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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cronologia tática da “Era Mano”

No inicio da tarde de sexta-feira, 23 de novembro, em reunião na sede da Federação Paulista de Futebol, foi decidida, de maneira surpreendente, a demissão do treinador da Seleção Brasileira, Mano Menezes.

Mano já superou momentos ruins na seleção, por isso sua saída agora soa surpresa. Sua primeira crise veio logo após a queda nas quartas de finais da Copa América, em 2011, e o técnico resistiu.

O time seguiu instável, jogando um futebol bem burocrático, longe do jogo encantador que muitos esperavam, e sem vencer um adversário de peso. Vieram os Jogos Olímpicos, o time seguiu jogando pouco e acabou derrotado na final perante a seleção mexicana. Ali, me parecia o momento ideal para a troca do comando técnico e tinha toda pinta de que ia mesmo acontecer. Não aconteceu.

O treinador seguiu, mudou o estilo de sua seleção, mudou a maneira de jogar e o time chegou a apresentar um futebol vistoso, ainda que contra adversários sem tanto porte. E ironicamente, no momento em que Mano parecia encontrar um rumo para o selecionado canarinho, vem o anuncio da sua queda.

Para relembrar um pouco de como foi a passagem de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira, listamos abaixo alguns jogos importantes no período em que o treinador dirigiu o scratch.

Brasil 2-0 EUA

Jogo de estréia do treinador, em 10 de agosto de 2010. Após uma Copa do Mundo mixuruca, uma belíssima apresentação contra uma seleção razoável, dava a impressão de que Mano sabia bem o que estava fazendo e que tinha totais condições de ressuscitar o “futebol arte” brasileiro, característica sempre marcante na nossa seleção. Neymar e Pato marcaram, Ganso desfilou um futebol de primeiríssima qualidade, Robinho, Ramires e Dani Alves formavam uma base tarimbada da derrota no Mundial. Enfim, a primeira impressão, foi a melhor possível.

20121123164307A estréia: Time solto e ofensivo. Num 4-2-3-1 com o trio Neymar, Ganso e Robinho na criação, mais Alexandre Pato na referencia.

Brasil 0 (0)-(2) 0 Paraguai

Jogo que marcou a eliminação da Seleção na Copa América. Ironicamente, a melhor apresentação do time de Mano Menezes na competição, porém, faltou poder de fogo para decidir a parada durante os 120 minutos de bola rolando. Nas penalidades, um show de horrores com direito a quatro cobranças desperdiçadas e uma derrota pífia por dois a zero para os paraguaios.

20121123195617Contra o Paraguai, o mesmo sistema tático e o mesmo trio de armadores, mais alguns nomes vindos da Copa do Mundo, como Julio Cesar, Maicon e Lucio. Boa apresentação, que pecou no poder de fogo.

Brasil 1-2 México

Decisão dos Jogos Olímpicos. O México, nunca foi o adversário mais temido, e na ocasião, sem poder contar com seu melhor jogador, Giovanni dos Santos, dava toda pinta de que a tão sonhada medalha de ouro viria. Ledo engano. O erro de Rafael que gerou o primeiro gol mexicano logo no inicio do cotejo, jogou por terra todo o plano de jogo da seleção. Nervoso, o time pouco criou e tomou o tiro de misericórdia na segunda etapa. Depois até diminuiu, mas não conseguiu chegar ao empate e ficou somente com a prata.

20121123201100Nas Olimpiadas, Mano saiu do 4-2-3-1 costumeiro e reinventou a equipe num 4-4-1-1 em linha, com Oscar vindo da direita pra dentro e Neymar encostando em Damião.

Brasil 4-0 Japão

Apresentação de gala. Mano alterou seu time, sacou o homem de referencia do ataque e passou a jogar sem centroavante, apostando na mobilidade e talento do quarteto Neymar, Kaká, Oscar e Hulk. Funcionou! O time apresentou um belo futebol e envolveu a seleção japonesa, que se não é lá uma grande potencia, também está longe de ser uma baba. Parecia que, enfim, Mano encontrava um time ideal e mirava um norte para a seleção.

20121123201634Para esse que vos escreve, o time da melhor apresentação da “era Mano”. 4-2-3-1, sem um centroavante de oficio, mas com muita mobilidade na frente e sempre alguém na área, mais volantes que sabem sair pro jogo.

Brasil 1 (4)-(3) 2 Argentina

O jogo de despedida de Mano foi uma derrota diante da Argentina com a bola rolando, mas com a vitória nas penalidades e o título do tal Superclássico das Américas. Contando apenas com jogadores que atuam no país, o treinador não tinha tantas opções, mas podia ter feito melhor, apostado mais, arriscado mais e não ter jogado com o regulamento embaixo do braço para ganhar um título de valor quase nulo.

20121123202026A despedida, num 4-3-1-2 com Paulinho e Arouca saindo pro jogo enquanto Ralf dava suporte para a linha defensiva.

Três nomes despontam como favoritos para assumirem o comando da Seleção. Tite, no melhor momento da carreira e melhor momento dentre os três cotados. Felipão, sem clube após a saída do cambaleante Palmeiras, e Muricy, que por pouco não assumiu antes de Mano e que é o grande favorito. Não me agrada, mas é vencedor, tem um curriculo invejavel e pega um trabalho em construção e principalmente, em evolução. Qualquer um que vier a assumir, terá boa herança para trabalhar.

domingo, 21 de outubro de 2012

Brasil e Argentina: Os subestimados ganham uma cara e mostram seu valor

Na última Copa América, disputada na Argentina em 2011, menos de 24 horas separaram as eliminações de Argentina e Brasil, perante Uruguai e Paraguai, respectivamente. Ali, muitos ousaram afirmar que as duas grandes potências do futebol sul-americano estavam decadentes e caminhavam rumo a um vexame no Mundial de 2014.

Pouco mais de um ano se passou e hoje a situação é bem diferente.

Mano Menezes foi mantido no cargo após a queda na competição continental, e principalmente, após o fracasso nos Jogos Olímpicos. E foi a partir dos jogos que o treinador brasileiro começou a repensar na forma de jogar de sua equipe.

Sim, concordo que os adversários não foram lá grandes coisas – embora o Japão, que venceu a França alguns dias antes, tenha seu valor. Mas a maneira como o time se portou em seus últimos amistosos foi sim animadora.

Mano mantém o seu sistema tático preferido na formação do time titular, o 4-2-3-1, no entanto, abriu mão de um pivô no comando do ataque, da referência ofensiva que geralmente as equipes adeptas a tal esquema utilizam.

E assim, sem essa figura na frente, a seleção brasileira fez dois bons jogos, diante de Iraque e Japão.

Contra a equipe comandada por Zico, Mano ainda pôde contar com Marcelo na lateral esquerda, e sem Daniel Alves, utilizou Adriano do outro lado, com a dupla de zaga considerada pelo treinador como ideal completando a linha de quatro defensores – diante da seleção nipônica, sem o lateral do Real Madrid, o treinador teve que improvisar Leandro Castan na beirada esquerda, e funcionou muito bem, defensivamente.

À frente, uma dupla de volantes leves e de boa chegada no campo de ataque, com Paulinho e Ramires. E a boa chegada rendeu frutos, já que o volante corintiano foi o responsável pelo gol que abriu caminho para a goleada diante do Japão, e Ramires teve um gol mal anulado no mesmo confronto. Porém, embora tenham mostrado eficiência nos dois amistosos, ainda tenho certo pé atrás com a dupla formada por dois homens de maior volume ofensivo que defensivo, e gostaria de ver a dupla ser testada contra um adversário mais forte, que pode ser já no próximo amistoso, contra a perigosa seleção colombiana, no próximo dia 15 de novembro.

Mas foi o quarteto ofensivo quem mais animou – bem, eu pelo menos me animei. A volta de Kaká dá ao time o toque de experiência que faltava, isso pra não falar na qualidade do camisa 8, tanto no toque de bola quanto nas boas e velhas arrancadas com as quais todos estamos acostumados.

