Jogo decisivo, valendo
simplesmente vaga na decisão do maior torneio interclubes do planeta, entre equipes
pragmáticas, de estilos que se assemelham, preferindo jogar sem a posse da bola
e a obrigação de propor o jogo, muito mais voltadas a se defender e explorar
saídas rápidas em contragolpes quase sempre letais. Assim estava desenhado o
confronto semifinal entre Atlético de Madrid e Chelsea.
Diante de tal cenário, era evidente
que teríamos um duelo amarrado, com poucos espaços cedidos para qualquer um dos
lados e chances de gol praticamente escassas. Pois foi exatamente o que se viu
no Vicente Calderón na primeira perna do cotejo.
![]() |
Formações iniciais: O 4-1-4-1 compacto do Chelsea que negou espaços ao 4-4-1-1 colchonero, e se defendeu como nunca, deixando Torres completamente sozinho no comando do ataque. |
José Mourinho colocou em campo um
Chelsea unicamente voltado à defesa, com um meio campo composto por quatro
volantes mais um meia aberto distribuídos em um 4-1-4-1. Obi Mikel fazia a
cabeça da área, com David Luiz e Lampard a sua frente, enquanto Ramires e
Willian faziam as beiradas da segunda linha de quatro, com a missão de cercar
os laterais colchoneros, deixando apenas Fernando Torres isolado no comando de
ataque.
A intenção era clara, deixar com
que o Atlético ficasse com a bola e propusesse o jogo, se defender com o “ônibus
estacionado” em frente a sua área e jogar por uma bola “vadia”. Seja num contra-ataque
ou lance parado.
O time de Simeone, que se sente
bem mais a vontade sem a bola, teve que trabalhar com a posse da pelota para
tentar furar a retranca dos visitantes. E com o domínio do jogo, o time deixou
clara a falta de idéias quando nesse tipo de situação, abusando das bolas
alçadas na área. Foram 44 cruzamentos no total, e em nenhuma delas uma grande ameaça
a meta azul, defendida por Cech até os 18 minutos da etapa inicial, quando
justamente num cruzamento, o goleiro tcheco trombou com Raul Garcia e levou a
pior, dando lugar a Schwarzer.
Na etapa final, com Arda Turan no
lugar de Diego Ribas, a produtividade da equipe da casa até cresceu, embora
ainda insuficiente para assustar o gol de Schwarzer, que só teve que trabalhar
de fato em uma cobrança de falta de Gabi que passou pelo meio da barreira e o
arqueiro australiano teve que voar para dar um tapa e evitar que a bola
entrasse no cantinho esquerdo.
Se o empate sem gols em campo
colchonero dá ao Chelsea a condição de jogar por uma vitória simples em
Stamford Bridge, por outro lado, expõe o time azul ao risco do gol qualificado.
Para o Atleti, foi o melhor resultado entre os resultados ruins, uma vez que o
time espanhol joga por qualquer empate com gols na Inglaterra.
E que jogará à sua maneira, sem a
posse da bola e a obrigação de propor o jogo, que dessa vez estará do outro
lado, consequentemente gerando mais espaços para os contragolpes. A expectativa
é de um jogo tão equilibrado em Londres quanto foi o de Madrid, com raras
oportunidades de lado a lado, mas pelo menos com requintes de emoção ao
extremo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário