domingo, 18 de setembro de 2011

Tottenham 4x0 Liverpool – Baile Londrino

Pensando em fazer frente aos poderosos de Manchester e ao Chelsea, o Liverpool foi a Londres encarar o Tottenham, time que ocupou o lugar dos Reds como quarta força há duas temporadas e que tenta voltar a figurar entre os primeiros colocados para brigar no mínimo por uma vaga na próxima UEFA Champions League.

Harry Redknapp utilizou sua formação preferida e armou a sua equipe em um 4-4-2 “à inglesa”, com duas linhas de quatro mais dois centroavantes. Do outro lado, se imaginava um Liverpool com sistema semelhante ao do rival, porém Kenny Dalglish optou por um 4-2-3-1, com Suarez à esquerda, Downing pela direita e Henderson na faixa central de três armadores, com Carroll isolado no comando do ataque.

Tottenham - Livpool Como começaram: Tottenham com o bom e velho 4-4-2 hibrido; Liverpool, em um 4-2-3-1, com Suarez saindo da esquerda pra dentro.

Relembrando seus melhores momentos, quando chegou à quarta colocação da Premier League na temporada 2009/2010 e até as quartas de final da UCL na última época, o Tottenham começou o jogo explorando o lado esquerdo com Gareth Bale.

Por ali, o galês passeava contra o improvisado Skrtel (hoje atuando na lateral direita vermelha) e começou a jogada do primeiro gol, quando passou para Defoe escorar e Modric soltar a bomba no ângulo esquerdo de Reina. Falha também de Lucas, que deveria ter acompanhado o croata.

Acuado em seu campo de defesa, o Liverpool só foi chegar com perigo aos dezoito minutos, após reposição de bola de Reina que Carroll ganhou por cima e Suarez em impedimento tocou para as redes, gol bem anulado. A ameaça de reação vermelha, porém, parou por aí e foi comprometida de vez quando menos de dez minutos depois, Charlie Adam fez falta dura em Scott Parker e recebeu o segundo amarelo, deixando a equipe com um a menos – antes disso, Agger lesionado havia dado lugar a Coates na zaga.

Com dez homens em campo, Kenny Dalglish repaginou seu time em um 4-4-1, recuando Henderson para ocupar a vaga de Adam e puxando Carroll para fechar a segunda linha de quatro pela esquerda, dando total liberdade para Suarez ser o comandante de ataque.

Tottenham - Livpool 2 Após a expulsão de Adam, Liverpool em 4-4-1, com o recuo de Henderson para fazer a função de volante e Carroll deslocado à esquerda.

Na volta do intervalo, Redknapp decidiu dar mais criatividade ao time e trocou o inoperante Niko Kranjcar por Van Der Vaart. Até por característica própria, o holandês se deslocava da direita para dentro e abria o corredor para o bom lateral Walker subir ao ataque.

O time da casa controlava bem a posse da bola (chegou a ter 62%) e administrava o resultado, porém faltava contundência para definir o jogo. Na primeira boa chance, Defoe ganhou do perdido Skrtel e deixou Adebayor livre pela direita. Displicente, o togolês bateu fraco nas mãos de Reina. Um minuto depois, mais uma vez Skrtel comprometeu o time e fez falta dura em Bale e assim como Adam, recebeu o segundo amarelo e foi para o chuveiro.

Com dois a mais, o Tottenham teve a vida facilitada e antes qmodric ue o Liverpool se reorganizasse, Van Der Vaart, por dentro, fez ótimo lançamento para Defoe ganhar de José Enrique e fuzilar a meta de Pepe Reina para ampliar.

A vantagem numérica e no marcador deu tranquilidade aos Spurs, que tocavam a bola de pé em pé, colocando o time vermelho na roda até Defoe receber na entrada da área e bater fraco no meio do gol. Reina falhou e soltou nos pés de Adebayor, que dessa vez não desperdiçou.

