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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Real Madrid 1-1 Manchester United – Show de De Gea e vaga indefinida

A intensidade proposta pelo Real Madrid de José Mourinho no começo do duelo contra o Manchester United impressionou. Marcação adiantada, encurralando os visitantes em seu próprio campo e um volume de jogo avassalador.

Diante de um cenário totalmente contrário, contra uma torcida inquieta no Santiago Bernabéu e um adversário qualificado e motivado, Alex Ferguson adotou postura cautelosa, apesar dos de um quarteto de frente passar uma falsa impressão ofensivista.

Wayne Rooney virou assistente de lateral, voltando no combate a Fábio Coentrão e auxiliando o nervoso Rafael no cerco a Cristiano Ronaldo. No lado oposto, o sempre agressivo Evra, ficou plantado junto à linha de quatro defensiva, e também contando com a volta de um homem de frente, hora Welbeck, hora Van Persie, que por diversas vezes caiu pelo lado do campo. Erro crasso do treinador inglês afastando da área adversária o seu mais letal jogador.

Madrid-UnitedMadrid no mesmo 4-2-3-1 de sempre, porém, com marcação adiantada que encurralou o United, que abriu mão de seu 4-4-1-1 para também atuar em 4-2-3-1.

Ao contrário do que possa se imaginar, o time mandante não sentiu o gol sofrido aos 20 da primeira etapa, quando controlava totalmente as ações do jogo e se viu surpreendido por cabeçada certeira de Welbeck em escanteio cobrado por Rooney.

O ímpeto merengue seguiu, e na pressão o time chegou ao gol de empate apenas dez minutos depois do revés, quando pela primeira vez na partida os pontas inverteram o lado, e pelo flanco esquerdo, Di Maria centrou para Cristiano Ronaldo vir da direita, aparecer às costas de Evra e numa subida impressionante testar sem chance para De Gea. Foi o gol de número 183 do craque português em 180 jogos com a camisa branca.

Na volta do intervalo, o time de José Mourinho seguiu a mesma estratégia dos 45 minutos iniciais: pressão no campo de ataque, sufocando os defensores vermelhos. Khedira se adiantou e se juntou à linha de três armadores, saindo assim do 4-2-3-1 para um 4-1-4-1. E foi justamente dos pés do alemão que saiu o mais perigoso lance madridista na segunda etapa, quando o camisa 6 desceu pela direita e cruzou para Coentrão chegar completando do outro lado. Num reflexo absurdo, De Gea utilizou o pé direito para operar um milagre no Bernabéu e evitar a virada merengue.

Quando Ferguson trocou o inoperante Kagawa e o esforçado, porém limitado Welbeck, por Giggs e Valencia, os dois “sangue novos” foram atuar nas beiradas do gramado, e Rooney e Van Persie voltaram às suas funções originais. O camisa 10 como um quinto homem de meio campo, flutuando nas costas dos volantes adversários, e o 20 enfiado entre os zagueiros.

Assim, surgiu a chance de ouro para que os Red Devils levassem para o jogo da volta em Old Trafford um resultado ainda melhor, quando Rooney descolou passe preciso para Van Persie entrar pela direita e soltar um petardo que Diego Lopez desviou para o travessão. Na sequência do lance, o holandês recebeu novamente sozinho, dessa vez no meio da área e pressionado por Diego Lopez, bateu mascado na bola. Ainda assim, ela encobriu o goleiro e só não entrou porque Xabi Alonso apareceu para salvar em cima da linha.

Diante de um De Gea inspirado, o Real seguiu sufocando, mas não conseguiu alterar o marcador, mesmo com 28 arremates contra o gol vermelho, sendo 14 na direção da meta – do outro lado, foram 13 finalizações inglesas, sendo nove no alvo.

Diante das circunstâncias encontradas em gramados espanhóis, o empate com gol fora de casa acaba sendo um resultado excepcional para os Diabos Vermelhos, que agora precisam apenas de um empate sem gols para avançar na principal competição de clubes do planeta, o que gera um dilema a Sir Alex Ferguson para o duelo da volta: sair pro jogo tentando definir o confronto e se expor aos mortais contragolpes merengues, ou, se trancar e contar com nova jornada impecável de De Gea para tentar garantir o zero no placar?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

AS ESTRÉIAS DE REAL MADRID E BARCELONA NA CHAMPIONS LEAGUE

Enfim, a bola rolou para o maior interclubes do planeta, a UEFA Champions League. E o que chamou a atenção foram as estréias dos dois gigantes espanhóis, Real Madrid e Barcelona, apontados por quase todos como grandes favoritos à conquista continental, mas que passaram por grandes dificuldades em seus debutes no torneio.

Abaixo, analise das partidas e como José Mourinho e Tito Vilanova precisaram mexer para buscarem as viradas e garantirem as vitórias de seus times.

No Santiago Bernabéu...

...Existia a expectativa pelo melhor jogo da primeira fase da competição, entre duas equipes que provavelmente irão longe. E, de fato, o que vimos no estádio merengue, foi um jogão.

José Mourinho surpreendeu em sua escalação inicial, barrando Sergio Ramos para a entrada de Varane no miolo de zaga e lançando Essien na vaga de Ozil na meia cancha, deixando de lado o 4-2-3-1 de sempre para atuar em um legitimo 4-3-3. Roberto Mancini não deixou por menos, e escalou o jovem Nastasic na zaga, deixando o experiente Lescott no banco.