O meia madridista foi escalado no flanco esquerdo da linha de três armadores, com Oscar articulando pela faixa central e Hulk no lado oposto, porém, a movimentação constante e as transições em velocidade, faziam com que ninguém guardasse posição, nem mesmo o “centroavante” Neymar, escalado como a referência ofensiva, mas que sai abrindo espaço para quem vem de trás, como nos dois gols de Oscar diante do Iraque, ou na chegada de Paulinho contra o Japão, que desperdiçou a oportunidade de fazer seu segundo no jogo menos de cinco minutos após abrir o marcador.

Só quem ainda está meio fora de órbita nesse quadrado – que se não chega a ser mágico, tem lá seus truques – é Hulk. O atacante do Zenit parece meio perdido com a velocidade dos passes e da movimentação dos outros três homens. Particularmente, ainda gostaria muito de ver Lucas como titular ao lado do trio.

De mais a mais, Mano Menezes parece enfim estar encontrando o seu time ideal, que ainda carece de alguns ajustes, é verdade, mas já ganha uma cara e dá sinais que será um anfitrião duro no Mundial que se aproxima.

BrasilSeleção que goleou o Japão: O mesmo 4-2-3-1 de sempre, Castan improvisado na lateral esquerda e Adriano na direita, ocupando as vagas dos incontestáveis Marcelo e Daniel Alves. Na frente, movimentação e velocidade caracterizam o quarteto, que vira quinteto ou sexteto de acordo com as subidas da ofensiva dupla de volantes.

Assim como a Argentina, que não é anfitriã, mas também dá indícios de que chegará muito forte à Copa do Mundo.

Ao contrário de Mano Menezes, o ex-treinador da Argentina, Sergio Batista, não resistiu à queda na Copa América e assim cedeu o cargo de comandante do selecionado albiceleste ao atual treinador Alejandro Sabella.

Sob o comando de Sabella, a Argentina lidera com campanha impecável as Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 2014. São 20 pontos conquistados em seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota, diante da Venezuela, quarta colocada no qualificatório. Além disso, o técnico tem dois amistosos comandando a seleção, ambos contra o Brasil. No primeiro, vitória por 4 a 3. No segundo, o tal “Superclássico das Américas”, contando apenas com jogadores que atuem nos dois países, vitória brasileira por dois tentos a um, em Goiânia.

Mas o principal trunfo do treinador não está nos resultados, e sim, na mudança da postura da equipe, que passou a jogar em torno de Lionel Messi, e assim, fez crescer o futebol do melhor jogador do mundo com a camisa da seleção.

Com Sabella, Messi evoluiu e passou a render próximo do que rende no Barcelona e principalmente, ser decisivo. “La Pulga” é o artilheiro da seleção na “Era Sabella”, com 10 gols, sendo 7 pelas Eliminatórias e mais três marcados contra o Brasil, no amistoso vencido pelos hermanos.

Isso acontece porque Sabella encontrou, enfim, uma forma de posicionar o baixinho de maneira parecida com a que Messi atua no Barça. Um 4-3-1-2/4-3-3, onde o craque alterna as funções de enganche e centroavante, ambas com maestria, como no primeiro gol por ele anotado na vitória por 3 a 0 sobre o Uruguai, onde Messi, como um camisa 10, lançou Di Maria e em seguida, apareceu na área, como um legitimo camisa 9, para concluir o cruzamento do meia madridista. Meia e centroavante na mesma jogada. Arco e flecha.

ArgentinaO time que encarou o Uruguai: 4-3-1-2 que alterna para 4-3-3, de acordo com a movimentação de Messi.

E assim, guindada pelo crescimento do futebol de sua estrela maior, a Argentina mostra seu valor, e a exemplo do Brasil, também dá sinais de que não virá ao Mundial a passeio.

messi-neymar

Neymar e Messi, estrelas maiores de duas seleções ascendentes.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

NewCastle 3-0 Manchester United – Show de Horrores Vermelho

Tentando recuperar a co-liderança da Premier League ao lado do Manchester City, o United foi até St. James Park encarar o Newcastle. Com uma partida desastrosa, os comandados de Alex Ferguson saíram do norte ainda a três pontos dos azuis e com uma moral bem em baixa para encarar o próprio rival no próximo domingo pela Copa da Inglaterra.

