terça-feira, 14 de maio de 2013

O ponto de partida de Scolari


Saiu nesta terça a lista de convocados para a disputa da Copa das Confederações, competição preparatória para o Mundial de 2014.

Muito se falou que a dúvida de Felipão girava em torno de Kaká ou Ronaldinho, em qual dos dois o comandante levaria – até por uma declaração do próprio, dizendo que só havia espaço pra um dos dois. O fato é que na hora H, o treinador brasileiro não levou nenhum, nem outro.

Confira abaixo, a lista de Luiz Felipe Scolari, e uma breve analise dos convocados – e dos não convocados também:

GOLEIROS: Julio Cesar (Queens Park Rangers), Diego Cavalieri (Fluminense), Jefferson (Botafogo).

LATERAIS: Daniel Alves (Barcelona), Jean (Fluminense), Marcelo (Real Madrid), Filipe Luis (Atlético Madrid).

ZAGUEIROS: Thiago Silva (Paris Saint Germain), David Luiz (Chelsea), Dante (Bayern Munique), Rever (Atlético/MG).

VOLANTES: Fernando (Grêmio), Luiz Gustavo (Bayern Munique), Paulinho (Corinthians), Hernanes (Lazio).

MEIAS: Oscar (Chelsea), Lucas (Paris Saint Germain), Jadson (São Paulo), Bernard (Atlético/MG).

ATACANTES: Neymar (Santos), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit), Leandro Damião (Internacional).

No gol, Scolari foi perfeito. Até porque o Brasil está muito bem servido na posição, a ponto de deixar jogadores do quilate de Cássio e Diego Alves de fora. As laterais também estão bem servidas, embora, Rafael do Manchester United, era um nome que me agradava até pra ser titular, uma vez que vem de temporada bem superior a de Daniel Alves.

Outra posição em que Felipão acertou a mão foi a zaga. Quatro beques de primeira linha, com potencial para serem titulares. Já entre os volantes, Ralf joga em alto nível a um bom tempo e não foi lembrado. Talvez caberia o corinthiano na vaga de Luiz Gustavo, embora o jogador do Bayern também seja excelente na cabeça da área.

Entre os meias, Oscar e Lucas eram nomes certos. Bernard apareceu como ótima novidade. E o grande absurdo da lista, a ausência de Ronaldinho Gaúcho. Não pela convocação de Jadson, que atravessa bom momento com a camisa do São Paulo, mas sim pelo próprio dentuço. O camisa 10 do Atlético/MG vive a melhor fase de sua carreira desde os áureos tempos de Barcelona e deveria estar entre os vinte e três. Kaká, apesar de ter enorme talento, não joga no Real Madrid, não tem uma sequência de jogos e com isso seu ritmo é comprometido, portanto, sua ausência é justificável.

Neymar e Fred eram presenças mais que garantidas entre os nomes que iriam compor a linha de frente verde e amarela. Os outros dois nomes é que são questionáveis. Hulk não me agrada e poderia ser facilmente trocado por Osvaldo, que é o grande jogador do São Paulo. Ou até por Ronaldinho, mantendo Jadson no grupo. Leandro Damião não foi bem nos testes que fez contra Bolívia e Chile, mas, é compreensível sua presença por ser um camisa nove de oficio, para ter um reserva nos mesmos moldes de Fred, uma vez que o artilheiro tricolor se machuca em demasia, assim como Alexandre Pato, que pode ter ficado fora em função de sua parte física. Porém, se seleção é momento, o nome de Jô deveria ser visto com mais carinho por Felipão.

Como se pode ver, somente uns três ou quatro nomes são contestáveis. No mais, Felipão levou mesmo o que há de melhor no futebol brasileiro. Agora é ver o trabalho dentro da competição, com tempo para treinar e corrigir falhas. Aproveitar o último grande teste antes do Mundial é o ponto de partida para se fazer uma grande Copa.



terça-feira, 7 de maio de 2013

Seedorf, o "Chama Taças"

Existem jogadores que nasceram para serem campeões. Por onde passam, vão acumulando canecos e medalhas em suas salas de troféus particulares.

Clarence Seedorf é um desses caras. O holandês, destaque do Botafogo na conquista irretocável do Campeonato Carioca, já deve ter dor no braço de tanto levantar taça ao longo da sua carreira.