Madrid - City 01Formações Iniciais: Com a entrada de Essien, Madrid abre mão do 4-2-3-1 habitual e atua num 4-3-3, adiantado, que encurrala as retraídas linhas citizens.

Logo de inicio, o Real fez valer o fator casa, tomou as rédeas da partida e só não abriu o placar antes dos dez minutos de peleja graças a dois milagres de Joe Hart em conclusões de Cristiano Ronaldo. Pelo lado direito, Di Maria fazia um jogo intenso, infernizando o lateral Gael Clichy, que não encontrava o ponta argentino.

Quando Samir Nasri se lesionou no fim da etapa inicial, Mancini viu a oportunidade de ouro para reforçar sua retaguarda, trocando o francês por Kolarov, que foi atuar no lado esquerdo, dobrando a marcação em cima de Di Maria e tentando assim conter o ímpeto madridista, que terminou o primeiro tempo com 74% de posse de bola e incontáveis arremates à meta inglesa.

Na volta do intervalo, com uma postura ainda mais fechada, em uma espécie de 3-5-1-1, o City conseguiu acertar seu sistema defensivo, e apesar do controle de bola merengue, sofria poucos sustos. Bem postado, o time britânico dava toda pinta de que precisava de uma bola para ganhar o jogo. E ela apareceu aos 25’, quando Yayá Touré arrancou de seu campo de defesa em contragolpe e passou para Dzeko, que acabara de entrar, tocar na saída de Casillas e abrir o placar.

O treinador merengue, que a esta altura já havia trocado Essien por Ozil, fez outras duas mudanças e lançou o time de vez ao ataque, sacando Khedira e Higuain para as entradas de Modric e Benzema, ganhando maior criatividade no meio com o croata e mobilidade na referência com o francês. Não demorou e as mudanças fizeram efeito, quando Di Maria achou Marcelo completamente livre na entrada da área, o brasileiro cortou, bateu de direita de fora da área e contou com leve desvio em Javi Garcia para bater o goleiro Joe Hart e empatar a peleja.

Madrid - City 02Na etapa final, buscando a virada, José Mourinho se lançou de vez ao ataque com Modric e Ozil no meio. City ainda mais recuado, numa espécie de 3-5-1-1.

Quando o relógio já marcava 40 da etapa final, Kolarov cobrou falta despretensiosa da intermediaria e viu a bola fraca ir morrer direto no fundo das redes, recolocando o City na frente. Mal deu tempo de comemorar, pois não demorou e o Real Madrid empatou novamente, com Benzema, que recebeu de Di Maria na entrada da área, girou fácil pra cima do novato Nastasic e bateu no cantinho de Hart.

Apesar de o empate ainda estar de bom tamanho para os visitantes, em função da grandeza do adversário e do domínio que sofreu, o gol de empate apenas dois minutos depois de fazer dois a um foi um duro golpe. E assim, no embalo da torcida e na base do abafa, o time da casa ainda chegou ao tento da vitória, com Cristiano Ronaldo, que já havia tentado outras nove vezes e em algumas parou em Hart, dessa vez contou com falha do goleiro inglês para virar o marcador a exatos 45 do segundo tempo e assegurar os primeiros três pontos ao Madrid.

Sem dúvidas, um belo cartão de visitas do time de José Mourinho, numa demonstração de força e garra impressionantes. O treinador, por sinal, acabou como o destaque do jogo, não por sua escalação ou suas mexidas, mas pela comemoração épica no gol de seu compatriota que deu números finais a partida.

No Camp Nou...

...Se imaginava uma estréia bem mais tranqüila ao Barcelona, e quem sabe, até uma goleada com direito a novo espetáculo proporcionado pelo time catalão.

Não foi o que aconteceu. Com uma postura tática perfeita, o Spartak plantou suas linhas defensivas dentro de seu campo, congestionando a entrada de sua área e impedindo as penetrações culés. Rafael Carioca, o cabeça-de-área no 4-1-4-1 de Unai Emery, recuava, se juntando aos zagueiros e formando uma primeira linha de cinco homens, com uma de quatro logo à frente, que assistia e cercava a troca de passes do Barça, que não conseguia incomodar a meta de Dykan.

Barça-Spartak 01Barça no 4-3-3 de sempre, com Messi na referência. Spartak num 4-1-4-1, que variava pra um 5-4-1 com o recuo de Rafael Carioca.

Isso até aparecer a jogada individual do melhor jogador da partida, o jovem Cristian Tello. Enquanto Xavi, Fabregas e até mesmo Messi estavam apagados, o camisa 37 recebeu na ponta esquerda, cortou pra dentro e acertou um belíssimo chute para abrir o placar em favor dos donos da casa.

O gol não fez mudar o modo como o Spartak se postava. Continuou com suas linhas retraídas, apostando na velocidade de seus jogadores ofensivos para num contragolpe empatar. Foi o que aconteceu, quando McGeady descolou lançamento para Emenike pela direita, o nigeriano foi até a linha de fundo e cruzou rasante para a área. A bola ia passando, até Daniel Alves tentar cortar e tocar pro fundo do próprio gol.

A etapa final seguiu no mesmo ritmo da inicial. Barça controlando a posse, até tentando o segundo gol, mas esbarrando na solidez russa. Quando conseguiu furar a defesa vermelha, Daniel Alves até marcou, mas a arbitragem pegou correto impedimento.

