando. Ainda sem treinador, o time é comandado pelo interino Osmar Loss. Atlético-GO e América-MG também trocaram seus comandantes na tentativa de saírem da incomoda zona de rebaixamento. PC Gusmão deixou o Dragão, que hoje é treinado pelo interino Jairo Araújo, enquanto o Coelho dispensou Mauro Fernandes e acertou com o bom e velho delegado Antonio Lopes.

Seleção do Brasileirão

seleção rodada11

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Melhora na frente, piora atrás. Seleção precisa de equilíbrio.

Melhorou, os gols saíram e com eles a vitória, mas o pouco volume de jogo e as inúmeras falhas defensivas escancaram que a Seleção Brasileira ainda está longe de apresentar o futebol eficiente e vistoso que todos esperam.

Confesso que não entendi a saída de Jadson da equipe, afinal, se não rendeu tudo o que pode, no mínimo, o apoiador do Shakhtar deu mais qualidade ao meio campo brasileiro, fazendo uma boa dupla ao lado de Ganso.

Mas a volta de Robinho fez bem ao time. Não pela apresentação individual do jogador do Milan, que foi no máximo razoável, mas pela boa movimentação do trio ofensivo, que ao contrário do jogo diante da Venezuela (quando atuaram juntos), não foi estático, trocou de posições e confundiu a marcação equatoriana.

Após as fracas atuações de Daniel Alves nos dois primeiros jogos, Mano sacou o lateral do Barcelona e promoveu a volta de Maicon à posição. Com velocidade e força física que lhe são peculiares, o camisa 13 foi um dos melhores do jogo, com apoios constantes e precisos, explorando muito bem o corredor aberto por Robinho, que se movimentava com inteligência da direita para dentro.

Do outro lado, André Santos demonstrava certa insegurança em subir ao ataque e deixar o setor desprotegido. Ainda assim, foi dos pés do camisa 6 que saiu o cruzamento perfeito que encontrou Pato penetrando em velocidade para antecipar o zagueiro e desviar de cabeça para o fundo do gol de Elizaga.

O gol deu ânimo e por pouco o Brasil não ampliou pouco depois, quando Maicon foi no fundo e rolou para Robinho no meio da área pegar de primeira e carimbar a trave. O ânimo foi à lona no lance seguinte, quando Caicedo bateu fraquinho da entrada da área e Julio César engoliu um frangaço. Sorte brasileira que o goleiro se redimiu rápido, fazendo grande defesa em um foguete disparado por Arroyo minutos depois do gol de empate e evitando a virada equatoriana ainda no primeiro tempo.

A atuação apenas mediana do Brasil na primeira etapa poderia ter sido melhor caso Ganso tivesse entrado no jogo, o que só veio a acontecer no inicio da etapa final, quando o camisa 10 com um único toque na bola deixou Neymar na boa para finalizar com força e recolocar o Brasil na frente.

No entanto, a boa participação no gol brasileiro foi um lance isolado de um jogador que esteve apático em campo e voltou a se esconder. A qualidade de Ganso com a bola nos pés é indiscutível, mas não pode se limitar a ajudar apenas quando o time tem a bola, tem que ser combativo também sem ela. Ganso não foi e assistiu Noboa conduzir a bola pelo meio e passar para Caicedo girar e bater para novamente deixar tudo igual, com nova falha de Julio César.

Ao contrário do primeiro tempo, quando o Brasil se abateu com o empate, dessa vez não deu nem tempo. A boa movimentação ofensiva voltou a tona e após bela jogada de Neymar, trazendo da esquerda para a direita e finalizando forte, Pato apareceu como um legitimo camisa 9 para aproveitar o rebote de Elizaga e fazer o seu segundo no jogo.

Assim como Pato, Neymar também deixou a sua marca em duas oportunidades, quando novamente se deslocou da esquerda para a direita para aproveitar cruzamento preciso de Maicon no primeiro pau e tocar para as redes para definir o placar.