Desde o inicio, o time da casa impôs o ritmo do jogo, encurralando os vermelhos em seu campo de defesa e dificultando a saída de bola dos visitantes. Logo aos 3 minutos de bola rolando, os alvinegros poderiam ter aberto o placar, na boa ultrapassagem de Simpson pela direita que terminou com o cruzamento do lateral para Demba Ba, sozinho, furar e perder boa chance.

Após a famosa “fumaça” do começo, o time visitante bem que equilibrou as ações da partida e também assustou a meta de Krul. Primeiro quando Nani se deslocou da direita pra dentro pra finalizar da entrada da área para boa defesa do arqueiro holandês. Depois em bom cruzamento de Evra que Berbatov cabeceou de maneira estranha no poste direito do goleiro.

Newcastle x ManUtd Equipes espelhadas em um tipico 4-4-2 britânico. Série de falhas dos Diabos foram cruciais na goleada.

Com as equipes espelhadas taticamente e um duelo equilibrado, foi preciso que um erro acontecesse para o placar ser alterado. Em chutão do goleiro Krul, Ameobi subiu mais que Jones para desviar e Demba Ba aproveitou o cochilo de Ferdinand para acertar belíssimo voleio no canto direito de Lindegaard e abrir o placar. Foi o décimo quinto gol do avante senegalês nos seus últimos quinze jogos pela Premier League.

O golaço de Cabaye em cobrança de falta magistral logo aos dois minutos da etapa final colocou por água abaixo qualquer proposta diferente que o time vermelho tenha traçado nos vestiários.

Com o prejuízo no marcador, Ferguson trocou o inoperante Berbatov por Welbeck, tentando dar maior movimentação ao setor ofensivo. A mudança por muito pouco não surtiu efeito rápido, quando Nani fez jogada pela direita, centrou na área, o próprio Welbeck desviou de calcanhar deixando Rooney na boa para concluir o que poderia ser o gol do renascimento no jogo, se Simpson não aparecesse em cima da linha para cortar.

Após ver o gol certo ser evitado, os Red Devils sentiram o baque e não criaram mais absolutamente nada. Taticamente mal distribuído em campo e sem o brilho individual de seus principais jogadores, o time não ameaçou. Nem a troca de outro inoperante, Park, por Chicharito, foi capaz de dar um gás na equipe, que assistiu a troca de passes regida pelo grito de olé das arquibancadas dos Magpies.

Para coroar o show de horrores que foi a atuação dos Diabos Vermelhos, nos acréscimos do cotejo, em novo balão de Krul, Jones fez uma lambança sem tamanho ao tentar cabecear uma bola baixa e dar de joelho na criança contra a própria meta. Um espetáculo desastroso do vice líder do campeonato, que precisa se corrigir urgentemente para voltar à briga pela ponta, e o mais importante, não ser novamente humilhado pelo rival azul já no próximo domingo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Como poderiam ficar Real Madrid e Seleção Brasileira com a volta de Kaká

Retornando os trabalhos em 2011, e se nos bastidores da bola o assunto mais falado é Ronaldinho Gaúcho, dentro das quatro linhas, sem dúvidas o tema mais relevante é a volta de Kaká aos gramados.

Kaká 2 O “Príncipe” voltou a jogar na última segunda-feira, na vitória do Real Madrid sobre o Getafe, por 3 a 2, com gols de Cristiano Ronaldo, duas vezes e Özil para os Merengues e Parejo e Albín para os azuis. Na ocasião, Kaká entrou na vaga de Benzema e participou dos 15 minutos finais da peleja. A expectativa é que o brasileiro participe de no mínimo um tempo inteiro no próximo compromisso do Real, nessa quinta, diante do Levante, pela Copa do Rey.