Até que aos 14’, o que já era drama para os mais de 90 mil presentes, virou pesadelo. Após cobrança de escanteio do Barcelona, a defesa tirou a bola que foi parar nos pés de Ari, que saiu em velocidade e passou para McGeady. O irlandês acionou Rômulo entrando pela direita, o brasileiro fintou Adriano e tocou na saída de Valdes para virar o jogo.

Perdendo em casa logo em sua estréia pela Champions League, Tito Vilanova partiu para o tudo ou nada pra cima dos russos. Trocou Daniel Alves por Alexis Sanchez, reconfigurou o time num 3-4-3 ultra-ofensivo e foi pra pressão.

Barça 02Nos minutos finais, ataque total para buscar a virada. Um 3-4-3, com Messi jogando atrás do pivô, mas aparecendo para concluir como centroavante nos dois gols que definiram a partida.

Foi aí que dois jogadores apareceram para decidir em favor dos blaugranas. O primeiro foi Tello, de novo. Após cruzamento errado de Pedro que atravessou toda a área, o jovem recuperou a bola no lado esquerdo, entortou McGeady e rolou para Messi – que vinha mal no jogo até então – concluir para o gol vazio.

O sufoco barcelonista continuou até o gol da virada, que saiu da maneira menos Barcelona possível, numa seqüência de bolas alçadas na área. Primeiro foi Villa (que entrara minutos antes no lugar de Tello) quem cruzou, a bola foi parar nos pés de Pedro na direita, novo levantamento, que dessa vez veio parar com Alexis do lado oposto, de onde saiu nova elevação na área, para enfim, encontrar a cabeça de Messi, que como um legítimo camisa 9, se antecipou ao zagueiro, testou para a rede e virou o jogo.

A virada a dez minutos do fim sucumbiu o time do Spartak, que não demonstrou mais nenhuma força para reagir e tentar a nova igualdade e o placar seguiu inalterado até o apito final.

Mesmo em noite pouco inspirada, é Messi quem aparece para resolver no Barcelona. Artilheiro das últimas quatro edições de Champions League, agora o argentino já soma 53 gols na competição e é o quarto maior artilheiro de todos os tempos, atrás apenas de Raúl (71 tentos), Van Nistelrooy (60) e Shevchenko (59).

terça-feira, 26 de abril de 2011

Prévia - Real Madrid x Barcelona

Após o primeiro par de embates válidos pela Liga Espanhola e pela Copa do Rey, Real Madrid e Barcelona se preparam para mais dois jogos espetaculares e de maior valor, pela UEFA Champions League.madrid-barcelona

Mesmo com a ligeira desvantagem por decidir longe de casa, o time da capital vai psicologicamente mais forte após levar a melhor nos confrontos caseiros, ao garantir o empate mesmo com um jogador a menos no Bernabéu pela Liga, e em seguida assegurar a taça da Copa, batendo o rival pela contagem mínima.

Os desfalques de Ricardo Carvalho por suspensão e Khedira por lesão, forçarão José Mourinho a mexer na equipe que conseguiu parar os catalães. Assim como na decisão copeira, Sergio Ramos deverá ser mantido na zaga central, provavelmente, com Albiol ao seu lado substituindo o defensor português.

Outra opção para Mourinho é recuar Pepe de volta à zaga, mas com as ótimas atuações do camisa 3 nos outros dois jogos, travando o meio blaugrana, dificilmente essa será a alternativa utilizada pelo treinador. Já para a vaga de Khedira (que pode não mais voltar na atual temporada), o escolhido deverá ser Lass Diarra, mantendo assim os três volantes no cerco individual ao trio Messi, Xavi e Iniesta.

Do outro lado, Pep Guardiola também sofre com a condição física de seus comandados nessa reta final de temporada, e mesmo com três laterais esquerdos no elenco, terá que improvisar no setor diante do rival merengue. O mais provável é que Puyol, recém recuperado de lesão e em forma física suspeita, atue pela lateral, enquanto Mascherano irá compor a dupla de zaga ao lado de Piqué – ou até mesmo o contrário, com o argentino na lateral e o espanhol na zaga.

Mais uma baixa para Pep é a ausência de Andres Iniesta. O craque sentiu contratura muscular e não jogará no Santiago Bernabéu. Assim, Keita, que também poderia ser uma opção para a lateral esquerda, deverá preencher o meio campo. Sem Iniesta, o meio blaugrana perde em criatividade e entrosamento, no entanto ganha na força física do malinês, além de sua estatura para colaborar contra as sempre perigosas bolas paradas madridistas, um dos principais trunfos dos campeões da Copa do Rey.

Madrid - Barça_POSICIONAMENTO 1 previa ucl Prévia das formações: Zagas remendadas e a grande ausência de Iniesta podem ser preponderantes no resultado.

Independente da formação das equipes fica a certeza e a expectativa por mais um jogão. Muito amarrado, estudado, sem muitos gols, sem muitas chances, mas recheado de tensão e emoção até o último dos 180 minutos de futebol que definirá um dos finalistas do mais importante torneio interclubes do planeta. A conferir.

A quem interessar, recomendo alguns outros textos prévios do jogão.

Fidelidade ao Estilo ou à vitória? O Dilema de Guardiola – Por André Rocha.

