Tudo que era esperado se
confirmou quando a bola rolou no Santiago Bernabeu no último domingo. Um jogaço
espetacular entre duas das maiores equipes do planeta. Sete gols, viradas no
placar, belos lances, times atacando sem pensar no amanhã deixando suas defesas
expostas, erros de arbitragem, enfim, todos os ingredientes que transformam
aqueles 90 minutos em algo que dificilmente sairá da sua memória. E da de
qualquer um que goste de bom futebol.
Claro que uma partida assim não
poderia passar em branco, sem um texto sequer tratando daquele que já pode ser
considerado um dos melhores jogos do ano. E pelo “atraso” na postagem, hoje
provavelmente você já leu tudo (ou quase tudo) sobre o clássico espanhol. Por
isso, tentaremos aqui fugir do lugar comum e destacar cinco pontos determinantes
na vitória do Barcelona que embolou de vez a liga espanhola.
1. VARIAÇÃO
TÁTICA DAS EQUIPES: Aparentemente, tudo normal, com as duas equipes
inicialmente postadas em seus “sistemas padrão”, o 4-3-3. Porém, bastou a bola
rolar para os jogadores em campo se distribuírem de maneira diferente. No
Barcelona, Xavi recuava e praticamente formava uma dupla de volantes com
Busquets, enquanto Fabregas centralizava um pouco mais a frente, na mesma linha
dos pontas Neymar e Iniesta, fazendo quase um 4-2-3-1, deixando Messi no
comando. Enquanto no Real Madrid, Cristiano Ronaldo saía da ponta esquerda e
procurava o centro do ataque, deixando o lado para Di Maria que abria como um
winger por ali, enquanto Bale fazia o mesmo do lado oposto, formando duas
linhas de quatro.
3. DI
MARIA: Se o espaço de Messi foi crucial para o Barcelona e para o
resultado final do jogo, Di Maria foi a principal arma madridista. O argentino,
como já fora dito, procurava o flanco esquerdo e era letal naquele setor. Sem o
apoio de Neymar no combate, Daniel Alves invariavelmente ficava no mano a mano
contra o camisa 22 merengue ou por vezes, até no um contra dois, quando Marcelo
descia pro apoio. E assim, o lateral blaugrana foi presa fácil. Por ali, Di
Maria criou as jogadas e assistiu para os dois primeiros gols, ambos anotados
por Benzema. E poderia ter saído mais, já que em outros três lances também
criados pelo argentino, Benzema teve chances claras de anotar seu hat-trick.
Uma delas, o francês isolou por cima, testou outra à esquerda da meta de Valdes
e viu Pique salvar a mais clara em cima da linha.
4. ASTROS
APAGADOS: Dentre os 22 jogadores em campo, quatro tinham atenção
especial: Messi e Neymar do lado blaugrana, Cristiano Ronaldo e Bale no lado
branco. Dos quatro, apenas Messi teve atuação digna do craque que é. Seu
companheiro Neymar, novamente gerou contragolpes ao adversário sendo desarmado
facilmente, desperdiçou algumas chances claras de marcar e acabou participando
no lance decisivo, sofrendo o pênalti de Sergio Ramos. Do outro lado, Bale foi
muito discreto, participando muito pouco da partida, e Cristiano Ronaldo esteve
longe das atuações que o levaram ao posto de melhor do mundo. Incrivelmente
apagado, pouco fez no jogo e apareceu somente lance do terceiro gol, sofrendo e
convertendo a penalidade.
5. ARBITRAGEM:
Infelizmente, os erros do árbitro Alberto Undiano Malenco renderam
muito mais assunto do que o jogaço em campo. Começou com a penalidade cometida
por Daniel Alves sobre Cristiano Ronaldo. Muitos acharam que nem falta foi, mas
houve sim o toque do brasileiro no português, mas fora da área. O fato é que o
apitador apontou a marca da cal e o camisa 7 converteu com a precisão que lhe é
peculiar. Pouco depois, o erro mais grave e mais determinante para o resultado
final. Neymar partiu em posição de impedimento para receber lançamento de Messi
e sair de frente com o goleiro Diego Lopez – Impedimento por centímetros,
talvez milímetros, mas, impedimento – e cai em disputa com Sergio Ramos. Na
velocidade do lance, o toque é imperceptível, e pelo menos esse que escreve, só
viu de fato o contato numa imagem congelada. Se foi o suficiente para derrubar
o brasileiro ou não, difícil saber, pela velocidade em que estava o camisa 11 e
também pelo seu péssimo hábito de simular. Mas o fato é que há um toque, e
Undiano Malenco não teve duvidas. Apontou a penalidade, e de quebra, expulsou o
zagueiro madridista. Expulsão correta, diga-se, partindo da premissa que o
árbitro interpretou o lance como faltoso e o beque usou da falta para impedir
uma chance clara e manifesta de gol. Messi cobrou e empatou, assim como mais
tarde cobrou e converteu outra penalidade, essa sofrida por Iniesta em tranco
de Xabi Alonso. Esse último, incontestável.
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Na imagem congelada, fica claro o toque na perna esquerda. Na velocidade do lance, quase impossível ser visto. |
A derrota diante do Barcelona tira a liderança
do campeonato do Real Madrid, que agora vê seu rival local Atlético na ponta,
com o mesmo número de pontos dos merengues, mas com vantagem no confronto
direto, primeiro critério de desempate. Enquanto o Barcelona que parecia sem
forças e distante da briga, volta a ter muitas chances de título, agora que
está a apenas um ponto dos líderes da capital. Briga acirrada na mais
sensacional e imprevisível Liga dos últimos tempos. A única coisa que dá pra
afirmar é que a taça estará em boas mãos com qualquer um dos três.
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