São quatro conquistas de UEFA Champions League (cinco, se contabilizar também a taça de 1999/2000, quando Seedorf começou a campanha com o Real Madrid, mas acabou negociado no meio da temporada) por Ajax, Real Madrid e Milan, sendo o único jogador a ganhar a tão cobiçada taça continental por três clubes diferentes.


Dois Mundiais de Clubes, um com Real Madrid e outro com o Milan.

Cinco ligas nacionais, sendo duas holandesas com o Ajax, uma na Espanha com a camisa merengue e outras duas em solo italiano vestindo a “maglia rossonera” do Milan, além de copas nacionais, supercopas e afins em solo europeu.

Casado com uma brasileira, o craque decidiu se aventurar em terras distantes do velho continente, e adivinhem... TAÇA! O camisa 10 do Fogão tem imã pra título, e com o glorioso manto alvinegro não seria diferente.

Foram quinze vitórias, três empates e apenas uma derrota numa impressionante campanha que culminou com o título carioca de maneira antecipada ao Botafogo. Eleito craque do campeonato, Seedorf foi o esteio do time, ditando o ritmo de jogo do time da Estrela Solitária.

Ao fim da decisão da Taça Rio, onde o Botafogo venceu o Fluminense pela vantagem mínima, Seedorf foi perguntado sobre a importância de uma conquista regional em currículo tão cheio de louros. O holandês declarou que “é importante gostar de ganhar”. Alguém tem dúvidas de que ele gosta? Eu não tenho.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Brasil, Campeão da Libertadores 2013

Bom meus amigos, quem ''fala'' aqui com vocês pela primeira vez é Bruno Mendonça, Goiano, Fisioterapeuta, apaixonado por futebol, e tudo mais que envolve bola. Cruz maltino de coração, não tive a sorte (leia-se competência), de brilhar no Gigante da Colina, e muito menos em qualquer time de várzea. Sendo então, me junto ao meu brother Rafael Andrade, para escrevermos sobre o MAIOR e MELHOR esporte do MUNDO.

Inicia-se hoje o mata-mata da Libertadores da América 2013. O favoritismo é totalmente verde e amarelo.
O futebol sul americano com exceção um pouco do Brasil, vive um momento turbulento financeiramente. Os grandes clubes logos se desfazem rapidamente de seus bons e jovens valores, e investem em um ou outro medalhão que rodou pela Europa.
Mas a Libertadores é uma caixinha de surpresas, as zebras correm soltas, mas esse ano dificilmente fogem
da lógica. Analisemos...

Newell's old Boys-ARG vs. Vélez Sarsfield-ARG, será decidido no fator casa. Quem tiver um apoio maciço da torcida deve levar a vaga. O time Newell's, time que revelou nada mais na menos que Maradona e Messi, vem brigando na ponta do Campeonato Argentino porém se classificou na última rodada da Libertadores, por saldo de gols, já o Vélez, ocupa a parte debaixo da tabela no Argentino, se classificando tranquilamente em um grupo não muito complicado.
Palpite: por ser mais acostumado a decisões na Libertadores, dá Vélez.

Real Garcilaso-PER vs. Nacional-URU, o Real é um time novo, montado a poucos anos no Peru, e já vem se destacando entre os times do país. Mas o tradicional Nacional, time de Montevideu, mesmo não se destacando em competições continentais ainda é o velho e marrento Nacional.
Palpite: Nacional leva fácil essa vaga.

Tigre-ARG vs. Olimpia-PAR, com certeza o Tigre, é o time mais covarde em que eu já vi jogar. Esquece totalmente o futebol de lado e parte para agressões. Não estranhemos se aparecer algum jogador deles migrando para o MMA. O Centenário Olimpia se classificou em primeiro, em um grupo até certo ponto difícil, mas nivelado por baixo.
Palpite: o futebol, mais uma vez vence a pancadaria, Olímpia na cabeça.

Tijuana-MEX vs. Palmeiras-BRA, Os mexicanos ainda engatinham quando o assunto é Libertadores, porém é o atual Campeão Mexiacano. Mandam seus jogos no Estádio Caliente, que é de grama sintética e deu muito trabalho ao Corinthians, assim sendo, não será nada fácil para o Palmeiras, time esse, que conta muito mais com a raça e a superação do que com qualidade técnica. Vamos ver até onde isso terá efeito.
Palpite: Esse tá complicado, mas vou de Palmeiras.

Boca Juniors-ARG vs. Corinthians-BRA, os xeneizes, já não são os mesmos de outrora, a Bombonera não pulsa como antes, mesmo assim, ainda pesa muito essa camisa que eternizou Maradona. O Corinthians, dispensa apresentações. Time ''cascudo'', que cresce em jogos decisivos, muito bem armado pelo Tite.
Palpite: Sem grandes emoções, dá Corinthians

Grêmio-BRA vs. Santa Fé-COL, os gremistas patinaram muito na fase de classificação. Dono de um primoroso elenco e ainda sob a batuta de Luxemburgo, o Grêmio vem em busca do Tri da Libertadores. Santa Fé, se classificou como a segunda melhor campanha, porém o Grupo era uma mãe. Futebol solto, meio descompromissado e fraco defensivamente, característico de times colombianos.
Palpite: Grêmio, que pra mim vai até a Final.

Emelec-EQU vs. Fluminense-BRA, o Emelec vem constantemente enfrentado equipes brasileiras, mas o futebol ainda é fraco. Sem muitas chances de surpreender. O Flu, que vive um momento digamos, tenso, pois não conta com Fred, Deco e Thiago Neves. Está dependendo muito de Nem e Sóbis, mesmo assim é franco favorito.
Palpite: Fluminense, porque o outro time é fraco.

São Paulo-BRA vs. Atlético-MG-BRA, o pior segundo colocado da fase de grupos o credenciaria como barbada, certo? Errado. São Paulo é time copeiro, acostumado a decisões, cresce na hora certa e tem nomes experientes em campo, caso de Ceni, Lúcio e Luis Fabiano, que mesclam com excelentes nomes que surgem, caso de Osvaldo, Tolói e Wellington. O Galo, conta com o Maestro, Ronaldinho Gaúcho, que rege o time como poucos fazem. Tem hoje a melhor dupla de zaga do Brasil, e como muitos dizem o futebol mais vistoso.
Palpite: Atlético-MG, que chega até a Final.

terça-feira, 2 de abril de 2013

PSG 2-2 Barcelona – No primeiro ato, melhor para os franceses

Apesar de encarar o poderoso Barcelona, time que faz quase todos os treinadores mudarem suas equipes na busca de achar um modo de deter o time catalão, Carlo Ancelotti não abriu mão do desenho tático que vem utilizando no Paris Saint Germain ao longo da temporada, um 4-4-2 tipicamente britânico, com duas linhas. Em campo, porém, a postura da equipe foi sim, a mesma de todas que vão encarar o rival azul-grená: linhas retraídas, com a segunda bem próxima da primeira, auxiliando no cerco na entrada da sua área.

O Barça, por sua vez, foi mais do mesmo: 4-3-3 alternando para um 3-4-3 de acordo com o avanço de Daniel Alves, ocupação do campo oponente, troca de passes e movimentação, esta comprometida pelas atuações apagadas de Villa e Sanchez, especialmente do camisa 7, facilitando a marcação dos franceses.

PSG-BarçaLinhas encolhidas do 4-4-2 do PSG de Carlo Ancelotti para encarar o poderoso Barcelona.

Com a posse da bola, os donos da casa sabiam bem o que fazer, e levaram perigo ao gol de Valdes após rápida triangulação em que Ibrahimovic achou Pastore, que com belo passe de peito deixou Lavezzi em ótimas condições para marcar, e só não o fez porque Busquets tocou antes na bola e contou com a sorte ao acertar a trave e não fazer o gol contra.

Embora detivesse o costumeiro domínio das ações do jogo, o Barcelona não conseguia passar pelas bem posicionadas linhas de marcação francesas, pecando no último passe e pouco assustando. A exceção foi o perigoso chute de Iniesta, que arriscou por cobertura do bico esquerdo da grande área, mas mandou para fora.

Quando a etapa inicial já caminhava para o seu fim, o ritmo azul caiu e o Barça impôs maior volume de jogo. Até que aos 37, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Daniel Alves na intermediária e dali descolar passe espetacular para Messi bater de primeira e abrir o marcador no Parc des Princes com um golaço. E por pouco o craque argentino não voltou a marcar pouco depois, em sua jogada típica, trazendo da direita até encontrar a brecha para o arremate com a canhota letal, no entanto, o disparo saiu por cima da meta de Sirigu.