Sem muito o que fazer, Dalglish trocou Downing e Suarez por Spearing e Bellamy, reoxigenando sua equipe visando evitar o pior. No entanto, no último lance do jogo, Adebayor, livre pela direita, recebeu lançamento de Ekotto e bateu firme para dar números finais a partida.

Tottenham - Livpool 3 No fim do jogo, Liverpool com dois a menos, sem muito o que fazer e entregue, apenas assistiu o baile dos Spurs.

Com um jogo a menos e há apenas três pontos do atual quarto colocado Newcastle, o Tottenham vai se colocando na briga pela última das quatro vagas – imaginando que Manchester United, Manchester City e Chelsea devem brigar pelo título e consequentemente, ocupar as três primeiras posições.

Para o Liverpool, o momento é de saber engolir o duro revés e seguir o bom trabalho, se mantendo na briga direta com o próprio Tottenham pela mesma vaga. O retorno cada vez mais próximo de Gerrard dará mais qualidade, e principalmente, inteligência ao time, algo que faltou no baile londrino de hoje.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Paris Saint-Germain 3×1 Red Bull Salzburg: movimentação dos meias é a chave

Texto inicialmente publicado no A Prancheta, por Leandro Colares.

As contratações de Javier Pastore e Jérémy Ménez foram certeiras. Rápidos e habilidosos – especialmente o argentino, no segundo quesito –, têm grande chance de se adaptar à equipe. O esquema os favorece, e beneficia também Nenê, jogador que deve crescer de produção e voltar a boa fase do primeiro turno da Ligue 1 em 2010-11.

No 4-2-3-1 de Antoine Kombouaré, Ménez se posicionava à direita e Nenê à esquerda, com Pastore por dentro. Mas o esquema não funcionou durante boa parte do primeiro tempo. Antes do gol de Nenê, o Red Bull Salzburg era melhor. A equipe austríaca marcava no campo de ataque e tinha maior controle.

O 4-1-4-1 austríaco baseava-se na intensa movimentação de seu lado esquerdo. Jantscher se saía da esquerda para o meio, abrindo o corredor para a passagem de Svento. A recomposição do time francês era falha e os espaços apareciam.

Mas o Red Bull não tinha criatividade. Rodava a bola, com bons passes, mas não entrava na área. Ninguém se aproximava de Maierhofer, que pouco tocou na bola.

No PSG, Erding teve muita dificuldade em jogar de costas para o gol. O turco está mais acostumado a atuar em dupla, como acontecia em 2010-11, ao lado de Hoarau.

No 4-2-3-1, PSG não foi bem durante maior parte do primeiro tempo. Salzburg no 4-1-4-1, eficiente nos passes e pobre em infiltrações.

O segundo tempo sofrível dos austríacos é resultado, também, da nova postura de marcação do Paris Saint-Germain. Pressionando a saída de bola, os franceses dominaram por completo a etapa final.

Isso porque a movimentação do trio de meias se intensificou. Ménez, Pastore – que estava em tarde inspirada – e Nenê trocavam de posição o tempo todo, procurando tabelas e infiltrações por dentro. A marcação adversária sofreu e sucumbiu diante da eficiente fluência nos passes.

Ao mesmo tempo, é preciso destacar que os armadores do PSG tiveram muito espaço. O Red Bull Salzburg se desorganizou no segundo tempo, perdendo a compactação necessária para obter uma eficiência minimamente razoável.

Intensa movimentação do trio de meias do PSG, agora com Gameiro na frente. Red Bull se descompactou e sofreu na saída de bola.

O novo Paris Saint-Germain é uma equipe de muito talento. O entrosamento entre os três armadores é fundamental para o sucesso do 4-2-3-1, que necessita desta movimentação citada acima. Nenê tem tudo para voltar à boa fase. Resta saber se o centroavante estará à altura. Gameiro – que tem sido titular na Ligue 1 – dará conta do recado?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Barcelona 2-2 Milan – O Jogo só acaba quando termina

O gol de Alexandre Pato ainda aos 25 segundos de bola rolando, o quinto mais rápido na história da Champions League, foi um duro golpe aos mais de noventa mil espectadores que lotaram o Camp Nou para a estréia do atual campeão do torneio contra o atual campeão italiano e detentor de sete taças continentais.