Vez das Peças Pretas – Por Ubiratan Leal

quarta-feira, 13 de abril de 2011

500x Mourinho

Tudo começou em 23 de setembro de 2000, quando defendendo o Benfica, José Mourinho fez sua estréia como treinador profissional, contra o Boavista – que viria a se sagrar campeão português em 2000/2001 – no Estádio do Bessa e saiu derrotado por um a zero, gol do brasileiro Duda. Ali, poucos imaginavam que o técnico viria a se tornar um fenômeno, o Special One.Mourinho

Hoje, em White Hart Lane, onze anos depois, o luso completou seu jogo de número 500, com um aproveitamento impressionante e diversas taças ao longo de sua vitoriosa carreira. São dezessete títulos obtidos, sendo seis títulos conquistados no FC Porto onde se destaca a Taça Uefa e a Champions League, outros seis títulos no Chelsea, entre os quais dois campeonatos ingleses e ainda cinco títulos ao serviço da Inter, onde conseguiu o "triplete" na temporada passada, levantando sua segunda Champions League.

Nesses 500 cotejos em que esteve no banco de reservas comandando suas equipes (foram seis: Benfica, União de Leiria, FC Porto, Chelsea, Internazionale e Real Madrid), seus números são impressionantes. Foram 335 vitórias, 104 empates e apenas 61 derrotas, um aproveitamento de 82% - em pontos, foram 1.347 disputados e 1.106 conquistados. Para homenagear o vitorioso treinador, esse que escreve destaca três importantes jogos ao longo da carreira mais que “Especial” do português.

1. Monaco 0x3 Porto – O Nascimento de um Mito

Monaco 0x3 Porto Formações iniciais: Com Giuly em campo, Monaco em 4-3-2-1 e Porto bem postado em 4-3-1-2. Foi o cartão de visitas de Mourinho.

Após eliminarem gigantes como Real Madrid e Manchester United, Monaco e Porto fizeram uma final surpreendente na UEFA Champions League de 2003/2004, em Gelsenkirchen.

A cautela de ambas as partes prevaleceu no começo da partida, com o jogo preso na meia cancha, e o Monaco assustava quando abria o jogo pelas beiradas, com Rothen ou Giuly, meias abertos no 4-3-2-1 francês.

No entanto, um duro golpe no time de Deschamps aos 22 minutos mudou todo o rumo do cotejo: Giuly, capitão e melhor jogador da equipe sentiu lesão e deixou o campo para a entrada do croata Dado Prso. Assim, a equipe francesa se configurou em um 4-3-1-2, com Rothen saindo da ponta e centralizando mais suas ações e caiu de rendimento, assim como toda equipe, que via o Porto crescer na partida com inteligência, sabendo esperar o momento certo de atacar. Até que por volta dos 40 minutos da etapa inicial, Paulo Ferreira fez boa jogada pela direita e levantou na área para Carlos Alberto tentar duas vezes antes de empurrar para as redes e abrir o marcador.

Na segunda etapa, em desvantagem, o time alvirrubro partiu em busca do empate, mas esbarrava na sua própria desorganização tática e encontrava dificuldades para passar pela boa marcação dos Dragões, que buscavam por um contragolpe certo para matar o jogo. Saiu aos 26 minutos, quando Derlei escapou em velocidade pela esquerda, foi até a linha de fundo e rolou para Deco tocar com categoria no contrapé do goleiro e anotar o segundo. Não demorou para sair o terceiro, apenas quatro minutos depois, novamente dos pés de Derlei, que dessa vez serviu para o russo Alenichev fazer o terceiro e definir o placar.

Ali, o mundo conhecia José Mourinho. O homem que levou o limitado, porém esforçado time do Porto a conquista do mais importante torneio interclubes do planeta.

2. Internazionale 3x1 Barcelona – O Melhor

Inter 3x1 Barça Marcação, fibra e suor: A receita para a melhor partida da carreira de Mourinho.

Com um show tático de Mourinho, a Inter conseguiu desbancar o favorito Barcelona no Giuseppe Meazza e assegurar boa vantagem para o jogo da volta, onde perdeu por um a zero e ficou com a vaga na final da Liga dos Campeões.

Marcando com pressão a saída de bola blaugrana, a Inter começou melhor, impedindo as tramas ofensivas dos catalães com Thiago Motta e Cambiasso anulando o melhor do mundo Messi na intermediaria, Sneijder acompanhando Xavi e Pandev travando as subidas perigosas de Daniel Alves. Ainda assim, bastou um vacilo para que o entrosado e letal time de Guardiola abrisse o marcador, após falha de Lúcio e Maicon, que Maxwell aproveitou para ir na linha de fundo e cruzar para Pedro completar para as redes.

Com a vantagem no marcador, o Barça passou a ditar o ritmo do jogo, bem ao seu estilo, mantendo a posse da bola. Porém, oferecia o contra ataque ao veloz time de “Mou”, e foi assim que os nerazurri chegaram à igualdade, quando Eto’o lançou para Milito, que carregou a marcação e abriu um buraco na área do Barcelona, onde ele rolou para Sneijder chegar batendo e empatar ainda na primeira etapa.

Mal havia começado a segunda etapa e veio a virada, novamente dos pés de Diego Milito, o homem do jogo, que viu Maicon invadindo a área e rolou para o lateral brasileiro encher o pé, sem chances para Valdés.

Após o gol, o Barcelona acordou novamente no jogo e passou a levar perigo, mas parava na ótima fase de Julio César, que fez defesas importantes em finalizações de Messi e Busquets. A resposta da Inter foi novamente com bola na rede, aos 16 minutos, quando Eto’o levantou na área e agora foi a vez de Sneijder servir Milito, que em condição irregular, fez o terceiro e pôs números finais no marcador.