Foi o último ato do melhor jogador do mundo no jogo, e provavelmente no confronto, uma vez que uma lesão muscular na perna direita pode afastá-lo dos gramados por até três semanas.

Na volta para a etapa derradeira, com Fabregas na vaga de Messi, o Barcelona sentiu a falta de seu craque e referencia e se acuou. O PSG aproveitou e passou a ocupar mais o campo ofensivo, pressionando e complicando a saída de bola catalã.

Visando reoxigenar seu setor ofensivo e ter maior poder de fogo, Ancelotti trocou Lavezzi e Pastore por Menez e Gameiro (além de Beckham por Verratti), e as mudanças não demoraram ter efeito. Na jogada mortal para a defesa do blaugrana, a bola aérea. Em cobrança de falta da esquerda, Thiago Silva subiu mais que a zaga e testou na trave. No rebote, Ibrahimovic em completo impedimento, completou para as redes e igualou o placar.

A felicidade da torcida da casa, no entanto, durou pouco. Em rápida trama na entrada da área parisiense, Iniesta passou para Fabregas, que com toque de calcanhar deixou Sanchez cara a cara com Sirigu. O chileno tentou passar pelo goleiro, mas acabou derrubado, pênalti. Xavi cobrou com categoria e recolocou o Barça na frente.

Naquela altura, faltando apenas três minutos para o fim do jogo, além dos acréscimos, a vitória e a boa vantagem culé parecia bem encaminhada para a volta no Camp Nou, porém, o valente PSG não desistiu e num último suspiro, chegou ao empate em finalização de Matuidi, contando com falha gritante de Valdes.

A igualdade no primeiro ato deixa o duelo aberto para a segunda decisiva partida. E com a possibilidade de Messi não ir a campo, o confronto fica ainda mais igual. Melhor para o time de Carlo Ancelotti, que não abriu mão de seus conceitos para encarar um rival superior e acabou premiado por sua “ousadia”.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Corinthians 2-2 Palmeiras - A falta e a sobra de vontade


De um lado, o Corinthians, atual campeão sul americano e mundial, com time pronto e entrosado, uma vez que manteve o elenco que conquistou o torneio da FIFA em dezembro, além de ter contratado reforços de peso. Do outro, o Palmeiras, se reajustando do zero após o trágico rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Sem dinheiro para grandes investimentos, o alviverde aposta em contratações de ocasião, negócios baratos a fim de montar um plantel decente para a disputa da segunda divisão nacional.

Nesse cenário, era natural apontar o time do Parque São Jorge como claro favorito a vitória no dérbi paulista desse domingo – que pode ser o único do ano caso as duas equipes não se encontrem em play-off’s de Libertadores, Copa do Brasil e Paulistão.

E a tônica do jogo foi essa, pelo menos em seu início. Corinthians superior, dominando as ações da peleja e pressionando até marcar com Emerson, aproveitando jogada ensaiada em cobrança de falta de Fábio Santos e escorada por Paulo André. Antes do tento que abriu o placar, foram chances claras com Jorge Henrique acertando o travessão e Paulinho cabeceando na rede pelo lado de fora. E mesmo depois, quando Guerrero desperdiçou oportunidade incrível de ampliar ao bater na trave após falha de Fernando Prass.

No entanto, o gol relaxou os alvinegros, que tiraram o pé e viram seu rival crescer na partida. Gilson Kleina acertou o time taticamente, postado numa espécie de 4-2-4-0, com Souza e Wesley alinhados com os atacantes Vinicius e Patrick Vieira, abertos pelos lados. A linha de quatro passou a avançar a marcação, pressionando laterais e volantes corintianos, forçando o adversário a começar o jogo pelos seus zagueiros.

Formações Iniciais: Corinthians no seu já tradicional 4-2-3-1; Palmeiras ajustado num 4-2-4-0, que tinha na linha de quatro do meio sua força, marcando na frente e pressionando a defesa alvinegra.