Apesar dos pesares, o Brasil ainda conseguiu a classificação na primeira posição em um grupo equilibrado, e encara agora o Paraguai, pelas quartas de final. O ataque enfim, funcionou, enquanto, a defesa bagunçou.

As falhas de Julio César foram exclusivas do goleiro, mas a exposição da retaguarda brasileira e a facilidade com que os adversários chegam, precisam ser corrigidas com urgência. É preciso equilíbrio para encarar a forte seleção guarani.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O despertar da Pulga e o renascimento Albiceleste

A incansável busca de Sergio Batista por um sistema de jogo onde Messi se adapte melhor e possa render na seleção, no mínimo, algo próximo do que rende no Barcelona, parece ter chegado ao fim. Isso porque na noite de ontem, o melhor do mundo deu show na goleada argentina por três a zero sobre a frágil seleção costarriquenha.

As alterações de Batista, tanto no sistema de jogo – saindo do 4-3-3 dos dois primeiros jogos, para um 4-2-3-1 – quanto nas peças, tornaram o time mais leve e mais compacto, facilitando o toque de bola e trazendo de volta a tona o bom e velho “toco y me voy” albiceleste.

Argentina x Costa Rica

Formações iniciais: Argentina em um 4-2-3-1, com Messi pela direita e Di Maria por dentro, encostando no melhor do mundo ou abrindo espaço para as subidas de Gago. 

Apesar do erro na distribuição das peças, com Messi preso à beirada direita do gramado e Di Maria articulando pela faixa central, a movimentação dos dois confundiu a marcação adversária e empurrou a Argentina para um primeiro tempo avassalador.

A entrada de Gago no lugar de Banega qualificou o meio campo, com bons passes e servindo como opção para tabelas em velocidade, além de boas subidas ao ataque, como na que originou o primeiro gol, quando o camisa 20 soltou a bomba de fora da área e Aguero apareceu para aproveitar o rebote do goleiro Moreira.

O gol deu tranqüilidade a um time que já demonstrava claros sinais de nervosismo diante das inúmeras oportunidades desperdiçadas, especialmente por Higuain, que por ansiedade ou falta de pontaria, não aproveitava as chances que lhe eram oferecidas pelo melhor jogador em campo, Messi.

Partindo da direita para dentro, driblando, tabelando e servindo seus companheiros, o camisa 10 fazia uma apresentação de gala, que só veio a ser coroada de fato na segunda etapa, quando a equipe voltou com a formação dos primeiros jogos, um 4-3-3 com “La Pulga” atuando como “falso nove”, Higuain e Aguero abertos, buscando as entradas em diagonal e Di Maria como meia esquerda, fazendo a aproximação ao melhor jogador do mundo.

De volta à posição onde joga, nas costas dos volantes adversários, Messi sobrou e desfilou parte de seu repertório genial. Primeiro, em boa triangulação que começou com Higuain deixando com Leo, que achou Aguero entrando em diagonal pela esquerda para fazer o segundo da Argentina, o seu terceiro na Copa América, artilheiro da competição. Segundo quando o camisa 10 partiu com a bola dominada e serviu Di Maria, que soltou a bomba, liquidou a fatura e assegurou a classificação argentina. No fim, Messi ainda apareceu novamente, dessa vez para servir Lavezzi, que acabou batendo na trave e desperdiçando a chance de se redimir da má impressão deixada nas duas primeiras partidas.

Argentina x Costa Rica 2

Na segunda etapa, Argentina voltou ao 4-3-3 e Messi à função de “falso nove”. Com Aguero e Di Maria penetrando em diagonal, funcionou.

Entendo que a Costa Rica, por mais que tenha um bom time, não é parâmetro, mas as quase 30 finalizações argentinas não surgiram apenas pela fragilidade do oponente. Batista parece ter enfim acertado a mão e achado o time ideal, ganhando força psicológica e taticamente para a próxima fase. Com um Aguero sedento por gols, um Messi “acesso” e o fator casa, a Argentina está cada vez mais viva na disputa pelo caneco.