Apesar do gol relâmpago, o Barcelona não se abalou e naturalmente impôs o seu estilo. Manutenção da posse da bola, que chegou a incríveis (mas não surpreendentes, em se tratando do time de Guardiola) 73%, toques de lado a lado e muita movimentação no campo ofensivo.

Sem poder contar com sua dupla de zaga titular, Pep Guardiola mais uma vez utilizou os volantes Busquets e Mascherano para compor a zaga. Hoje, ao lado de Abidal, formaram um trio defensivo no 3-4-3 em linha, diferente do mesmo 3-4-3 em losango utilizado na estréia da liga espanhola contra o Villareal – leia mais AQUI.

barça - milan ucl Apesar do diferente 3-4-3, Barça como de costume: marcação adiantada e muita movimentação.

No desfalcado Milan, sem poder contar com os avantes Ibrahimovic e Robinho, o gol caiu como uma luva para quem já foi à Espanha com o pensamento no empate. Daí em diante, era se fechar e esperar por um contragolpe. Seedorf, fazendo o vértice esquerdo no losango rossonero, fechava o cerco para Daniel Alves, porém, com a lesão de Boateng, Ambrosini entrou nessa faixa e o holandês foi deslocado para a função de enganche e o italiano não conseguiu mais encurtar os espaços para o lateral brasileiro.

Diante do ferrolho armado por Maximiliano Allegri, o time da casa precisava acelerar o último passe ou contar com um lance individual para furar o bloqueio dos italianos. Foi onde apareceu o melhor jogador do mundo. Na primeira tentativa, passou pelos defensores e bateu fraco para a defesa de Abbiati. Na segunda, deixou Abate na saudade e cruzou rasteiro para Pedro igualar o placar.

Com apenas cinco minutos da etapa final, em lance até atípico para o time catalão, David Villa aproveitou uma das inúmeras infrações milanistas e levou o Camp Nou ao delírio com belíssima cobrança de falta da intermediaria que colocou o time blaugrana na frente.

Allegri trocou o inoperante Antonio Cassano por Emanuelson, reconfigurando a equipe em um 4-4-1-1, com o camisa 28 aberto à esquerda na segunda linha de quatro, justamente para combater Daniel Alves. Do outro lado, Nocerino batia com Fabregas, que substituiu o lesionado Iniesta ainda na primeira etapa, enquanto Messi era acompanhado de perto por Van Bommel e Ambrosini, se revezando entre o combate inicial e a cobertura ao melhor jogador do mundo.

barça - milan ucl 2 Na segunda etapa, Milan em 4-4-1-1 visando diminuir os espaços de Dani Alves. Barça, de volta ao 4-3-3 com a entrada de Puyol.

Com a entrada de Puyol na vaga de Keita, o Barcelona voltou ao rotineiro 4-3-3 que o consagrou e controlava a partida, sem sofrer riscos, porém, também não oferecia perigo algum ao gol de Abbiati.

E a exemplo do cotejo de sábado, quando a equipe veSpain Soccer Champions Leaguencia por 2 a 0 a Real Sociedad pelo campeonato espanhol, a tranquilidade virou displicência, e o time já não fazia questão de ofender o adversário. Tal qual na partida da Liga, o time foi castigado, quando Thiago Silva subiu mais que Mascherano após cobrança de escanteio de Seedorf e empatou o jogo já nos acréscimos, dando números finais à peleja.

Um empate heróico para o Milan, e frustrante para o Barcelona, que precisa voltar a manter a concentração até o apito final do árbitro, pois como já dizia o ditado, o jogo só acaba quando termina.