Resultado: inúmeras bolas quebradas e facilmente recuperadas pelo Palestra. Assim, o jogo equilibrou e o Palmeiras passou a levar perigo à meta de Cássio. Wesley era o mais participativo jogador verde, embora tenha errado em diversas ocasiões, finalizando quando a melhor opção era passar. Quando passou, centro perfeito para a chegada de Vilson, que apareceu como elemento surpresa na área para testar e igualar o marcador.

A segunda etapa começou como terminou a primeira. Palmeiras melhor, igualando a superioridade técnica do adversário na base da vontade, e assim, não demorou a virar o placar. Com apenas oito minutos de jogo, novamente Wesley cruzando, e dessa vez contando com falha incrível de Cássio, que saiu sem achar nada e viu a bola achar a cabeça de Vinicius, que só escorou para o gol vazio.

A exemplo da rodada anterior, quando o Corinthians também havia levado a virada do São Caetano e se lançou ao ataque na busca pelo empate, Tite repetiu a dose e abriu mão de sua defesa. Trocou Alessandro por Romarinho, recuando Jorge Henrique para a lateral direita. Pouco depois, sacou Danilo e Guerrero para as entradas de Renato Augusto e Alexandre Pato, dando maior mobilidade e velocidade ao seu ataque, além de ganhar um fôlego novo para agüentar o ritmo imposto pela equipe alviverde.

Após as mudanças, o time alvinegro voltou a crescer e dominar a partida. Romarinho, carrasco palmeirense nos dois jogos entre os clubes no Brasileirão passado, entrou cheio de confiança. Arriscando, partindo pra cima dos zagueiros e criando chances. Numa delas, bateu forte para boa defesa de Fernando Prass.

Na segunda chance que teve, porém, o camisa 31 não perdoou. Dominou na entrada da área e chapou no canto esquerdo do goleiro palmeirense para empatar novamente o clássico. Destaque da jogada para Alexandre Pato. O atacante recebeu chutão na reposição do goleiro Cássio e dominou com uma categoria ímpar, para tabelar com Paulinho e servir Romarinho.

O time de Tite seguiu pressionando na busca da virada e da vitória. Por pouco não veio na bicicleta espetacular de Paulinho, que passou raspando o poste direito de Prass.

Na preparação para a estréia na Libertadores, o clássico foi o primeiro teste verdadeiro para o time de Tite. E serviu para expor o que já estava evidente mesmo em jogos contra equipes menores. A defesa alvinegra, ponto forte do vitorioso time de 2012, vem sendo o ponto fraco em 2013. Se quiser defender os títulos conquistados, cabe ao treinador corinthiano ajustar sua retaguarda para recuperar a solidez do ano anterior.

Para o Palmeiras, se não dá para considerar o empate uma “vitória”, dá sim para considerar como um excelente resultado. Resultado que prova que dá sim para enfrentar qualquer adversário de igual para igual, desde que se sobreponha na base da aplicação tática, e principalmente, na base da valentia, do suor. Assim o time alviverde conseguiu esse um ponto diante de seu maior rival. Assim o time alviverde conseguiu dar ao seu torcedor um alento de que com alguns ajustes, dá para sonhar com dias melhores.

No fim da partida, Corinthians no mesmo 4-2-3-1, mas agora com maior mobilidade na frente, e Palmeiras entrincheirado num 4-3-2-1.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Real Madrid 1-1 Manchester United – Show de De Gea e vaga indefinida

A intensidade proposta pelo Real Madrid de José Mourinho no começo do duelo contra o Manchester United impressionou. Marcação adiantada, encurralando os visitantes em seu próprio campo e um volume de jogo avassalador.

Diante de um cenário totalmente contrário, contra uma torcida inquieta no Santiago Bernabéu e um adversário qualificado e motivado, Alex Ferguson adotou postura cautelosa, apesar dos de um quarteto de frente passar uma falsa impressão ofensivista.

Wayne Rooney virou assistente de lateral, voltando no combate a Fábio Coentrão e auxiliando o nervoso Rafael no cerco a Cristiano Ronaldo. No lado oposto, o sempre agressivo Evra, ficou plantado junto à linha de quatro defensiva, e também contando com a volta de um homem de frente, hora Welbeck, hora Van Persie, que por diversas vezes caiu pelo lado do campo. Erro crasso do treinador inglês afastando da área adversária o seu mais letal jogador.