Uma vitória soberba de uma equipe que sobrou em termos de dedicação e organização. Considerada pelo próprio “Special” como a melhor de sua carreira e que alavancou o time interista rumo à conquista continental que não vinha há 45 anos.

3. Barcelona 5x0 Real Madrid – O Pior

Barça - Madrid O erro de Mourinho: inverter Di Maria e Cristiano Ronaldo.

Se o próprio Mourinho considera uma partida contra o Barcelona como a melhor de sua carreira, ainda pela Internazionale, o pior capítulo dessa história também se passa contra o mesmo Barcelona, quando a atual equipe do Special, o Real Madrid, caiu com um sonoro 5 a 0 perante o rival catalão.

Na formação, um erro de Mourinho na distribuição de suas peças, ao inverter Cristiano Ronaldo e Di Maria de lado, passando o português para o flanco direito, quando esse poderia atuar pela esquerda, onde está habituado e aproveitar os espaços às costas do ofensivo Daniel Alves. Outro erro foi o time branco atuar tentando fazer linha de impedimento contra um rival de tamanha qualidade com a bola nos pés.

Apesar das falhas, não havia muito o que fazer diante de um time que apresentou um futebol de gala, fez um resultado até com certa facilidade, sem sofrer grandes riscos e aplicou uma goleada que jamais será esquecida nem pelo torcedor merengue, nem pelo treinador. (Para ler a analise completa do jogo, clique AQUI).

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tem jogo da volta

O tabu continua, mas o empate com um gol para cada lado deve ser comemorado pelo torcedor merengue por fatores como o gol fora de casa, que dá ao time a tranqüilidade de jogar por uma igualdade sem gols no segundo jogo e principalmente pelo fraco primeiro tempo apresentado pelo Real Madrid, quando a equipe pouco assustou o goleiro Lloris.

Com as duas equipes em formações semelhantes, o Lyon no seu 4-3-3, com variações para um 4-2-3-1, uma vez que sem a posse da bola, os ponteiros Delgado e Michel Bastos voltavam para recompor o meio campo.

Lyon - MadridFormações iniciais: Reveillere saia para acompanhar CR e deixava espaço na lateral, espaço pouco aproveitado por Arbeloa. Ozil, entre a marcação de Toulalan e Kallstrom, nada fez. 

Mesmo 4-2-3-1 de José Mourinho, mas com algumas mudanças com relação à equipe prevista por este que vos escreve. Xabi Alonso, que não vinha sendo escalado entre os onze iniciais, retornou a frente da zaga merengue. Na armação central, o treinador luso preferiu o maior entrosamento de Özil com os outros homens da frente. E as duas surpresas na escalação merengue, com as entradas de Adebayor e Arbeloa na equipe titular, o primeiro, por questões técnicas e o segundo, por ser melhor marcador que Marcelo, para conter as fortes investidas de Michel Bastos.

No entanto, a opção por Arbeloa, “matou” o lado esquerdo ofensivo da equipe branca, que com Marcelo é sempre muito perigoso, sejam pelas tabelas com Cristiano Ronaldo (o que não ocorreu com o camisa 17) ou pelas descidas do brasileiro, explorando o corredor deixado pelo lateral adversário.

A equipe francesa se portou melhor na primeira etapa, quando se fechou bem e apesar de manter menos a posse da bola, soube criar chances perigosas nos contragolpes, ora com Gomis, ora com Michel Bastos. O brasileiro, por sinal, era um dos melhores jogadores em campo pelos Gones, primeiro pela direita, depois pelo lado esquerdo, quando inverteu o posicionamento com Delgado e criou boas oportunidades em tabelas com Cissokho.

O Real era apático na primeira etapa, muito pela participação (?) da dupla Ozil e Adebayor, inoperantes em campo. O alemão, encaixotado pela marcação de Toulalan e Kallstrom, só conseguia produzir algo quando se deslocava do meio para os lados do campo, enquanto o togolês não se movimentava, não dava opção para o passe.

Mourinho parece ter dado uma bela injeção de animo em seu grupo no vestiário, pois sua equipe voltou para a etapa final de forma incisiva, disposta a sair do Gerland com o resultado positivo que daria tranqüilidade para o jogo da volta. E a postura mais agressiva deu resultado aos 20 minutos, quando Benzema, que acabara de entrar (sendo inclusive aplaudido pelo torcedor do Lyon) tabelou com Cristiano Ronaldo, invadiu a área, driblou o marcador e tocou entre as pernas de Lloris para abrir o marcador.

Atordoado com o revés, o Lyon parecia ser presa fácil, porém o time de Mourinho tirou o pé do acelerador e abriu a brecha para que os donos da casa pudessem se recuperar e buscar o empate, que veio em jogada fortuita.

Gourcuff cobrou falta da intermediária em cima da barreira, a bola voltou em seus pés e o camisa 29 levantou novamente para o zagueiro Cris desviar e Gomis – em condição legal – empurrar para as redes, o famoso “gol achado”.

O tento arrancado a fórceps deu sobrevida aos Gones, que sufocaram nos minutos finais, mas de pouco adiantou, pois o justo resultado de igualdade se manteve até o apito final do alemão Wolfgang Stark. O empate com gol dá ligeira vantagem ao gigante espanhol, mas não descarta o Lyon. Teremos jogo no Bernabéu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Lyon x Real Madrid - Hora da Revanche?