Claro que ainda é cedo, e é preciso aguardar por uma firmação do camisa 8 madridista, mas a volta dele é um alento para a torcida e grande reforço para a equipe de José Mourinho. Mas, como o competente português irá colocar o craque no “encaixado” time branco? Quem perderia a vaga no time titular para a entrada do brasileiro? Pra essa segunda questão, só vejo duas respostas: Özil ou Benzema, uma vez que dentre o quarteto ofensivo merengue, vejo Cristiano Ronaldo e Di Maria como intocáveis.

Real Madrid 01

Aqui, uma possível formação com Kaká na vaga de Özil. Assim, pouco alteraria na atual forma de jogar da equipe, mantendo Benzema (titular com a ausência de Higuain) como referência, Cristiano e Di Maria pelos flancos e Kaká por dentro na linha de armadores.

Real Madrid 02

Uma segunda opção seria assim, com Cristiano Ronaldo como pivô e na linha de armadores, Di Maria pela direita, Kaká e Özil se revezando entre a faixa central e o flanco esquerdo da armação.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Além de José Mourinho, outro que ganha uma dor de cabeça bastante agradável com a volta de Kaká, é Mano Menezes.

Com o genial Ganso também voltando de lesão e o craque Neymar jogando tudo o que sabe, fica inimaginável a saída de uma das duas jóias santistas do time titular. Portanto, assim como no Madrid, sobram duas vagas para uma possível entrada do craque merengue, vagas que hoje são ocupadas por Robinho e Pato.

Brasil 4-2-2-2

Na vaga de Robinho, imagino o time em um 4-2-2-2, com Kaká e Ganso fazendo uma dupla de armadores como há muito não se via em nossa seleção, além de uma dupla de ataque rápida e extremamente letal, com Neymar e Pato e dois laterais que apóiam muito bem, Daniel Alves e André Santos.

Brasil 4-3-1-2

Qualquer semelhança entre esse time e o atual Barcelona, NÃO é mera coincidência. De fato, o time de Pep Guardiola foi a inspiração desse blogueiro para imaginar o time com Kaká na vaga de Pato. Com a equipe em um 4-3-1-2, Kaká atuaria centralizado, fazendo a função de um falso 9, semelhante a que Messi desempenha na equipe catalã. Neymar e Robinho abertos nas pontas, e Ganso vindo de trás – fazendo o mesmo papel de Iniesta – completariam o quarteto ofensivo canarinho.

Como já disse, ainda é muito cedo para prever formações onde Kaká poderá se encaixar, tanto no Madrid, quanto na Seleção, mas a volta do craque aos gramados nos enche de esperanças que ele um dia volte a jogar aquele futebol que o consagrou como o melhor jogador do planeta.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pontapé Inicial

Após uma bela despedida do Corinthians ontem, com vitória e liderança, hoje um bom começo de Mano Menezes na Seleção Brasileira.

Uma convocação repleta de surpresas, algumas até interessantes e que podem ser muito bem aproveitadas. Outro atrativo na lista de Mano é a “visão olímpica” do gaúcho, que incluiu sete jogadores com idade olímpica dentre os vinte e quatro chamados. E a renovação não para por aí, são dez estreantes na seleção do ex-treinador corinthiano e apenas quatro que estiveram no Mundial da África do Sul.

Vamos aos pitacos sobre os escolhidos do novo treinador, por posições:

GOLEIROS

Victor, Jefferson e Renan – Em minha opinião, o goleiro gremista estaria inclusive na Copa do Mundo, é excelente e permanecerá em listas futuras. Renan é um desses nomes olímpicos de Mano, que vai tarimbando o arqueiro do Avaí para Londres em 2012. Já Jefferson, sinceramente, não entendi a sua convocação e acredito que não se firme na seleção.

LATERAIS

Daniel Alves, Rafael, Marcelo e André Santos – Dani é um dos quatro que estiveram na Copa e que continuará na Seleção. Rafael é outro que visa as Olimpíadas, precisa aprimorar a parte defensiva, já que ofensivamente é muito bom jogador. Na esquerda, Marcelo que é muito mais meio campo do que lateral, sofre o mesmo problema de Rafael, é ótimo no apoio, mas deficiente na defesa. André Santos jogou muito sob o comando de Mano no Corinthians em 2009 e já esteve na seleção com Dunga, tenta agora se firmar com quem já sabe seu potencial.

ZAGUEIROS

David Luiz, Thiago Silva, Rever e Henrique – David Luiz há tempos é badalado na Europa e pretendido pelos clubes gigantes do continente. Thiago Silva todos conhecemos e sabemos seu potencial, esteve na Copa e será um dos donos da zaga canarinha. Rever acaba de voltar para o Brasil após uma passagem apagada pelo Wolfsburg e ninguém sabe como está a sua forma, de qualquer maneira, se conseguir repetir o que fez no Grêmio, é um grande zagueiro. Henrique é uma grande interrogação. Vendido pelo Palmeiras para o Barcelona em 2008, não se firmou em time algum na Europa e pode ser novamente emprestado pelo clube catalão, creio que tínhamos opções melhores.

VOLANTES

Sandro, Lucas, Jucilei e Ramires – Sandro já deu mostras de que é ótimo jogador e que pode ser o cabeça de área perfeito para a Seleção, além disso, entra no clube olímpico de Mano. Lucas já esteve em uma Olimpíada e também é muito bom volante, com boa pegada e visão de jogo. Ramires esteve no Mundial e é ótimo jogador, tanto como segundo volante quanto na criação tem grande futuro com a amarelinha. Jucilei foi grande novidade, um volante de força física e boa saída de bola, é incluso dentre os olímpicos e esse pode ter sido um fator que pesou na sua chamada.

MEIAS

PH Ganso, Hernanes, Carlos Eduardo e Ederson – Ganso já era dado como certo. Uma jóia rara que tem que ser bem lapidada para não ser desperdiçada, tem grande talento e visão de jogo diferenciada. Hernanes também já era chamado por 8 entre 10 brasileiros, é o grande jogador do São Paulo há três anos e certamente será figurinha carimbada nos times de Mano. Carlos Eduardo já trabalhou com Mano no Grêmio, então o treinador já sabe o potencial do meia do Hoffenheim e daí a aposta no ex-gremista. Ederson, ao lado de Jucilei, foi a outra novidade da convocação. Não tem idade olímpica e não é titular no Lyon, assim como o goleiro Jefferson, não entendi a sua convocação.

ATACANTES

Neymar, Robinho, Alexandre Pato, Diego Tardelli e André – Neymar é outra jóia que precisa de muitos cuidados. O garoto é talentoso, mas o sucesso está lhe subindo à cabeça e o futebol do santista tem caído muito. Robinho era de quem se esperava muito na África e não rendeu o esperado. Mano tenta recuperar o atacante do Manchester City lhe dando uma nova oportunidade. Pato é um atacante de potencial enorme e o possível futuro nove da Seleção. Tem talento e faro de gol pra isso. Diego Tardelli figurou entre os sete “suplentes” de Dunga, vem de uma ótima temporada em 2009 e está repetindo em 2010, o que avaliza sua chamada. André foi outra boa novidade, o atacante santista é ao lado de Neymar o artilheiro do ano no Brasil e tem uma carreira de futuro. Além disso, está dentre os nomes olímpicos, ao lado de Neymar e Pato.

Dadas as opiniões, deixo aqui aquela que seria a minha seleção perfeita dentre os nomes chamados por Mano Menezes. E você, já montou a sua? Deixe sua opinião.

Brasil Mano

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Novo Professor

Após a queda da Seleção e o fim da Copa do Mundo, a pergunta que não quer calar no mundo do futebol é: “Quem será o novo técnico da Seleção Brasileira?”

E como não poderia deixar de ser, dezenas de nomes surgem como possíveis “professores” no comando do Scratch Canarinho.

O novo treinador terá uma missão extremamente difícil pela frente. Renovar o time, impor uma nova postura tática, ter resultados e o principal, resgatar as origens do futebol brasileiro, perdida ao longo desses quatro anos de “Era Dunga”.