Madrid-UnitedMadrid no mesmo 4-2-3-1 de sempre, porém, com marcação adiantada que encurralou o United, que abriu mão de seu 4-4-1-1 para também atuar em 4-2-3-1.

Ao contrário do que possa se imaginar, o time mandante não sentiu o gol sofrido aos 20 da primeira etapa, quando controlava totalmente as ações do jogo e se viu surpreendido por cabeçada certeira de Welbeck em escanteio cobrado por Rooney.

O ímpeto merengue seguiu, e na pressão o time chegou ao gol de empate apenas dez minutos depois do revés, quando pela primeira vez na partida os pontas inverteram o lado, e pelo flanco esquerdo, Di Maria centrou para Cristiano Ronaldo vir da direita, aparecer às costas de Evra e numa subida impressionante testar sem chance para De Gea. Foi o gol de número 183 do craque português em 180 jogos com a camisa branca.

Na volta do intervalo, o time de José Mourinho seguiu a mesma estratégia dos 45 minutos iniciais: pressão no campo de ataque, sufocando os defensores vermelhos. Khedira se adiantou e se juntou à linha de três armadores, saindo assim do 4-2-3-1 para um 4-1-4-1. E foi justamente dos pés do alemão que saiu o mais perigoso lance madridista na segunda etapa, quando o camisa 6 desceu pela direita e cruzou para Coentrão chegar completando do outro lado. Num reflexo absurdo, De Gea utilizou o pé direito para operar um milagre no Bernabéu e evitar a virada merengue.

Quando Ferguson trocou o inoperante Kagawa e o esforçado, porém limitado Welbeck, por Giggs e Valencia, os dois “sangue novos” foram atuar nas beiradas do gramado, e Rooney e Van Persie voltaram às suas funções originais. O camisa 10 como um quinto homem de meio campo, flutuando nas costas dos volantes adversários, e o 20 enfiado entre os zagueiros.

Assim, surgiu a chance de ouro para que os Red Devils levassem para o jogo da volta em Old Trafford um resultado ainda melhor, quando Rooney descolou passe preciso para Van Persie entrar pela direita e soltar um petardo que Diego Lopez desviou para o travessão. Na sequência do lance, o holandês recebeu novamente sozinho, dessa vez no meio da área e pressionado por Diego Lopez, bateu mascado na bola. Ainda assim, ela encobriu o goleiro e só não entrou porque Xabi Alonso apareceu para salvar em cima da linha.

Diante de um De Gea inspirado, o Real seguiu sufocando, mas não conseguiu alterar o marcador, mesmo com 28 arremates contra o gol vermelho, sendo 14 na direção da meta – do outro lado, foram 13 finalizações inglesas, sendo nove no alvo.

Diante das circunstâncias encontradas em gramados espanhóis, o empate com gol fora de casa acaba sendo um resultado excepcional para os Diabos Vermelhos, que agora precisam apenas de um empate sem gols para avançar na principal competição de clubes do planeta, o que gera um dilema a Sir Alex Ferguson para o duelo da volta: sair pro jogo tentando definir o confronto e se expor aos mortais contragolpes merengues, ou, se trancar e contar com nova jornada impecável de De Gea para tentar garantir o zero no placar?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cronologia tática da “Era Mano”

No inicio da tarde de sexta-feira, 23 de novembro, em reunião na sede da Federação Paulista de Futebol, foi decidida, de maneira surpreendente, a demissão do treinador da Seleção Brasileira, Mano Menezes.

Mano já superou momentos ruins na seleção, por isso sua saída agora soa surpresa. Sua primeira crise veio logo após a queda nas quartas de finais da Copa América, em 2011, e o técnico resistiu.

O time seguiu instável, jogando um futebol bem burocrático, longe do jogo encantador que muitos esperavam, e sem vencer um adversário de peso. Vieram os Jogos Olímpicos, o time seguiu jogando pouco e acabou derrotado na final perante a seleção mexicana. Ali, me parecia o momento ideal para a troca do comando técnico e tinha toda pinta de que ia mesmo acontecer. Não aconteceu.

O treinador seguiu, mudou o estilo de sua seleção, mudou a maneira de jogar e o time chegou a apresentar um futebol vistoso, ainda que contra adversários sem tanto porte. E ironicamente, no momento em que Mano parecia encontrar um rumo para o selecionado canarinho, vem o anuncio da sua queda.

Para relembrar um pouco de como foi a passagem de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira, listamos abaixo alguns jogos importantes no período em que o treinador dirigiu o scratch.

Brasil 2-0 EUA

Jogo de estréia do treinador, em 10 de agosto de 2010. Após uma Copa do Mundo mixuruca, uma belíssima apresentação contra uma seleção razoável, dava a impressão de que Mano sabia bem o que estava fazendo e que tinha totais condições de ressuscitar o “futebol arte” brasileiro, característica sempre marcante na nossa seleção. Neymar e Pato marcaram, Ganso desfilou um futebol de primeiríssima qualidade, Robinho, Ramires e Dani Alves formavam uma base tarimbada da derrota no Mundial. Enfim, a primeira impressão, foi a melhor possível.

20121123164307A estréia: Time solto e ofensivo. Num 4-2-3-1 com o trio Neymar, Ganso e Robinho na criação, mais Alexandre Pato na referencia.

Brasil 0 (0)-(2) 0 Paraguai

Jogo que marcou a eliminação da Seleção na Copa América. Ironicamente, a melhor apresentação do time de Mano Menezes na competição, porém, faltou poder de fogo para decidir a parada durante os 120 minutos de bola rolando. Nas penalidades, um show de horrores com direito a quatro cobranças desperdiçadas e uma derrota pífia por dois a zero para os paraguaios.

20121123195617Contra o Paraguai, o mesmo sistema tático e o mesmo trio de armadores, mais alguns nomes vindos da Copa do Mundo, como Julio Cesar, Maicon e Lucio. Boa apresentação, que pecou no poder de fogo.

Brasil 1-2 México

Decisão dos Jogos Olímpicos. O México, nunca foi o adversário mais temido, e na ocasião, sem poder contar com seu melhor jogador, Giovanni dos Santos, dava toda pinta de que a tão sonhada medalha de ouro viria. Ledo engano. O erro de Rafael que gerou o primeiro gol mexicano logo no inicio do cotejo, jogou por terra todo o plano de jogo da seleção. Nervoso, o time pouco criou e tomou o tiro de misericórdia na segunda etapa. Depois até diminuiu, mas não conseguiu chegar ao empate e ficou somente com a prata.

20121123201100Nas Olimpiadas, Mano saiu do 4-2-3-1 costumeiro e reinventou a equipe num 4-4-1-1 em linha, com Oscar vindo da direita pra dentro e Neymar encostando em Damião.

Brasil 4-0 Japão

Apresentação de gala. Mano alterou seu time, sacou o homem de referencia do ataque e passou a jogar sem centroavante, apostando na mobilidade e talento do quarteto Neymar, Kaká, Oscar e Hulk. Funcionou! O time apresentou um belo futebol e envolveu a seleção japonesa, que se não é lá uma grande potencia, também está longe de ser uma baba. Parecia que, enfim, Mano encontrava um time ideal e mirava um norte para a seleção.

20121123201634Para esse que vos escreve, o time da melhor apresentação da “era Mano”. 4-2-3-1, sem um centroavante de oficio, mas com muita mobilidade na frente e sempre alguém na área, mais volantes que sabem sair pro jogo.

Brasil 1 (4)-(3) 2 Argentina

O jogo de despedida de Mano foi uma derrota diante da Argentina com a bola rolando, mas com a vitória nas penalidades e o título do tal Superclássico das Américas. Contando apenas com jogadores que atuam no país, o treinador não tinha tantas opções, mas podia ter feito melhor, apostado mais, arriscado mais e não ter jogado com o regulamento embaixo do braço para ganhar um título de valor quase nulo.

20121123202026A despedida, num 4-3-1-2 com Paulinho e Arouca saindo pro jogo enquanto Ralf dava suporte para a linha defensiva.

Três nomes despontam como favoritos para assumirem o comando da Seleção. Tite, no melhor momento da carreira e melhor momento dentre os três cotados. Felipão, sem clube após a saída do cambaleante Palmeiras, e Muricy, que por pouco não assumiu antes de Mano e que é o grande favorito. Não me agrada, mas é vencedor, tem um curriculo invejavel e pega um trabalho em construção e principalmente, em evolução. Qualquer um que vier a assumir, terá boa herança para trabalhar.