Destaques do Brasileirão – Parte III

Após um longo período, voltamos com os destaques do campeonato. E com todo esse tempo, é natural que sobrem assuntos, mas como não há espaço para todos, peço desculpas se algum tema relevante na opinião dos amigos não estiver presente. Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

  • A volta dos Guerreiros?

Após um primeiro turno muito instável, finalmente o atual campeão Fluminense pegou no breu e já soma quatro vitórias nas quatro primeiras rodadas do returno. Com isso, o time deu um salto da décima segunda para a quinta colocação e hoje estaria classificado para a Taça Libertadores da América de 2012. O time de guerreiros, que foi do inferno do quase rebaixamento em 2009, ao céu do título em 2010, já começa a dar sinais de luz para os ponteiros do campeonato. Destaque para o garoto Lanzini, que se encaixou perfeitamente no time e hoje é o regente da equipe de Abel Braga.

  • Tocou o despertador

Como já foi abordado aqui, Galo e Grêmio precisavam abrir os olhos no campeonato para não passar por maus bocados. Pelo jeito, o despertador tocou tanto em Minas quanto no Rio Grande e os dois times já demonstram forças para sair do limbo, especialmente o tricolor gaúcho, que hoje se encontra há apenas sete pontos da zona de classificação para a Libertadores, e pode sim, sonhar em pleitear uma vaga na competição continental. O sempre tão contestado Celso Roth faz um ótimo trabalho desde que assumiu o time na décima quinta rodada. Desde então, conquistou 16 de 27 pontos disputados, ou seja, mais da metade dos 30 pontos ganhos pelo Imortal. Também muito contestado, Cuca passou por uma crise de seis derrotas consecutivas desde sua estréia no Galo, no entanto, recuperou e conseguiu três vitórias em quatro jogos do returno, suficiente para tirar o alvinegro da zona da degola – agora é trabalhar para se manter fora.

  • Queda Livre

Ao contrário do Fluminense, que só venceu no returno, o seu arqui rival Flamengo só perdeu. O time, que foi o último invicto a cair (primeira derrota veio apenas na 17ª rodada), hoje já acumula cinco derrotas e não está sequer entre os que estariam classificados à Libertadores. E o que mais assusta, é que três dessas cinco baixas foram dentro de casa, e para times que lutam na parte de baixo da tabela. Outro a seguir em queda é o Palmeiras. A campanha regular do primeiro turno ficou para trás e o time ainda não venceu no returno – dois empates e duas derrotas. A defesa, ponto forte do time no turno, sendo disparada a menos vazada com apenas 18 tentos sofridos, hoje é a segunda pior do returno, com nove gols em quatro pelejas.

  • Empurrados pelos seus matadores

Artilheiro e vice-artilheiro do campeonato, Borges e Leandro Damião tem sido decisivos nas campanhas de recuperação de Santos e Inter, respectivamente. Para se ter uma idéia da importância dos dois jogadores, Damião sozinho garantiu 13 dos 39 tentos do Inter (33,3% dos gols), melhor ataque da competição. Borges é ainda mais impressionante, pois anotou 16 (55%) dos 29 gols santistas no campeonato, sendo que dos últimos 6, quatro foram do goleador, que garantiram sete pontos nas últimas três rodadas ao Peixe.

  • Efeito “Ioiô”

Uma arrancada fulminante, uma queda brusca e uma irregularidade de causa inveja. Assim se resume as campanhas de Corinthians e São Paulo, líder e terceiro colocado respectivamente. No time alvinegro, os impressionantes 93% de aproveitamento nas dez primeiras rodadas viraram míseros 33% nas nove rodadas seguintes do turno, e desde a entrada do returno alterna uma vitória e uma derrota, ou seja, nem embala, nem cai. No tricolor é a mesma coisa, após 100% de aproveitamento nas cinco primeiras rodadas, a instabilidade tomou conta da campanha, e depois de fechar o turno com quatro empates nas últimas quatro partidas, o time do Morumbi, tal qual o do Parque São Jorge, alterna vitória e derrota na segunda metade da competição, também não vai, nem racha.

Seleção do Brasileirão:

seleção brasileirão 23

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Palmeiras 2x1 Corinthians – Consistente e Consciente

Há cinco jogos sem vencer e eliminado da Copa Sul Americana, o Palmeiras tinha no clássico contra o rival Corinthians a chance de reanimar seu torcedor e entrar no returno do Brasileirão mais vivo do que nunca na briga pelo título. Por outro lado, o Corinthians também precisava do triunfo para apagar a má impressão deixada na reta final do turno, onde até então, havia conquistado apenas nove dos últimos 24 pontos disputados.

Sem poder contar com o lateral Cicinho, suspenso, Felipão deslocou Marcio Araújo para o setor. Postado no mesmo 4-2-3-1 utilizado ao longo do campeonato, essa foi a única mudança no time verde.

No lado corinthiano, Tite também não pôde contar com seus laterais titulares. Na direita, Alessandro e Weldinho, ambos machucados, foram substituídos pelo improvisado Wallace, enquanto na esquerda, Ramon entrou na vaga de Fabio Santos. Outro desfalque no time foi Alex. O meia, que vinha crescendo de produção, sentiu um incomodo e foi substituído por Emerson, voltando a jogar com dois homens de velocidade pelos lados do campo.

palmeiras 2-1 Corinthians

Assim, o time do Parque São Jorge começou melhor, mantendo a posse da bola e trabalhando no campo de ataque, porém sem ameaçar o gol palmeirense. O Corinthians tocava a bola, porém, sem a velocidade de outrora e com os laterais “travados” no campo de defesa, era incapaz de furar o forte bloqueio defensivo adversário.

Em um raro momento em que Ramon foi ao ataque, o lateral fez bela jogada, passou por dois marcadores e soltou a bomba para a defesa de Marcos. Na sobra, Paulinho também tentou a finalização, que ficou na marcação e sobrou para Emerson. Pelo lado direito, Sheik tentou o cruzamento e a bola entrou direto no gol de Marcos.

Logo após o gol, o Corinthians teve ainda chance de ampliar, desperdiçada por Liedson. Perdendo o jogo e dominado em campo, Felipão decidiu mexer ainda na primeira etapa, trocando o inoperante Patrik pelo recém contratado Fernandão. Com a mudança, Kleber passou a sair mais da área para buscar o jogo, e carregando consigo a marcação dos zagueiros, abria espaços para as infiltrações, especialmente de Luan pela esquerda.

Numa dessas, o camisa 21 foi ao fundo e acabou desarmado por Wallace, que jogou para escanteio. Na cobrança, o goleiro Julio César saiu mal, a zaga bobeou e a bola acabou nos pés do próprio Luan, que fuzilou para empatar.

Foi apenas a primeira falha da defesa corinthiana no cotejo, já que no começo do segundo tempo, um novo vacilo da dupla de zaga decidiu o resultado. Leandro Castan saiu para acompanhar Kleber, e Chicão, saiu na cobertura, porém, errou na linha de impedimento. Resultado, Marcos Assunção encontrou Fernandão completamente livre às costas do camisa 3, o estreante matou no peito e tirou de Julio César para definir o placar.

Na base do abafa, o time do Parque São Jorge cresceu e foi melhor durante o último quarto do jogo, mas, diante de um Palmeiras consistente e consciente, não teve capacidade de chegar ao empate.

Nova derrota alvinegra, que apesar da liderança, fecha o turno com uma “mini-crise”, causada pelo baixo aproveitamento de apenas 33,3% nas últimas nove rodadas. Em contrapartida, o triunfo palmeirense recupera a auto estima verde, em baixa após a queda na Copa Sul Americana e recoloca o time do Parque Antarctica na briga pelo campeonato nacional.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A mudança que decidiu e a volta da confiança

É senso comum que para brigar na parte de cima de um campeonato longo e equilibrado como o Brasileirão, é fundamental ter um elenco numeroso e qualificado, com um bom time titular e peças de reposição à altura.

