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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mini RJ/SP: O Sofrível, o Reizinho e o Passeio

Um mini torneio Rio-São Paulo aconteceu nessa décima rodada de Campeonato Brasileiro. Nos três duelos entre cariocas e paulistas, equilíbrio total: uma vitória pra cada lado e um empate. Abaixo, uma analise de cada um desses três confrontos:

Santos 0-0 Botafogo

Sofrível é o melhor termo para definir o que se viu na Vila Belmiro. De um lado, um Santos totalmente perdido sem a presença de Neymar em campo, e do outro, um Botafogo que não acreditou que pudesse vencer o time da baixada em seu território. Com isso, os dois times pouco criaram e o placar não poderia ser outro.

Além de seu astro maior e dos outros selecionáveis Rafael e Ganso, o alvinegro praiano ainda ficou sem seu capitão Edu Dracena logo no inicio da partida. O 4-3-1-2 de Muricy Ramalho tinha como saída de jogo apenas o lado direito, com o promissor lateral Bruno Peres. Isso porque pelo centro os volantes Henrique e Arouca pouco apoiavam o encaixotado Felipe Anderson, que nada criou.

No lado botafoguense, Renato ditava o ritmo de jogo no 4-2-3-1 de Osvaldo de Oliveira, que tinha Marcio Azevedo subindo bem pela esquerda, explorando o corredor aberto por Fellipe Gabriel, quando esse centralizava, como no lance em que acertou um chutaço no travessão, que acabou sendo o melhor lance de todo o jogo.

Foi o sétimo empate do Santos em dez partidas. Um número muito alto que assusta o torcedor santista, que espera ansiosamente pela volta de Neymar para quem sabe, o time tomar um norte e subir na tabela. Para o Botafogo, fica além do gosto que o resultado poderia ter sido melhor, a boa impressão deixada pelo estreante Rafael Marques, se movimentando bem no comando do ataque e deixando claro que pode sim ser o nove que faltava a equipe.

Santos - BotaCom Felipe Anderson bem marcado por Lucas Zen e pouco apoio dos volantes, o 4-3-1-2 santista ficou sem poder de criação. No Botafogo, a dúvida agora é: Onde entrará Seedorf em um meio campo funcionando tão bem?

São Paulo 0-1 Vasco da Gama

O jogo de número 350 de Juninho Pernambucano com a camisa do Vasco poderia ter sido premiado com um gol do Reizinho. Poderia, não fossem as boas aparições de Denis ao intervir as tentativas do melhor jogador da partida, que comandou o Gigante da Colina na importante vitória.

Ney Franco abdicou do meio campo em losango utilizado no clássico contra o Palmeiras e voltou a aplicar no São Paulo o mesmo 4-2-3-1 que era usado com Emerson Leão, com Cícero um pouco mais recuado pela esquerda e Osvaldo espetado pela direita. Com dois jogadores muito jovens à frente da linha de zaga, o tricolor ficou sem pegada e viu o Vasco, sob a batuta de Juninho, sobrar em campo. O Reizinho iniciava praticamente todos os lances do time carioca e fazia a bola chegar com qualidade aos atacantes, que paravam nas mãos de Denis.

Porem, nem mesmo a boa atuação do arqueiro são paulino foi capaz de segurar a pressão cruzmaltina, e logo no inicio da etapa final, Fagner tabelou com William Barbio e finalizou com força após ganhar de Cortes na corrida. Denis que tanto pegou, dessa vez foi mal e tocou a bola pra dentro do gol, sendo crucial no tento único da partida.

A exemplo da maioria de suas partidas, o Vasco, mais uma vez, venceu mesmo sem ser brilhante, e essa é uma das principais características de time que vai brigar pelo título. Se conquistará, é outra história, mas o time de São Januário dá claros sinais de que novamente irá lutar até o fim pela taça.

OBS.: Contando com o Brasileiro de 2011, o Vasco chega à impressionante marca de 35 rodadas seguidas presente no G4.

SPFC - VascoO 4-3-3 do Vasco que sobrou no Morumbi, com os ponteiros atuando entre as duas linhas e Juninho controlando e distribuindo o jogo. No São Paulo, Ney Franco parece ainda não ter encontrado a formação ideal, que talvez seja o 3-5-2 usado por Milton Cruz.

Flamengo 0-3 Corinthians

Provavelmente você já ouviu falar em “posse de bola mentirosa”. Isso ficou muito claro ontem no Engenhão, quando o Flamengo terminou a partida com a bola em seu poder por 60% do tempo de jogo. Mas foi totalmente inoperante, e mesmo com essa posse bem superior, finalizou apenas sete vezes (uma na direção do gol), contra treze tiros corinthianos, sendo seis na direção do gol e três nas redes.

O time corinthiano entrou em campo como de costume: 4-2-3-1, com pressão no campo de ataque, sufocando a saída de bola adversária e muita movimentação dos homens de frente, com uma sutil diferença. Ao invés dos quatro inverterem seus posicionamentos, dessa vez, apenas os pontas e o “centroavante” Emerson invertiam, enquanto Douglas, o articulador central da linha de três armadores, permanecia no setor.

E foi ali que o camisa 15, ao melhor estilo do time de Tite, roubou a bola de Botinelli e avançou para abrir o placar. Foi também pelo centro que Douglas aproveitou a bobeada de Renato ao tentar dar um passe de calcanhar e acertou um belo chute de fora da área para fazer o segundo e praticamente definir a fatura ainda no primeiro tempo.

Curioso nos dois gols corinthianos é que tanto Botinelli quanto Renato Abreu eram os últimos homens em ambos os casos. Prova da desorganização tática do Flamengo de Joel Santana, que deixa aqueles que em tese seriam armadores da equipe, em posição complicada do campo, sem uma retaguarda para cobrir eventual erro.

Outra prova da desordem rubro negra ficou no terceiro gol, quando seis defensores flamenguistas foram colocados na roda por três corinthianos. De Romarinho para Alessandro, do lateral para Douglas deixar novamente com Romarinho, que acionou para Danilo chegar fuzilando de primeira e sepultando o inerte time da casa. E o placar poderia ter sido maior, não fosse à boa atuação de Paulo Victor, pegando inclusive uma penalidade cobrada por Emerson.

O Flamengo clama por uma reforma antes que piore. Conta com alguns bons e experientes nomes no time, que podem perfeitamente dar suporte a jovens talentosos como Adryan e Matheus, que pedem passagem no time titular. Muito distante da ponta, o Corinthians pensa primeiro em sair da zona incomoda em que se encontra e ir azeitando a equipe para o Mundial no fim do ano. Porém, é bom que os primeiros colocados não vacilem, pois o time de Tite é muito forte e já mostrou sua capacidade de ir longe.