Lyon x Real Madrid

De um lado, um gigante mordido pela ingrata seqüência de insucessos na competição na qual é soberano. Do outro, um aspirante a grande, que busca a afirmação no cenário continental, para enfim, figurar entre os maiores.

Assim é Real Madrid e Lyon, um confronto marcado pelos recentes encontros entre as duas equipes na UEFA Champions League. Em um total de seis duelos, ampla vantagem para os franceses que venceram em três oportunidades e empataram as outras três.

O time de Claude Puel já não é mais o mesmo que eliminou o mesmo Madrid nas oitavas de final da última UCL e arrancou rumo a sua melhor campanha na competição, chegando até às semifinais.

Apesar da manutenção da agressiva formação em 4-3-3, com dois meio campistas mais criadores do que marcadores, o treinador modificou algumas peças com relação à equipe da última época. Boumsong, Makoun e Govou deixaram à equipe e abriram espaços para Diakhaté, Kallström e Michel Bastos (artilheiro dos Leões na UCL) entre os titulares, além de Gourcuff, que chegou do Bordeaux para dar um toque de criatividade no meio campo e ocupou o lugar do talentoso Pjanic, que foi parar no banco – particularmente, gostaria de ver os dois juntos em campo.

Na equipe da capital espanhola, José Mourinho é sem sombra de dúvidas a mudança de maior impacto com relação ao time da última temporada. O português, atual campeão da UCL, chegou ao Madrid e fez o que faz de melhor: organizou a equipe, dando definição tática e padrão de jogo a um amontoado de ótimos jogadores deixados por Manuel Pellegrini.

Além do treinador luso, chegaram também reforços que agregaram muita qualidade ao grupo. Casos dos alemães Khedira e Özil (destaques da seleção germânica na Copa do Mundo), do também luso Ricardo Carvalho e do argentino Di Maria – talvez o melhor deles.

O fato é que como nos demais seis duelos entre as duas equipes, mais uma vez o Real Madrid chega como amplo favorito para levar a melhor e avançar as quartas de final após longas seis temporadas. No entanto, a zebra francesa está pronta para aprontar novamente e seguir trilhando seu caminho rumo ao rol dos grandes. É esperar pra ver.

Lyon-MadridPrévia das equipes: Lyon no 4-3-3, com Delgado no lugar de Lisandro Lopez no lado esquerdo do ataque. Madrid em 4-2-3-1, com Lass ao lado de Khedira e Kaká na faixa central do trio de armadores. A chave do jogo pode ser Marcelo, seja explorando o corredor deixado por Reveillere, quando esse sair pra acompanhar Cristiano Ronaldo, ou dando liberdade para o sempre perigoso Michel Bastos, o artilheiro do Lyon na Liga.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Noite do 10

Na tarde - aqui no Brasil, noite na Suiça - desta segunda-feira (10), Lionel Messi (10) foi eleito pela segunda vez consecutiva o melhor jogador de futebol do planeta. Alguém tem coragem de discordar?

“La Pulga” foi simplesmente monstruoso durante toda a temporada pelo Barcelona. Foram 45 tentos anotados até o fim do primeiro semestre de 2010 (levando em conta também os feitos durante o segundo semestre de 2009), sendo 34 pelo Campeonato Espanhol e 8 pela UEFA Champions League, torneios onde foi artilheiro, além de outros dois gols na Supercopa Espanhola e um pela Copa do Rey.

No segundo semestre do ano, Messi seguiu desfilando seu futebol de gênio, aliando habilidade e visão de jogo a poder de decisão e faro de gol incríveis. Nos últimos seis meses, Léo já deixou sua marca em 28 oportunidades, sendo 18 vezes por La Liga, seis pela Champions League, um pela Copa do Rey e três pela Supercopa Espanhola.

Individualmente, Messi foi muito superior aos demais jogadores no ano de 2010, o problema, que faz com que o prêmio seja contestado por alguns, são as conquistas. A começar pelo campeonato de futebol mais importante do ano de 2010, a Copa do Mundo.

Messi não foi brilhante no Mundial como o é com a camisa do Barcelona, por mais que tenha tentado, buscado o jogo e arriscado, – foi o quarto jogador que mais finalizou em gramados sul africanos – a bola insistiu em não entrar e Léo voltou pra casa sem um golzinho sequer, além de uma eliminação humilhante, sofrendo um sonoro 4 a 0 da poderosa Alemanha.

Mas, se a Copa do Mundo tem tamanho peso, por que Forlán, eleito o melhor jogador do Mundial, não figurou entre os três na disputa pela Bola de Ouro? Schweinsteiger e Muller, destaques da encantadora seleção alemã, sequer são lembrados. E cadê o peso da Copa do Mundo na eleição do melhor treinador? Vicente Del Bosque, campeão mundial no comando da Espanha foi preterido por José Mourinho, vencedor da segunda competição de maior importância no planeta bola, a UEFA Champions League.

No interclubes europeu, Messi caiu perante a Internazionale de Mourinho e sua defesa inexpugnável. No entanto, foi o artilheiro e teve a melhor atuação individual de um jogador em 2010, no massacre sobre o Arsenal por 4 a 1, onde o camisa 10 anotou os quatro tentos, sendo três deles, simplesmente espetaculares.