Ainda assim, alguns treinadores ainda correm o risco de sofrerem com as peças pregadas pelas casualidades do decorrer da competição, como lesões e suspensões.

Foi um problema que Tite encarou na última partida, diante do Atlético Mineiro em Ipatinga. Com o titular da lateral esquerda, Fabio Santos, no estaleiro por cerca de dois meses e o seu substituto imediato, Ramon, também lesionado, o treinador corinthiano foi obrigado a improvisar no setor.

Weldinho, que ocupou a lateral direita nas treze rodadas em que Alessandro esteve fora e voltou ao banco com o retorno do camisa 2, foi quem atuou no setor. Não funcionou.

Deslocado, ficou nítido o “incomodo” do camisa 18 na lateral oposta. Na contenção, foi incapaz de conter os avanços de Patric, que explorava bem o setor. No apoio, ao contrário do que fazia na direita, não buscava o fundo do campo, centralizava e facilitava para a defesa atleticana.

Mas esse não foi o único problema na equipe de Tite. Pela meia direita, Danilo e Paulinho não se entendiam como acontecia entre o volante e Willian. Alessandro não dava opção como Weldinho o fazia pela lateral. O veterano, por sinal, fez uma partida muito fraca tecnicamente. Além disso, Liedson ficava muito isolado no comando do ataque, sem a aproximação do trio de meias. Jorge Henrique verticalizava demais as jogadas e não buscava a penetração na área, e Danilo, centralizava para abrir o corredor para Alessandro, que não o explorava.

Com todas essas deficiências, o Corinthians foi incapaz de levar perigo ao gol de Renan Ribeiro e se tornou presa fácil para o Galo, que com certa facilidade (e uma pequena colaboração do árbitro Marcelo de Lima Henrique, ao anotar o pênalti que originou o segundo gol mineiro), abriu dois tentos a zero sobre o líder do campeonato ainda na primeira etapa.

Corinthians 1 Na primeira etapa, no 4-2-3-1 de toda a temporada: Weldinho na esquerda e o isolamento de Liedson “liquidaram” o Corinthians.

Na tentativa de corrigir os erros apresentados na etapa inicial, Tite trocou o seu pior homem em campo, Alessandro, por Emerson “Sheik”. Com a mudança, Weldinho voltou para a sua posição de origem e Jorge Henrique passou a ocupar a lateral esquerda.

Em função da entrada do camisa 11, o time saiu do seu habitual sistema de 4-2-3-1 utilizado desde o inicio do campeonato e se repaginou em um 4-3-1-2, com Alex na articulação e Sheik fazendo companhia a Liedson.

Corinthians 2 Com a entrada de Emerson, o time migrou para um ofensivo 4-3-1-2 para buscar a virada.

Assim, o time ganhou em movimentação e voltou a ser aquele dos 93% de aproveitamento nas primeiras dez rodadas do certame. Controlando o jogo, mantendo a posse da bola e encurralando o rival em seu campo de defesa, o alvinegro paulista não demorou a chegar ao empate, em gols de Emerson e de Alex, cobrando penalidade sofrida pelo próprio Sheik.

Emerson entrou muito bem e foi o diferencial em favor do Corinthians na partida, fazendo aquela que é disparada a sua melhor atuação desde que chegou ao Parque São Jorge. Além do gol e do pênalti sofrido, Sheik ainda criou diversas oportunidades, se movimentou bem, buscou tabelas e enlouqueceu a defesa mineira, antes de desviar cruzamento do “lateral” Jorge Henrique para que Liedson virasse o placar.

Uma mudança inteligente e pontual de Tite para virar o jogo e levar três importantes pontos de Minas Gerais. Uma vitória emblemática, que devolve a confiança a um grupo forte e homogêneo, que precisava de um trunfo como esse para renascer na competição.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Noite do 13.