O time brasileiro sempre gera grande expectativa, afinal, de nossa seleção sempre se espera um futebol bonito, vistoso, que sempre foi característico, no entanto, o ex-treinador abriu mão das raízes da Seleção Brasileira e atribuiu ao time o chamado “futebol de resultados”, e foi levando assim até a queda diante da Holanda, com um time cheio de jogador meia boca, um futebolzinho mixuruca e bastante pragmático.

Felipão O mais cotado e favorito para nove de cada dez brasileiros é Luiz Felipe Scolari. O treinador do penta em 2002 acaba de fechar contrato com o Palmeiras, mas ainda aguarda contato da CBF para definir seu futuro. Sua qualidade em armar um time é inquestionável, mas Felipão vem de um trabalho fracassado à frente do Chelsea e um outro que não serve como parâmetro comandando o modesto Bunyodkor do Uzbequistão. Além disso, não sei se Scolari seria o melhor nome para resgatar esse futebol arte do time brasileiro. É um treinador disciplinador e vencedor, porém seus times nunca primaram pelo espetáculo.

Leonardo Outro nome mencionado e que é muito forte dentre os bastidores da CBF é o de Leonardo. O ex-treinador do Milan é educadinho, tem boa postura, fala diversas línguas, fez um trabalho razoável com o fraco elenco rossoneri, mas ainda não tem experiência suficiente para assumir um cargo de tamanha notoriedade. Caso “Léo” assuma, a CBF estaria cometendo o mesmo erro que cometeu ao dar o cargo para o inexperiente Dunga. Apesar do trabalho no Milan, não creio que seja uma boa escolha.

Muricy Muricy Ramalho, técnico tri campeão brasileiro com o São Paulo também é cogitado. No meu ponto de vista, é a pior opção dentre os nomes já falados. É experiente e vencedor, no entanto, nunca conseguiu armar um time ofensivo, que jogue o futebol que todos esperam da Seleção Brasileira. Seus times sempre prezam pelo setor defensivo e jogam “à grega” (com base na seleção da Grécia campeã da Euro 2004), esperando por uma bola para tentar a vitória.

Mano Menezes Dos nomes cogitados, Mano Menezes é um dos que me agradam. Fez bom trabalho no Grêmio e faz no Corinthians, é ótimo estrategista e foi um dos últimos técnicos brasileiros capazes de montar um time que jogasse um futebol de qualidade, de maneira ofensiva, com bom toque de bola e equilibrado defensivamente, como fez com o Corinthians campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009. Além do mais tem se mostrado um especialista em competições de mata mata.

Luxemburgo Pode parecer loucura de minha parte, mas outro que me agrada é Vanderlei Luxemburgo – por sinal, é o meu favorito. Loucura pelo seu retrospecto recente e não pela sua carreira como um todo. Luxa não vem de bons trabalhos, pelo contrário, e isso pode pesar contra o técnico do Galo, mas sua qualidade como treinador é indiscutível, é extremamente vencedor e sabe fazer isso com times jogando bonito, como o Palmeiras de 96 e Cruzeiro de 2003. Além disso, creio que Luxemburgo tem essa “dívida” na carreira, que é conseguir êxito pela Seleção, algo que não conseguiu em sua primeira passagem.

Dorival Junior E já que queremos belo futebol, belas jogadas, muitos gols, ninguém fez isso melhor durante o ano de 2010 do que Dorival Junior. O nome do treinador santista não foi sequer cogitado, mas que ele conseguiu montar um time extremamente ofensivo e que agradou a todos pela sua maneira de jogar, ah isso ele conseguiu. Só tenho uma pequena ressalva quanto ao trabalho feito por Dorival com o Santos: não conseguiu um equilíbrio necessário entre defesa e ataque, pois o seu time faz muitos gols, mas também sofre vários.

Outros nomes como Adilson Baptista, Ricardo Gomes e Paulo Autuori também chegaram a ser ventilados, mas em menor força e não devem terem maiores proporções. Como já disse, meu favorito se chama Vanderlei Luxemburgo. E para você, quem deveria assumir a Seleção Brasileira?