Seus concorrentes, Xavi e Iniesta, são jogadores sensacionais e que ditam o ritmo do jogo da fantástica equipe do Barcelona e da campeã mundial Espanha, no entanto, falta aos dois uma virtude que tem em Messi: a genialidade. A capacidade de decidir uma partida mesmo quando essa apresenta uma dificuldade acima do normal, a habilidade de tirar um coelho da cartola e definir jogos.

Seria injusto se o prêmio fosse entregue a um dos outros baixinhos do Barcelona? De forma alguma. Ambos são craques e tiveram uma temporada estupenda, coroada com a conquista da Copa do Mundo.

A grande injustiça na verdade foi feita a outro baixinho, Wesley Sneijder. O holandês, a meu ver, era o único apto a tirar Messi do trono em 2010, por ter conquistado simplesmente tudo com a Inter de Milão, sendo um dos destaques (talvez o maior) da equipe, além de ter feito uma ótima Copa do Mundo, conduzindo a Laranja ao vice-campeonato, com belas atuações e gols decisivos – inclusive os dois que eliminaram a Seleção Brasileira.

O cerebral camisa 10 nerazurri devia no mínimo ter figurado entre os três finalistas pelo melhor ano de sua carreira, pra mim no lugar de Iniesta, que passou boa parte da temporada lesionado, mas para os votantes no prêmio, O GOL mais importante do ano, anotado pelo espanhol, fez mais diferença do que tudo que foi feito e conquistado por Sneijder.

Quanto a Messi, bem, essa é só a segunda Bola de Ouro para o gênio argentino de apenas 23 anos e muito futebol pela frente. Onde pode chegar o baixinho? Se tudo correr bem, Léo pode e deve escrever seu nome na história dos maiores jogadores de todos os tempos.

PS1: Marta (10) faturou a sua QUINTA Bola de Ouro consecutiva no Futebol Feminino. Ela é ou não é a “Pelé de saias”?

PS2: José Mourinho conquistou o prêmio de melhor treinador de 2010, no primeiro ano em que o prêmio foi dado. O luso conquistou simplesmente TUDO pela Internazionale e desbancou até o campeão mundial Vicente Del Bosque. INCONTESTÁVEL!

PS3: Abaixo, o 11 ideal da temporada para a FIFA. Cristiano Ronaldo jogou muito e quem acompanha o blog sabe que sou fã do gajo, mas em 2010, Robben e Forlán jogaram mais do que o camisa sete merengue e mereciam mais estar nessa “seleção”.

11 ideal FIFA

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Como poderiam ficar Real Madrid e Seleção Brasileira com a volta de Kaká

Retornando os trabalhos em 2011, e se nos bastidores da bola o assunto mais falado é Ronaldinho Gaúcho, dentro das quatro linhas, sem dúvidas o tema mais relevante é a volta de Kaká aos gramados.

Kaká 2 O “Príncipe” voltou a jogar na última segunda-feira, na vitória do Real Madrid sobre o Getafe, por 3 a 2, com gols de Cristiano Ronaldo, duas vezes e Özil para os Merengues e Parejo e Albín para os azuis. Na ocasião, Kaká entrou na vaga de Benzema e participou dos 15 minutos finais da peleja. A expectativa é que o brasileiro participe de no mínimo um tempo inteiro no próximo compromisso do Real, nessa quinta, diante do Levante, pela Copa do Rey.

Claro que ainda é cedo, e é preciso aguardar por uma firmação do camisa 8 madridista, mas a volta dele é um alento para a torcida e grande reforço para a equipe de José Mourinho. Mas, como o competente português irá colocar o craque no “encaixado” time branco? Quem perderia a vaga no time titular para a entrada do brasileiro? Pra essa segunda questão, só vejo duas respostas: Özil ou Benzema, uma vez que dentre o quarteto ofensivo merengue, vejo Cristiano Ronaldo e Di Maria como intocáveis.

Real Madrid 01

Aqui, uma possível formação com Kaká na vaga de Özil. Assim, pouco alteraria na atual forma de jogar da equipe, mantendo Benzema (titular com a ausência de Higuain) como referência, Cristiano e Di Maria pelos flancos e Kaká por dentro na linha de armadores.

Real Madrid 02

Uma segunda opção seria assim, com Cristiano Ronaldo como pivô e na linha de armadores, Di Maria pela direita, Kaká e Özil se revezando entre a faixa central e o flanco esquerdo da armação.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Além de José Mourinho, outro que ganha uma dor de cabeça bastante agradável com a volta de Kaká, é Mano Menezes.

Com o genial Ganso também voltando de lesão e o craque Neymar jogando tudo o que sabe, fica inimaginável a saída de uma das duas jóias santistas do time titular. Portanto, assim como no Madrid, sobram duas vagas para uma possível entrada do craque merengue, vagas que hoje são ocupadas por Robinho e Pato.

Brasil 4-2-2-2

Na vaga de Robinho, imagino o time em um 4-2-2-2, com Kaká e Ganso fazendo uma dupla de armadores como há muito não se via em nossa seleção, além de uma dupla de ataque rápida e extremamente letal, com Neymar e Pato e dois laterais que apóiam muito bem, Daniel Alves e André Santos.

Brasil 4-3-1-2

Qualquer semelhança entre esse time e o atual Barcelona, NÃO é mera coincidência. De fato, o time de Pep Guardiola foi a inspiração desse blogueiro para imaginar o time com Kaká na vaga de Pato. Com a equipe em um 4-3-1-2, Kaká atuaria centralizado, fazendo a função de um falso 9, semelhante a que Messi desempenha na equipe catalã. Neymar e Robinho abertos nas pontas, e Ganso vindo de trás – fazendo o mesmo papel de Iniesta – completariam o quarteto ofensivo canarinho.

Como já disse, ainda é muito cedo para prever formações onde Kaká poderá se encaixar, tanto no Madrid, quanto na Seleção, mas a volta do craque aos gramados nos enche de esperanças que ele um dia volte a jogar aquele futebol que o consagrou como o melhor jogador do planeta.

sábado, 23 de outubro de 2010

Real Madrid 6x1 Racing Santander – Avassalador

Madrid x Santander

Linha de cinco homens de defesa do Racing foi incapaz de parar o poderoso ataque branco.

O time que marcou dez gols nos dois últimos jogos pelo Campeonato Espanhol e que durante a semana vencera a forte equipe do Milan pela UEFA Champions League, tinha pela frente o modesto Racing, que ocupa apenas a décima sexta colocação no campeonato.

A promessa era de um jogo fácil, um novo espetáculo branco, mas nem mesmo o mais otimista torcedor merengue poderia prever tamanha superioridade. O Real começou o jogo mostrando a equipe de Santander quem é que manda no Bernabéu, e abriu os trabalhos cedo.

O técnico do Racing, Miguel Angel Portugal, bem que tentou parar o poderoso ataque merengue, armando uma equipe bem fechada, com cinco homens compondo a linha defensiva, no entanto, não contava com os jogadores especiais que teria do outro lado, e em apenas nove minutos de bola rolando, um desses especiais, Di María, fez um lindo lançamento para Higuain, o argentino dominou e com classe tirou do goleiro Toño para abrir o marcador.

O gol de Higuain “abriu a porteira” e foi aí que o mais especial dos jogadores brancos, Cristiano Ronaldo, resolveu aparecer. Aos 14 minutos, Higuain recebeu lançamento de Özil pela direita e cruzou rasante, o camisa sete apareceu para cumprimentar para as redes e começar o seu show particular.

A linha defensiva do time visitante parecia perdida e insistia em  tentar uma linha de impedimento, uma postura totalmente errada diante de uma equipe tão veloz quanto o Real Madrid. E isso ficou bem claro aos 26 minutos, quando Özil foi lançado também pela direita, e viu Cristiano Ronaldo completamente livre dentro da área, o alemão rolou para o português fazer o seu segundo na partida.

Com o terceiro gol, o time madridista tirou um pouco o pé na primeira etapa, passou a deixar o Santander mais com a bola, se postou atras da linha do meio campo e buscava os contra ataques para tentar aumentar a vantagem.

Insaciavel, o time da capital voltou do intervalo com ainda mais vontade e foi dando prosseguimento ao massacre logo aos dois minutos, quando Di Maria avançou pela direita e rolou para Cristiano Ronaldo, sempre ele, fuzilar e anotar o terceiro dele no jogo.

CR7 Apenas oito minutos depois, novamente Di Maria – que fez um partidaço, avançou em velocidade no meio da defesa dos verdiblancos e só foi parado com falta, na área, penalti. Adivinhe quem se apresentou para a cobrança? Novamente ele, Cristiano Ronaldo, para fazer o seu quarto gol no jogo e o quinto merengue.

O time de José Mourinho fazia mais uma partida impecável, tanto no aspecto técnico, quanto na parte tática. Impressionante a obediência de seus jogadores, que seguem à risca as ordens do comandante português, a tal ponto de se ver por vezes, o astro maior da equipe, Cristiano Ronaldo, voltando para dar combate quando o time não tinha a bola.

Ao contrário do que muito se diz, o time de Mourinho também ataca, não é apenas retranca, e a fome de gols do Madrid parecia não acabar. Aos 17 minutos da etapa final, Xabi Alonso fez lindo lançamento para Özil, que passou pelos marcadores e soltou a bomba de esquerda para fazer o sexto. Com esse gol, o time chegou a impressionantes 16 tentos nas últimas três partidas pela Liga Espanhola, o melhor ataque da competição.

Madrid x Santander 2 As alterações no Madrid, que passou do 4-2-3-1 para o 4-2-2-2, com Di Maria na lateral esquerda e os jovens talentos espanhois nas meias.

As alterações fizeram com que o time branco mudasse o seu sistema de jogo, passando do tradicional 4-2-3-1 de Mourinho para um 4-2-2-2, com Canales pela meia esquerda e Pedro Leon pela direita. Com a saída de Marcelo, Di Maria foi deslocado para a lateral esquerda, onde continuou a fazer uma partida magistral.

Ainda sobrou tempo para o Racing fazer o seu golzinho de honra, após bela jogada de Arana pela direita, a bola sobrou para Pape Diop encher o pé de fora da área e contar ainda com o desvio no próprio Arana para bater Casillas.

Uma partida de gala do Real Madrid, especialmente de Cristiano Ronaldo – que confessou após o término da partida ter sido a primeira vez que marcou quatro vezes no mesmo jogo, e que faz um começo de temporada espetacular, acima inclusive da temporada em que foi eleito o melhor jogador do planeta.

O Real Madrid segue arrasador nesse começo de temporada e vai liderando de forma isolada o Espanhol, tendo melhor ataque e melhor defesa da competição, uma perfeição não vista há algum tempo no time branco.