 

botafogo 4x0 vasco 

A mística torcida botafoguense podia esperar por algo especial quando Zagallo tocou para o camisa 13, Loco Abreu, no pontapé inicial do clássico contra o Vasco.

Suspenso, Maicosuel deu lugar a Felipe Menezes no meio campo. A mudança tirou a velocidade, no entanto, deu mais cadência à meia cancha. Com inteligência e paciência, Menezes e Renato articulavam as tramas ofensivas alvinegras.

Se o meio campo ficou mais lento com a ausência de Maicosuel, na lateral Cortês tratou de impor velocidade, e com habilidade, criar bons lances pelo lado esquerdo. Como na primeira boa oportunidade do jogo, quando o lateral rolou para Marcelo Mattos soltar a bomba de fora da área que Fernando Prass fez boa defesa.

Apesar da boa intervenção na primeira chance, o arqueiro nada pôde fazer na segunda, quando Renato cobrou escanteio e Antonio Carlos apareceu no primeiro pau para desviar no canto direito de Prass e abrir o marcador. Também em cobrança de escanteio, o Vasco teve a chance de empatar na seqüência, mas Jefferson fez linda defesa em cabeçada de Alecsandro.

O lance serviu para o time cruzmaltino acordar e passar a ter mais a bola, porém, com Marcelo Mattos fechando o cerco para Diego Souza e Renato acompanhando Felipe, a articulação vascaína ficou comprometida e o time não conseguia levar perigo ao gol de Jefferson.

Na base dos contragolpes, o Botafogo ampliou quando Cortês voltou a aparecer. O lateral roubou a bola ainda no campo de defesa e avançou com ela até o meio campo, quando fez ótimo lançamento para Herrera bater forte e Fernando Prass defender parcialmente. No rebote, Loco Abreu apareceu para tocar de direita no gol vazio.

Mais pensador e menos corredor, o Botafogo controlava bem o jogo. Dominava as ações da partida e articulava com paciência a partir da intermediária ofensiva. Felipe Menezes, peça chave no ritmo de jogo demonstrado pelo time de General Severiano, apareceu muito bem quando achou Lucas completamente livre pela direita. O lateral, que substituiu o fraco Alessandro, levantou na área, Prass afastou mal e Elkeson tocou de cabeça para Loco Abreu encher o pé esquerdo e fazer o terceiro.

Após o massacre sofrido na primeira etapa, Ricardo Gomes voltou com Juninho Pernambucano na vaga de Marcio Careca, deslocando Jumar para a lateral esquerda. Apesar da qualidade indiscutível do “Reizinho”, não acho que era o momento para o camisa 8. Com Diego Souza apagado, o time precisava de mais velocidade.

Embora seja um grande jogador, um problema que Diego Souza carrega consigo há muito tempo é o seu estopim curto. Especialmente quando não joga bem, como no clássico deste domingo. Resultado disso foi o bate boca entre o camisa 10 e o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que culminou com a expulsão do meia vascaíno.

Antes disso, Loco Abreu perdeu duas ótimas oportunidades de ampliar o marcador. Uma, em linda defesa de Fernando Prass e outra quando o avante acertou o travessão após mais um cruzamento de Cortês, o homem do jogo que deu lugar a Marcio Azevedo após o lance.

Quem ampliou foi Herrera, aproveitando boa jogada de Renato. O camisa 8 carregou por dentro e na entrada da área serviu para o argentino tirar de Fernando Prass e fechar o placar.

Uma goleada tão importante quanto improvável, devido ao ótimo momento que vivia o time da Colina e a inconstância do Glorioso. Um resultado que dá mais tranqüilidade no ambiente botafoguense, pois só assim o bom time de Caio Junior poderá render tudo o que pode e manter uma regularidade para continuar a luta na parte de cima da tabela.