Fla - TimaoO 4-2-3-1 de Tite, que com mobilidade e pressão na saída de bola adversária, envolveu completamente o Flamengo e construiu com facilidade a vitória.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Temporada 2012: Como devem começar os 12 principais clubes do país

Enfim, está acabando janeiro e a bola está prestes a voltar a rolar Brasil á fora. Aproveitando que nesse fim de semana começam os estaduais, este blogueiro tratou de fazer uma analise das doze principais equipes do país. Quem saiu, quem chegou e como deverão ser escalados por seus respectivos treinadores. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Atlético-MG

Chegaram: Rafael Marques (Z, Grêmio), Marcos Rocha (LD, América-MG), Leandro Donizete (V, Coritiba), Danilinho (M, Tigres-MEX), Escudero (M, Grêmio).

Saíram: Daniel Carvalho (M, Palmeiras), Magno Alves (A, Umm Salal-Catar), Toró (V, Figueirense), Renan Oliveira (M, Coritiba), Guilherme Santos (LE, Figueirense).

O time que chegou a sofrer no Brasileirão e só foi recuperado graças ao ótimo trabalho de Cuca foi praticamente todo mantido, tendo como baixa significativa apenas as saídas de Daniel Carvalho e de Magno Alves, que foram prontamente substituídos com as chegadas de Danilinho e Escudero.

O primeiro tem tudo para ocupar a vaga de meia central no 4-2-3-1 de Cuca, deixada em aberto justamente pela saída de Daniel Carvalho. Já o segundo, deve brigar por uma vaga na beirada esquerda com Bernard, com uma boa vantagem para a jovem promessa, que ao lado de Felipe Soutto, foram os maiores achados do treinador na reta final do certame nacional.

Outra boa noticia para a torcida do Galo é a permanência de Pierre, que chegou bem “à mineira”, comendo quieto e acabou se tornando peça fundamental no esquema atleticano, fazendo boa proteção à defesa. Dos outros reforços, apenas Marcos Rocha deverá encontrar uma vaga no time titular. Rafael Marques e Leandro Donizete acrescem qualidade ao elenco, mas deverão ralar para brigar por um lugar entre os onze.

Atlético-MG 2012 Provável time titular: O mesmo 4-2-3-1 do final do Brasileirão, com a entrada de Danilinho na meia central. Ainda falta um nome de respeito para a lateral esquerda.

Botafogo

Chegaram: Rojas (LE, Universidad de Chile), Brinner (Z, Paraná), Andrezinho (M, Internacional), Jobson (A).

Saíram: Alessandro (LD, dispensado), Alexandre Oliveira (A, dispensado), Cortês (LE, São Paulo), Gustavo (Z, Portuguesa).

O decepcionante desempenho na reta final do Brasileirão culminou com a saída do ex-treinador Caio Junior antes mesmo que a competição nacional chegasse ao fim. Mas, engana-se quem pensa que por isso uma grande reformulação seria feita em General Severiano.

Com exceção a Cortês, que partiu para o São Paulo, o restante do grupo é praticamente o mesmo. Para ocupar a vaga deixada na lateral esquerda, a diretoria alvinegra agiu bem e trouxe o ótimo Rojas, capitão da Universidad de Chile que encantou na Copa Sulamericana. Além do chileno, chegou também Andrezinho, sonho antigo da direção botafoguense que vem para ser o camisa 10 que faltou ao time no ano passado.

O retorno de Jobson ainda deve ser tratado como uma incógnita, afinal, o jovem e talentoso atacante precisa por a cabeça no lugar, pois só assim conseguirá render todo o seu futebol. Sob o comando do contestado, porém, vencedor, Oswaldo de Oliveira, o time tem tudo para fazer uma boa temporada e quem sabe, faturar estadual ou Copa do Brasil.

Botafogo 2012 Provável time titular: Basicamente, o mesmo 4-2-3-1 utilizado por Caio Junior. A boa movimentação da trinca de meias, mais as chegadas de Renato, podem ser fatores de desequilíbrio.

Corinthians

Chegaram: Gilsinho (A, Jubilo Iwata-JAP), Cássio (G, sem clube), Vitor Junior (M, Atlético-GO), Felipe (Z, Bragantino), Chen Zhi-Zhao (A, Nanchang Hengyuan-CHN), Elton (A, Vasco).

Saíram: Taubaté (A, Botafogo-SP), Wellington Saci (LE, Vitória), Moradei (V, São Caetano), Bruno Otávio (V, Paulista), Morais (M, Bahia), Marcelo Oliveira (V, Cruzeiro), Rafael Santos (G, Bragantino) e Elias Oliveira (A, Comercial).

Após as frustradas tentativas na contratação de nomes como Tevez, Cristian e principalmente Montillo, não há mais dúvidas que o grande “reforço” do time do Parque São Jorge é a manutenção do grupo que faturou o penta campeonato brasileiro em 2011.

O entrosamento é o grande trunfo da equipe e já foi inclusive testado e aprovado no amistoso diante do Flamengo, onde os titulares mesmo sem ritmo, foram bem superiores ao time carioca e abriram dois tentos a zero na primeira etapa – no segundo tempo, com os times reservas, o Rubro-Negro chegou ao empate.

O técnico Tite não tem do que reclamar quando o assunto é opção de banco, outro ponto forte do alvinegro paulista. Com um elenco homogêneo, o treinador tem a disposição jogadores que não fogem ao padrão da equipe e que fazem uma boa “sombra” aos titulares. A diretoria ainda corre atrás de um reserva para Ralf, única posição onde ainda falta um nome de qualidade entre os suplentes, além de um meia extremo, para ocupar o lado direito do 4-2-3-1 utilizado pelo treinador.

Corinthians 2012 Provável time titular: O mesmo time que terminou o Brasileirão. Pressão no campo adversário, boa movimentação do quarteto ofensivo, manutenção da posse de bola e as chegadas dos laterais e de Paulinho, a receita que funcionou em 2011 e que será repetida em 2012.

Cruzeiro

Chegaram: Diego Arias (PAOK-GRE), Amaral (V, América-MG), Rudnei (V, Ceará), Gilson (LE, América-MG), Mateus (Z, Portuguesa), Thiago Carvalho (Z, Boa Esporte), Marcelo Oliveira (V/LE, Atlético-PR), Jackson (LD, Dallas-EUA), Walter (A, Porto).

Saíram: Fabrício (V, São Paulo), Charles (V, Lokomotiv-RUS), Vitor (LD, Goiás), Naldo (Z, Grêmio), Marquinhos Paraná (V, dispensado), Ortigoza (A, Hyundai-COR).

O fraco desempenho no Brasileirão fez com que a nova diretoria cruzeirense prometesse drásticas mudanças, mas não é o que tem se visto até o momento. A começar pelo treinador Vagner Mancini, mantido, mesmo com campanha pra lá de irregular que só não culminou com o rebaixamento graças à fraqueza dos rivais.

O grupo também não sofreu grandes mudanças. A aposta em nomes que terminaram rebaixados em suas equipes, como Amaral, Rudnei, Gilson e Marcelo Oliveira, não me parecem uma solução definitiva para o clube, especialmente no setor de meio campo, carente de boa saída de bola desde que Henrique deixou a Raposa e que tende a piorar com a partida de Fabrício.

As boas noticias para a torcida celeste ocorreram dentro da própria Toca. Primeiro com a manutenção de Montillo, depois de dura queda de braço com São Paulo e Corinthians pelo argentino. O retorno do talentoso Wallyson, após grave lesão que o afastou da equipe durante todo o segundo semestre de 2011 também é um ótimo “reforço interno”. Dos demais nomes apresentados, apenas o de Walter me agrada, mas o jovem avante ex-Porto terá uma briga intensa por uma vaga no time. Particularmente, eu não apostaria nenhuma ficha na Raposa para conquistas em 2012 – a não ser no Estadual, onde disputa com o rival Atlético.

Cruzeiro 2012 Provável time titular: 4-3-1-2 com muita pegada e pouca qualidade técnica no meio campo. A dependência de Montillo tende a aumentar.

Flamengo

Chegaram: Itamar (A, sem clube), Magal (LE, Americana), Marcos González (Z, Universidad de Chile).

Saíram: Fernando (V, dispensado), Ronaldo Angelim (Z, dispensado), Fierro (M, Colo Colo), Thiago Neves (M, Fluminense).

Nem mesmo a boa quarta colocação no Brasileirão e a vaga na fase prévia da Libertadores são capazes de esfriar os ânimos no Flamengo. O ano mal começou e as turbulências já tomam conta da Gávea. Salários atrasados, demora na renovação das principais estrelas, que culminou com a saída de Thiago Neves para o rival Fluminense e no afastamento de Alex Silva, à procura de uma negociação – além da situação de Ronaldinho, ainda não resolvida, embora bem encaminhada.

Toda essa várzea às vésperas da pré-Libertadores é um grande risco – Corinthians que o diga. Por mais que o time do Real Potosí não seja nenhum pouco assustador, a falta de preparação e de foco do Rubro-Negro carioca pode pôr em xeque todo o primeiro semestre da equipe, que em caso de derrota terá de se contentar apenas com o estadual.

Marcos Gonzalez, era para chegar e formar dupla com Alex Silva na defesa e não para substituí-lo. Agora, mesmo com a chegada do brasileiro naturalizado chileno, o time ainda carece de um bom beque, além de um meia para suprir a lacuna deixada por Thiago Neves e um centroavante, urgência na equipe desde a temporada passada, e Itamar, está longe de ser uma solução.

Solução essa, que pode estar dentro de casa mesmo, caso Luxemburgo saiba trabalhar com os jovens que tem a disposição. Luiz Antonio, Muralha, Thomás e Adrian são jogadores de qualidade, que bem lapidados podem facilmente brigar por uma vaga no time titular.

Fla 2012 Provável time titular: O time que terminou o Brasileiro sofreu poucas mudanças, porém, para pior. Gonzalez e Botinelli não estão, nem de longe, no mesmo nível de Alex Silva e Thiago Neves, que sem dúvidas farão muita falta.

Fluminense

Chegaram: Bruno (LD, Figueirense), Anderson (Z, Atlético-GO), Jean (LD/V, São Paulo), Wagner (M, Gaziantepspor-TUR), Carleto (LE, sem clube), Thiago Neves (M, Flamengo).

Saíram: André Luis (Z, dispensado), Mariano (LD, Bordeaux-FRA), Fernando Bob (V, Atlético-GO), Diogo (V, Sport), Marquinho (M, Roma-ITA), Ciro (A, Bahia).

O Fluminense foi quem melhor se mexeu no mercado de janeiro. As poucas baixas sofridas no grupo que terminou o Brasileirão, foram prontamente repostas e a altura. Mariano, que partiu rumo ao Bordeaux, foi substituído por Bruno, um dos melhores laterais do campeonato nacional pelo Figueirense. Para a vaga do coringa Marquinho, veio o ótimo Wagner, que qualifica ainda mais o passe no meio tricolor.

Além dos dois, chegaram também o bom zagueiro Anderson, Jean, volante de qualidade mal aproveitado na lateral direita no São Paulo e Thiago Neves, o ex-ídolo que chega com alto índice de rejeição por parte da torcida por tudo que falou enquanto vestia a camisa do Flamengo, mas com futebol de sobras para recuperar o prestigio perdido.

Abel Braga começa a temporada com um dos mais fortes plantéis do país e tem tudo para levar o time das Laranjeiras longe nas competições em disputa.

Flu 2012 Provável time titular: Esquema preferido de Abelão, o 4-3-1-2 pode ser utilizado com Deco fazendo o vértice direito do losango no meio campo, Wagner como enganche e Thiago Neves sendo o segundo atacante, encostando em Fred.

Grêmio

Chegaram: Kleber (A, Palmeiras), Leo Gago (V, Coritiba), Marco Antonio (M, Portuguesa), Marcelo Moreno (A, Shakhtar Donetsk), Pablo (Z, Ceará), Naldo (Z, Cruzeiro), Douglas Grolli (Z, Chapecoense), Edílson (LD, Atlético-PR).

Saíram: Adilson (V, Terek Grozny-RUS), William Magrão (V, Ponte Preta), Maylson (M, Portuguesa), Wesley (A, ASA de Arapiraca), Rodolfo (Z, Vasco), Brandão (A, Olympique Marseille), Escudero (M, Atlético-MG), Rafael Marques (Z, Atlético-MG).

Reformulação total no Olímpico. A começar pelo treinador, Caio Junior, que assumiu o time no fim da temporada e deu seu aval em todas as contratações, algo essencial para a montagem da equipe.

De acordo com informações do amigo Eduardo Cecconi (blogueiro do Tabuleiro e setorista no Grêmio), Caio Junior arma sua equipe em um 4-2-2-2 com meias abertos e armando com o pé invertido – algo parecido com o que faz Roberto Mancini no Manchester City. O canhoto Douglas, pela direita, enquanto o destro Marco Antonio ocupa a faixa esquerda. Na frente, Kleber e Marcelo Moreno tem tudo para formar uma das melhores duplas de ataques do país.

Fernando e Leo Gago fazem a proteção à jovem defesa, grande risco do Imortal, já que a inexperiência pode pesar. Ainda assim, a torcida gremista tem motivos para se animar, já que Caio Junior conta com um ótimo grupo, sem dúvidas, um dos grandes favoritos à conquista da Copa do Brasil.

Gremio 2012 Provável time titular: 4-2-2-2 com meias extremos invertidos. Bem servidos Kleber e Marcelo Moreno podem infernizar muitas defesas.

Internacional

Chegaram: Dagoberto (A, São Paulo), Marcos Aurélio (A, Coritiba), Josimar (M, Ponte Preta), Fabrício (Z, Portuguesa).

Saíram: Lauro (G, Ponte Preta), Siloé (A, Náutico), Sorondo (Z, Grêmio), Andrezinho (M, Botafogo), Ilsinho (M, Catania-ITA), Rodrigo (Z, Vitória), Zé Roberto (M, Bahia), Thiago Humberto (M, Goiás).

Poucos, porém, pontuais. Esses são os reforços do Inter que assim como o Flamengo, tem um duro desafio logo no inicio da temporada pela fase prévia da Libertadores. No entanto, se o adversário dos cariocas não assusta, o Once Caldas, rival gaúcho, no mínimo merece respeito pela sua força na última década, inclusive faturando o torneio continental em 2004.

Dagoberto, chega para suprir uma carência do time desde a saída de Taison para o futebol ucraniano, ainda no meio do ano de 2010. Um atacante rápido e habilidoso que jogue pelos lados do campo, capaz de ajudar na marcação e de puxar contragolpes em velocidade, encostando em Damião. Marcos Aurélio, tem potencial para ser titular e com o tempo deve ganhar uma vaga no time, mas a priori, chega para compor elenco.

Um problema que o técnico Dorival Junior ganhou nos últimos dias foi o assédio do emergente futebol chinês sobre sua principal estrela, Andres D’Alessandro. Caso perca o seu camisa 10, o próprio treinador já admitiu que terá de repensar a equipe, afinal, na proposta atual, D’Ale é quem dita o ritmo de jogo e carimba todas as transições ofensivas do Colorado.

Inter 2012 Provável time titular: Caso D’Alessandro fique, esse deve ser o Inter. 4-2-3-1 com Dagoberto espetado, jogando mais próximo a Leandro Damião. Josimar, Elton e Bolatti brigam por uma vaga no meio, na estréia pelo Gauchão, contra o Novo Hamburgo, o primeiro foi titular.

Palmeiras

Chegaram: Juninho (LE, Figueirense), Adalberto Roman (Z, River Plate), Daniel Carvalho (M, Atlético-MG), Barcos (A, LDU-EQU).

Saíram: Gabriel Silva (LE, Udinese-ITA), Rivaldo (V/LE, Sport).

Se algum time precisava de reforços, esse time era o Palmeiras. Dos poucos que chegaram até agora, nenhum me parece como solução para os problemas da equipe que se não correu riscos de cair no Brasileirão, tampouco ameaçou um lugar melhor na tabela do que a modesta 11ª colocação em que terminou.

Juninho, que fez ótimo campeonato pelo Figueirense e foi sem dúvidas o melhor lateral esquerdo da competição, chega para resolver os problemas da faixa esquerda da defesa, resta saber se não sentirá o peso da camisa verde. O argentino Barcos é bom centroavante. É forte, sabe se posicionar, fazer o papel de pivô, além de ter faro de gol, no entanto, precisará de período para se adaptar ao futebol brasileiro. Daniel Carvalho não me agrada, e não creio que resolva os problemas na criação palmeirense, que conta ainda com o irregular Valdivia, que precisa de seqüência de jogos para fazer valer o investimento palestrino.

Para piorar a situação, o torcedor palmeirense começa o ano de luto pela aposentadoria do ídolo eterno (São) Marcos. E sem ele, Felipão perde além de um grande goleiro, um excelente pára-raios que sempre dava a cara pra bater quando a situação se complicava. Na opinião deste que vos escreve o torcedor palmeirense não deve ter boas perspectivas para o ano de 2012, onde pode até levar o estadual – mais pela falta de interesse dos rivais do que pela própria qualidade, diga-se – mas, precisa melhorar e muito para brigar por um algo a mais.

Palmeiras 2012 Provável time titular: O mesmo 4-2-3-1 da temporada passada. Daniel Carvalho, mais habituado a jogar centralizado, terá que se adaptar a jogar pela faixa direita do campo, mas deve inverter constantemente com Valdivia. Bolas paradas de Marcos Assunção continuam sendo o grande trunfo alviverde.

Santos

Chegaram: Fucile (LD, Porto-POR), Juan (LE, São Paulo).

Saíram: Danilo (LD, Porto-POR), Rodrigo Possebom (V, dispensado), Bruno Aguiar (Z, Sport).

A forma melancólica como o time encerrou o ano de 2011, sendo goleado pelo Barcelona, não deve ter reflexos na nova temporada, afinal, por mais que o time tenha sido um tanto apático, a missão contra uma das melhores equipes de todos os tempos realmente não era nada fácil.

Praticamente, nenhum reforço foi integrado ao já ótimo grupo. Fucile veio do Porto para substituir a lacuna deixada por Danilo, que foi justamente para o time português. Com isso, o time deve ganhar mais força na marcação, mas perde e muito na boa válvula de escape que era o ex-lateral. Por falar em lateral, Juan chega do São Paulo para fazer sombra e por ventura substituir o veterano Leo, que certamente não deverá jogar com freqüência nessa temporada.

O melhor dos reforços para o técnico Muricy Ramalho veio ainda na temporada passada, com a renovação de contrato de Neymar até 2014. Com o craque mais a ótima companhia de Ganso, o Santos segue forte. Mas ainda carece de um bom zagueiro.

Santos 2012 Provável time titular: O mesmo 4-3-1-2 de 2011. Liberdade total para Neymar transitar pelo campo e procurar de onde decidir.

São Paulo

Chegaram: Fabrício (V, Cruzeiro), Cortês (LE, Botafogo), Cleber Santana (V, Atlético-PR), Edson Silva (Z, Figueirense), Maicon (V, Figueirense), Paulo Miranda (Z, Bahia), Jadson (M, Shakhtar Donetsk-UCR).

Saíram: Dagoberto (A, Inter), Marlos (M, Metalist-UCR), Xandão (Z, Sporting-POR), Jean (V/LD, Fluminense), Rivaldo (M, dispensado), Carlinhos Paraíba (V, Omiya Ardija-JAP), Juan (LE, Santos).

O Tricolor paulista foi ao lado do carioca o clube que melhor se saiu durante a janela de transferências. Nem tanto pelos reforços que chegaram, a maioria discreta e buscando seu espaço, mas sim pelos atletas que saíram.

O time se livrou de jogadores fracos e que mais atrapalhavam do que ajudavam. Com exceção a Dagoberto, o restante nenhum fará falta, nem mesmo o veterano Rivaldo, que tinha simpatia de parte da torcida, mas, em campo, não mostrou a que veio.

Dos que chegaram, destaque para três nomes. Fabrício, que deve ocupar uma das vagas no losango de meio campo tricolor. Cortês, que apesar da queda de rendimento no fim do ano, já mostrou ser ótimo jogador e é o novo dono da lateral esquerda. E Jadson, que chega para resolver um problema antigo do clube, a falta de um bom camisa 10. Se resolverá ou não, são outros quinhentos, mas é fato que se trata de um belíssimo jogador, de toque refinado e que tem tudo para formar um perigoso trio ofensivo ao lado de Lucas e Luis Fabiano, que totalmente recuperado, tem tudo para ser novamente o matador que sempre foi.

Caso Leão acerte a equipe e faça um bom trabalho, o time do Morumbi é muito favorito à conquista da Copa do Brasil, uma das poucas taças que ainda faltam no seu salão.

SPFC 2012 Provável time titular: Com volantes de muita qualidade na saída de bola e laterais bastante ofensivos, o 4-3-1-2 (ou 4-3-2-1 dependendo do posicionamento de Lucas) parece o melhor sistema para o Tricolor.

Vasco da Gama

Chegaram: Rodolfo (Z, Grêmio), Thiago Feltri (LE, Atlético-GO), Tenório (A, Al-Nassr-ASD), Abelairas (M, River Plate).

Saíram: Irrazábal (LD, dispensado), Marcio Careca (LE, Mirassol), Elton (A, Corinthians), Patrick (A, Vila Nova-GO).

Poucos nomes chegaram no atual vice campeão brasileiro e atual campeão da Copa do Brasil. Para chegar e começar entre os onze, apenas Rodolfo e Thiago Feltri. O primeiro, é ótimo zagueiro e caso não se machuque tanto, deve formar ao lado de Dedé a melhor dupla do país. O segundo, vem de bom campeonato brasileiro pelo Atlético-GO, porém já teve oportunidade em clube grande (Atlético-MG) e não soube lidar com a pressão.

A saída de Elton para o Corinthians abre caminho para Alecsandro recuperar a vaga de titular no time, uma vez que o equatoriano Carlos Tenório não me parece com potencial maior. Uma alternativa para o papel de 9 é adiantar Diego Souza, e com isso, escalar um outro volante de oficio, para reforçar a marcação.

No mais, o time que tentará o bi na Libertadores é praticamente o mesmo que terminou a temporada. O fôlego no meio campo, com os veteranos Felipe e Juninho Pernambucano é um dos problemas a serem solucionados por Ricardo Gomes (ou Cristóvão Borges). Aí voltamos ao parágrafo anterior, onde já adiantamos uma possível formação com outro volante (Eduardo Costa ou Allan) e Diego Souza no comando de ataque.

Vasco 2012 Possível time titular: Praticamente o mesmo time de 2011. 4-3-1-2 com os veteranos Juninho e Felipe qualificando a saída de bola e Diego Souza como trequartista. Pela direita, com Eder Luis e Fagner, a melhor opção de jogo cruzmaltina.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cinco vezes Corinthians: Cinco jogos marcantes no caminho do título

corinthians_campeao_brasileiro_2011_04

O empate sem gols contra o arqui-rival Palmeiras foi o suficiente para o Corinthians se sagrar campeão nacional pela quinta vez em sua rica história. Uma conquista justíssima, que vem coroar uma campanha, senão irretocável, sólida o bastante para manter o time entre os quatro melhores da competição durante as 38 rodadas, sendo 27 delas na ponta.

A manutenção do técnico Tite mesmo nos momentos de turbulência da equipe, e a crença do treinador em seu imutável 4-2-3-1 e em sua proposta de jogo de intensidade e rotatividade desde o primeiro minuto, sufocando os adversários, foram pontos de destaque no alvinegro paulista, e para fazer a justa homenagem ao campeão do país, o blog traz um resumo de cinco jogos, que para esse que vos escreve foram os mais importantes ou inesquecíveis no caminho do título.

26/06/2011 – 6ª Rodada
Corinthians 5x0 São Paulo

O time que teve 17 das suas 21 vitórias obtidas pela diferença mínima, aplicou a maior goleada contra o rival Tricolor, e justo quando o time do Morumbi liderava e dominava a competição, após uma seqüência de cinco vitórias nos cinco primeiros jogos. O triunfo garantiu ao time do Parque São Jorge a liderança pela primeira vez na competição, posição que a equipe não mais largou.

Com atuação de gala, impondo seu jogo desde o primeiro minuto, o Corinthians só veio construir a goleada a partir da segunda etapa, quando já jogava com um jogador a mais após a tola expulsão de Carlinhos Paraíba ainda aos 40 minutos da etapa inicial.

Mesmo com um buraco na meia cancha devido a expulsão, o então técnico são paulino Paulo César Carpeggiani optou por não abrir mão do seu poder de fogo para recompor o sistema defensivo, e o time pagou caro por isso. Logo no primeiro minuto, Danilo anotou um golaço que deu inicio ao massacre. Liedson três vezes e Jorge Henrique com grande colaboração de Rogério Ceni definiram aquela que viria a ser a maior goleada do Timão no caminho do título e a maior no Majestoso. (LEIA MAIS AQUI).

Corinthians 5-0 são pauloFormações iniciais do clássico: Enquanto esteve 11 contra 11, o São Paulo conseguiu segurar o ímpeto corinthiano. Com um a menos e totalmente exposto, Tricolor foi presa fácil.

14/07/2011 – 12ª Rodada
Corinthians 1x0 Internacional

Uma das melhores atuações da equipe no campeonato, que serviu para consolidar a liderança em jogo adiantado da décima segunda rodada e abrir boa vantagem sobre o então vice colocado Flamengo. Contra um adversário fechado e esperando uma brecha para contra atacar com seu perigoso quarteto ofensivo, o Corinthians precisou ser impecável, técnica e especialmente taticamente.

No jogo de muito estudo e pouquíssimas oportunidades, o time da casa foi feliz em uma delas quando Fabio Santos fez boa jogada pela esquerda e cruzou rasante para Paulinho dominar e ajeitar para Willian acertar o canto direito de Muriel, com precisão cirúrgica para garantir mais três pontos ao futuro campeão.

Corinthians 1-0 interContra um Inter acuado, o Corinthians precisou de inteligência e especialmente paciência para chegar ao triunfo.

08/09/2011 – 22ª Rodada
Corinthians 2x1 Flamengo

Na primeira das decisões antecipadas encaradas pelo time alvinegro, a torcida se fez presente para buscar a vitória contra o algoz na Libertadores do ano anterior. E o placar do torneio continental se repetiu, porém com enredo bem diferente. Se naquela ocasião, a vitória por dois tentos a um não foi suficiente para classificar os paulistas, dessa vez, a virada (uma dentre as seis viradas do time de Tite) sobre o rubro negro carioca serviu para manter a ponta com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

O gol (achado) de Deivid em cobrança de escanteio de Ronaldinho ainda no primeiro tempo não abalou o Corinthians, que não abdicou do seu estilo e seguiu martelando até chegar ao empate e conseqüentemente à virada, com dois gols de Liedson em dois cruzamentos de Willian, que entrara na vaga de Jorge Henrique durante o jogo, dando mais dinâmica e poder de fogo ao time e sendo crucial na vitória sofrida, como a torcida alvinegra diz gostar.

Corinthians 2-1 flamengoPara virar e vencer a primeira “final” do campeonato, o time mostrou maturidade ao lidar com o placar adverso em jogo tão nervoso.

02/10/2011 – 27ª Rodada
Vasco 2x2 Corinthians

A segunda “decisão” dentro do campeonato, dessa vez, com o Corinthians atrás na tabela e precisando vencer para recuperar a ponta. O triunfo não veio, mas o empate em dois tentos assegurou que o Vasco, então com dois pontos de frente, não disparasse na tabela.

Mesmo sem contar com Liedson, Emerson ou Adriano, Tite não abriu mão de seu sistema de 4-2-3-1, lançando Alex como uma espécie de “falso 9”, fazendo o pivô ou abrindo espaços para o trio de meias que vinha de trás.

E foi assim que o time chegou ao empate em duas oportunidades: Primeiro quando Danilo serviu para Alex fazer o papel de centroavante e igualar após o gol de Dedé pelo Vasco; Já na segunda etapa, em desvantagem depois do gol de Fagner no fim dos quarenta e cinco minutos iniciais, Willian cruzou e dessa vez foi Danilo quem apareceu com liberdade para testar e no canto de Fernando Prass e garantir que o time carioca não desgarrasse dos corinthianos na ponta.

Vasco 2-2 CorinthiansSem um centroavante de oficio, Tite lançou Alex como “falso 9” no comando do ataque corinthiano. Funcionou.

20/11/2011 – 36ª Rodada
Corinthians 2x1 Atlético-MG

Talvez o mais emocionante jogo da campanha vitoriosa alvinegra. A torcida corinthiana que lotou o Pacaembu na antepenúltima rodada não podia esperar uma vitória com tanta cara de Corinthians como a virada sobre o Galo que serviu para recuperar a liderança perdida para o Vasco um dia antes, após a vitória cruzmaltina sobre o rebaixado Avaí.

Diante de um Atlético muito bem armado por Cuca, o Corinthians errava muitos passes e não conseguia impor seu ritmo na primeira etapa, que terminou de maneira modorrenta.

O gol de Leonardo Silva logo aos nove minutos, foi um susto e tanto na torcida, que viu a partir dos 32, uma das mais épicas viradas de placar no campeonato. Primeiro com Liedson, aproveitando cruzamento de Alessandro para igualar. E depois com Adriano, o Imperador que ressurgiu das cinzas para voltar a marcar mais de um ano e meio depois de seu último gol (o último havia sido ainda pelo Flamengo, na vitória por 2 a 1 sobre a Universidad de Chile pela Libertadores de 2010). E que gol! Mesmo pesado, o camisa 10 deu um pique e pediu o passe, Sheik serviu e o Imperador chapou de canhota no único metro quadrado em que a bola poderia ter entrado.

Corinthians 2-1 galoA encaixada marcação atleticana dificultou o trabalho do time paulista na primeira etapa, porém, Cuca não contava que o iluminado Adriano iria entrar em ação justo contra o Galo.

A vitória deixou o time do Parque São Jorge ainda mais perto do título, que só veio ser assegurado após a vitória pelo placar mínimo sobre o Figueirense no Orlando Scarpelli e o empate contra o Palmeiras no Pacaembu, mais uma vez lotado, e dessa vez emocionado, depois da perda do ídolo Sócrates, que viu lá do andar de cima o quinto título alvinegro (Para ler sobre outros jogos da campanha alvinegra, AQUI, AQUI e AQUI).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu vou ensinar como é que se faz, eu vou ensinar como é que se faz...

Deve ser inspirado no refrão do Grupo Molejo que o Vasco conduz a temporada de 2011. Após um inicio de ano trágico, com uma seqüência de derrotas no Campeonato Carioca, o time cruzmaltino se restabeleceu desde a chegada de Ricardo Gomes (e com ele, nomes como Alecsandro e Diego Souza), conquistou a Copa do Brasil e se garantiu na Libertadores.

Pensa que por isso o time se acomodou como outros campeões da Copa do Brasil têm feito? Especialmente Corinthians e Santos nos últimos dois anos, quando tinham disparado os melhores times do país e simplesmente abriram mão do Brasileirão, o mais importante campeonato do país. O Vasco NÃO!

O gigante da Colina demonstra hombridade ao conduzir a temporada “a vera”, levando todas as competições com a seriedade que se deve. No Brasileirão, a liderança com dois pontos de vantagem para o vice Corinthians há apenas sete rodadas do fim deixa o time com chances reais de faturar o penta campeonato.

Na Sul-Americana, mais uma aula de caráter foi dada ontem. Ao contrário do que fazem a maioria dos times brasileiros, abrindo mão da competição continental, mais uma vez, o Vasco NÃO! Precisando vencer os bolivianos do Aurora por três gols de diferença para se classificar (havia perdido por 3x1 em Cochabamba), o time cruzmaltino fez muito mais do que isso e empurrou sonoros 8 a 3 para se assegurar na próxima fase e mostrar ao país como é que se faz.

Mesmo utilizando um time misto, com apenas quatro titulares, o time foi pra cima e começou o massacre com um gol espetacular de Bernardo. O camisa 16 recebeu pela direita, meteu uma caneta no marcador, girou sobre a bola (a la Zidane) para sair de outro defensor antes de soltar um petardo indefensável. Na segunda etapa, o armador ainda faria outro lindo gol, aproveitando passe de Juninho Pernambucano para acertar um lindo chute de fora da área, no ângulo do goleiro Lanz.

Outro a deixar sua marca em duas oportunidades foi Alecsandro. Alias, a noite foi do camisa 9, que desperdiçou chance incrível quando o placar ainda marcava 1 a 0, foi (injustamente) vaiado, se redimiu, anotou o segundo e terceiro tento na goleada e ainda serviu Leandro para fazer o quarto, seu primeiro com a camisa cruzmaltina. No fim, depois dessas reviravoltas da bola, a mesma torcida que vaiou, teve que aplaudir um dos destaques do time no jogo e no ano.

Mas quem se destacou mesmo foi Juninho Pernambucano. Soberbo em campo, controlou a meia cancha e ditou o ritmo da equipe com passes precisos e lançamentos primorosos. No fim, teve sua atuação – de Reizinho que é – coroada com o gol na cobrança do pênalti sofrido por Fagner, o quinto gol vascaíno.

Douglas e Alan fizeram os outros dois gols que fecharam o atropelo do trem bala sobre o fraco time boliviano. Peña, Andaveris e Segovia fizeram os gols do time azul – muito mais por desatenção da defesa cruzmaltina do que por qualidade dos visitantes.

Claro que existe um abismo enorme entre os dois times, mas uma coisa é existir esse abismo, outra bem diferente é saber aproveita-lo para fazer o resultado necessário ou até mais do que isso. A goleada serve para classificar o Vasco, mas serve também para dar ainda mais confiança ao time que é candidato a “bicho papão” do ano, que brigará com unhas e dentes para fechar a temporada com uma tríplice coroa inesquecível.

Que sirva também de lição aos demais clubes brasileiros, que o ano não se resume a uma simples vaga na Libertadores. Que conquistar um Brasileirão tem peso enorme e que abrir mão da Sul Americana é burrice. Afinal, querendo ou não, é uma conquista continental e tem seu valor. Hoje, o Vasco ensina como é que se faz.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Noite do 13.

 

botafogo 4x0 vasco 

A mística torcida botafoguense podia esperar por algo especial quando Zagallo tocou para o camisa 13, Loco Abreu, no pontapé inicial do clássico contra o Vasco.

Suspenso, Maicosuel deu lugar a Felipe Menezes no meio campo. A mudança tirou a velocidade, no entanto, deu mais cadência à meia cancha. Com inteligência e paciência, Menezes e Renato articulavam as tramas ofensivas alvinegras.

Se o meio campo ficou mais lento com a ausência de Maicosuel, na lateral Cortês tratou de impor velocidade, e com habilidade, criar bons lances pelo lado esquerdo. Como na primeira boa oportunidade do jogo, quando o lateral rolou para Marcelo Mattos soltar a bomba de fora da área que Fernando Prass fez boa defesa.

Apesar da boa intervenção na primeira chance, o arqueiro nada pôde fazer na segunda, quando Renato cobrou escanteio e Antonio Carlos apareceu no primeiro pau para desviar no canto direito de Prass e abrir o marcador. Também em cobrança de escanteio, o Vasco teve a chance de empatar na seqüência, mas Jefferson fez linda defesa em cabeçada de Alecsandro.

O lance serviu para o time cruzmaltino acordar e passar a ter mais a bola, porém, com Marcelo Mattos fechando o cerco para Diego Souza e Renato acompanhando Felipe, a articulação vascaína ficou comprometida e o time não conseguia levar perigo ao gol de Jefferson.

Na base dos contragolpes, o Botafogo ampliou quando Cortês voltou a aparecer. O lateral roubou a bola ainda no campo de defesa e avançou com ela até o meio campo, quando fez ótimo lançamento para Herrera bater forte e Fernando Prass defender parcialmente. No rebote, Loco Abreu apareceu para tocar de direita no gol vazio.

Mais pensador e menos corredor, o Botafogo controlava bem o jogo. Dominava as ações da partida e articulava com paciência a partir da intermediária ofensiva. Felipe Menezes, peça chave no ritmo de jogo demonstrado pelo time de General Severiano, apareceu muito bem quando achou Lucas completamente livre pela direita. O lateral, que substituiu o fraco Alessandro, levantou na área, Prass afastou mal e Elkeson tocou de cabeça para Loco Abreu encher o pé esquerdo e fazer o terceiro.

Após o massacre sofrido na primeira etapa, Ricardo Gomes voltou com Juninho Pernambucano na vaga de Marcio Careca, deslocando Jumar para a lateral esquerda. Apesar da qualidade indiscutível do “Reizinho”, não acho que era o momento para o camisa 8. Com Diego Souza apagado, o time precisava de mais velocidade.

Embora seja um grande jogador, um problema que Diego Souza carrega consigo há muito tempo é o seu estopim curto. Especialmente quando não joga bem, como no clássico deste domingo. Resultado disso foi o bate boca entre o camisa 10 e o árbitro Marcelo de Lima Henrique, que culminou com a expulsão do meia vascaíno.

Antes disso, Loco Abreu perdeu duas ótimas oportunidades de ampliar o marcador. Uma, em linda defesa de Fernando Prass e outra quando o avante acertou o travessão após mais um cruzamento de Cortês, o homem do jogo que deu lugar a Marcio Azevedo após o lance.

Quem ampliou foi Herrera, aproveitando boa jogada de Renato. O camisa 8 carregou por dentro e na entrada da área serviu para o argentino tirar de Fernando Prass e fechar o placar.

Uma goleada tão importante quanto improvável, devido ao ótimo momento que vivia o time da Colina e a inconstância do Glorioso. Um resultado que dá mais tranqüilidade no ambiente botafoguense, pois só assim o bom time de Caio Junior poderá render tudo o que pode e manter uma regularidade para continuar a luta na parte de cima da tabela.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Corinthians 2x1 Vasco - Estréia de Rei, vitória da plebe

Corinthians x VascoEquipes postadas como de costume: Corinthians no 4-2-3-1 que já vem desde o vice campeonato Paulista e Vasco no mesmo 4-3-1-2 que conquistou a Copa do Brasil. Escapadas dos volantes paulistas fizeram a diferença.

Um Corinthians querendo confirmar a boa fase e manter a liderança. Um Vasco motivado pela reestréia do velho ídolo Juninho Pernambucano e a fim de apagar a má impressão deixada na última rodada, quando o time foi goleado pelo Cruzeiro em pleno São Januário. Motivos não faltavam para esperar por um grande jogo entre alvinegros paulista e carioca na noite de ontem no Pacaembu.

Antes mesmo das equipes se alinharem conforme aos seus sistemas táticos, antes mesmo que o Corinthians pudesse tentar impor o fator casa e abafar o Vasco, de um erro na saída de bola de Jorge Henrique surgiu uma falta na intermediária paulista, surgiu a expectativa da torcida cruzmaltina pela cobrança de Juninho. O que nem o mais otimista vascaíno podia esperar era que aquela cobrança – nem tão bem executada como de costume pelo Reizinho – iria contar com a colaboração de Julio César e abrir o placar com menos de dois minutos de bola rolando.

Postado no mesmo 4-2-3-1 que levou o time à ponta da tabela, apenas com o desfalque de última hora do capitão Chicão, o Corinthians levou cerca de dez minutos para assimilar o golpe sofrido logo no início. Nesse período, o 4-3-1-2 armado por Ricardo Gomes ia funcionando muito bem, com Rômulo acompanhando Danilo e os laterais precisos no combate a Willian e Jorge Henrique.

Com o cerco feito ao trio de meias corinthianos, e os laterais fraquejando no apoio, a válvula de escape para o time do técnico Tite foram as subidas da dupla de volantes, que além de irem precisos no combate ao criativo meio vascaíno, passaram a investir no ataque. Na primeira tentativa, Ralf roubou bola de Eder Luis e arriscou da entrada da área para ótima defesa de Fernando Prass.

De volta ao jogo, o Corinthians passou a pressionar o Vasco na busca pelo empate e Fernando Prass apareceu novamente, dessa vez ao intervir em cabeçada de Willian, mandando a bola para escanteio. Na cobrança, bate e rebate na área e a bola sobrou para Ralf novamente na entrada da área, o camisa 5 pegou de primeira e contou com a sorte da bola passar por baixo do goleiro vascaíno para empatar o cotejo.

O empate deu ainda mais ânimo ao time paulista, que mostrava uma vontade incrível e dominava completamente as ações do jogo, encurralando o Vasco no seu campo de defesa. Felipe e Juninho, vértices laterais do losango de Ricardo Gomes, não conseguiam acompanhar a movimentação dos volantes adversários e complicavam de vez a situação da equipe carioca. É preciso que o técnico cruzmaltino encontre uma solução para poder jogar com a dupla, de 33 e 36 anos, respectivamente, sem sofrer pela falta de gás dos veteranos meias.

No fim da primeira etapa, foi a vez de Paulinho chegar bem como elemento surpresa para receber de Danilo, tirar do marcador e tocar de bico no canto de Fernando Prass, para virar o marcador. A vitória parcial do líder era justa, pelo ritmo avassalador imposto contra o atual campeão da Copa do Brasil, que apenas assustou em nova cobrança de falta de Juninho, que dessa vez parou em Julio César.

As equipes voltaram sem mudanças para a etapa final. A postura agressiva do time da casa diminuiu e o Vasco aproveitou para tentar buscar o empate, especialmente em jogadas de bola parada e cruzamentos, quase sempre vindos da direita, com Fagner.

O Corinthians aceitava e procurava um contragolpe para tentar definir a fatura, mas o time avassalador e envolvente da etapa inicial ficou nos vestiários, e deu lugar a um time mais burocrático, de pouca movimentação e que não ameaçava.

Tentando reorganizar a equipe, Tite reoxigenou o meio campo promovendo as entradas de Alex e Emerson, nas vagas do esgotado Danilo e do novamente inoperante Willian. Ricardo Gomes fez o mesmo do outro lado, ao trocar Diego Souza e Juninho por Bernardo e Allan. Ironicamente, o Reizinho deixou o campo sob gritos e aplausos da torcida corinthiana, que festejava o anúncio gol do Flamengo contra o rival São Paulo.

As mudanças foram melhores para o lado paulista, que passou a reter mais a bola no campo de ataque, e ainda obrigou Fernando Prass a mais uma difícil defesa, em chute de longe de Alex. O Vasco tentou o empate, mas só veio assustar no fim da partida, quando Bernardo cobrou falta na área, ninguém desviou e a bola carimbou a trave.

A vitória mantém o Corinthians na liderança, e aumenta de um para três pontos a vantagem para o segundo colocado. A solidez da melhor defesa da competição é a base do time que impressiona nessas primeiras rodadas. No Vasco, a missão de Ricardo Gomes é não deixar o time se acomodar depois do título da Copa do Brasil, além do já citado problema em escalar os dois ídolos, porém veteranos, Felipe e Juninho, sem perder a força na marcação, ponto forte do time desde a chegada do treinador.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Gigante de torcida imensa e feliz

Precisando reverter o resultado negativo do primeiro jogo em São Januário, o Coritiba contava com o apoio da torcida que lotou o Couto Pereira e enriqueceu ainda mais o cenário para uma grande final de Copa do Brasil, digna da importância da competição nacional.

Sem poder contar com o suspenso Anderson Aquino, o técnico Marcelo Oliveira tomou uma decisão cautelosa e errada ao optar pela entrada de Marcos Paulo, mais um volante, o que alterou o sistema que fez do Coxa o time sensação do primeiro semestre, saindo do 4-2-3-1 para um 4-3-2-1, com Rafinha aberto pela direita e Davi centralizado, deixando Bill isolado.

No Vasco, Ricardo Gomes contava com a volta de duas peças fundamentais ausentes no primeiro duelo. Ramon, que foi o responsável pelo combate ao rápido Rafinha, e Éder Luís, a flecha dos contragolpes cruzmaltinos.

Mesmo melhor no inicio do jogo, mantendo a posse de bola e trabalhando na intermediária ofensiva, o Coritiba só conseguiu assustar de fato o gol de Fernando Prass em bola parada, quando Jonas cobrou falta no canto direito para bela defesa do arqueiro vascaíno.

Com o regulamento embaixo do braço, o Vasco cercava a sua área impedindo as ações ofensivas dos paranaenses e apostava nos contra ataques. Afiada, a dupla Diego Souza e Éder Luís foi quem infernizou a defesa coxa-branca. Na primeira participação do dueto, lançamento de Diego para Éder, que cortou pro pé direito e bateu na rede pelo lado de fora. Poucos minutos depois, a jogada se repetiu, passe do camisa 10 nas costas da defesa para o camisa 7, que dessa vez foi no fundo e cruzou rasteiro para Alecsandro, livre, tocar para o gol e ampliar a vantagem.

Além de ampliar o placar agregado, o gol serviu para esfriar o ímpeto alvi verde e diminuir o ritmo do jogo, até o técnico Marcelo Oliveira corrigir seu erro inicial e trocar Marcos Paulo por Leonardo, voltando o time ao funcional 4-2-3-1 dos melhores momentos da temporada.

Aberto pelo lado esquerdo e encostando em Bill, foi Leonardo quem iniciou a jogada que originou o gol de empate do Coxa, levantando para a direita da área, onde Jonas apareceu livre e escorou para Bill igualar. Empurrado pela empolgação que vinha das arquibancadas, o Coritiba voltou a pressionar e antes do intervalo conseguiu o tento da virada, quando Davi aproveitou rebote de Fernando Prass para soltar a bomba no ângulo esquerdo do goleiro.

A segunda etapa começou em ritmo morno, muito brigada e pouco jogada, até Éder Luís aparecer novamente, por volta dos 12 minutos e tirar a partida do banho-maria. O atacante recebeu pela direita e arriscou de fora da área, a bola foi no meio do gol e Edson Bastos aceitou.

Sem muito tempo e precisando de dois gols, Marcelo Oliveira partiu para o tudo ou nada e sacou Leo Gago para a entrada do habilidoso Marcos Aurélio, além de Lucas Mendes, zagueiro de origem que deu lugar ao ofensivo Eltinho na lateral esquerda. Antes que as alterações pudessem surtir algum efeito, Willian, agora volante único no Coxa, acertou uma bomba de fora da área e marcou um golaço para recolocar os paranaenses no jogo e aumentar a tensão.

Incansável e de raça invejável, o Coritiba sufocou o Vasco até o fim do cotejo, mas abusou dos chuveirinhos e desistiu de tentar criar alguma jogada por baixo. Nas bolas aéreas, mesmo atrapalhada, a zaga do Vasco levou a melhor e não deixou Fernando Prass correr riscos até o apito final de Sálvio Espíndola.
Depois de longos onze anos sem um título nacional (para mim, time grande não deve contar título da série B), o Vasco volta a conquistar o país, volta à Taça Libertadores, volta a fazer jus à alcunha de GIGANTE DA COLINA.