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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Seleção Brasileira – Evolução é nítida, mas é lenta

Desde a reta final do trabalho de Mano Menezes, quando emplacou quatro vitórias seguidas sobre África do Sul, China e Iraque, além do triunfo sobre a Argentina pelo Super Clássico das Américas, que a Seleção Brasileira não mostrava uma evolução tão clara. Até pelo curto período e o baixo número de jogos sob o comando de Luiz Felipe Scolari.

O novo treinador, que tinha apenas uma vitória sobre a Bolívia em seus seis primeiros jogos, embala três êxitos consecutivos justamente no período em que teve uma sequencia para trabalhar com o grupo de convocados.

O escrete canarinho não vencia uma potencia do futebol desde novembro de 2009 quando bateu a Inglaterra ainda sob a batuta de Dunga. Tirou esse peso ao conseguir a importante vitória por três a zero sobre a França no último amistoso antes da Copa das Confederações.

Pela competição, triunfos sobre Japão e México nos dois primeiros jogos. Três a zero sobre a seleção nipônica em Brasília, e dois tentos a zero sobre a “El Tri”, exorcizando de vez o demônio mexicano no jogo que começou a ser ganho ainda na execução do Hino Nacional, com o público de Fortaleza cantando à capela e emocionando até mesmo o mais frio dos brasileiros.

As três vitórias seguidas, com oito gols anotados e nenhum sofrido, deixam claro que há uma evolução no trabalho de Felipão a frente da Seleção brasileira. O que incomoda, no entanto, é o ritmo lento com que essa evolução vem acontecendo.

O time continua com dificuldades na saída de bola. Paulinho joga longe de Luiz Gustavo, o que complica a saída pelo meio. O volante do Bayern, por sua vez, recua até a linha dos zagueiros, dando liberdade aos laterais Daniel Alves e Marcelo, saindo do 4-2-3-1 para uma espécie de 3-4-2-1, quando o time detém a posse da bola.

Brasil 3421Postura brasileira com posse da bola: Luiz Gustavo na linha dos zagueiros e laterais avançados, se juntando aos meias.

Com o aperto na saída pelo meio, só existem duas soluções para a transição defesa ataque. Ou a escapada com os laterais, dificultada em função da geralmente forte marcação da segunda linha oponente, ou a ligação direta feita pelos zagueiros, que ocorre com frequência maior do que deveria.

Assim, o time perde em criatividade e acaba produzindo menos do que pode. E quando os homens que tem essa responsabilidade de criar e conduzir a equipe até o gol oponente tem atuação apagada como tiveram Oscar e Paulinho diante do México, a situação fica ainda pior. O volante até cresceu na segunda etapa e melhorou tanto o seu desempenho individual quanto o coletivo da seleção, enquanto o camisa 11 foi peça nula até o momento em que foi substituído por Hernanes.

A entrada do meia da Lazio qualificou o toque de bola no campo ofensivo, porém, o time continuou a produzir pouco e dependia de lampejos individuais para ofender o gol de Corona. Lampejo que veio dos pés de Neymar, talvez o único homem de frente a mostrar grande evolução.

njrNa primeira etapa, um golaço acertando lindo sem pulo e chute indefensável de canhota no canto do arqueiro mexicano. Minutos depois, o craque ia fazendo outra obra prima, quando deixou Mier falando sozinho depois de um chapéu com o peito, mas o arremate saiu por cima. Mier que voltou a sofrer com o camisa 10 já nos minutos finais da peleja. Caneta humilhante e passe na medida para Jô empurrar para o gol vazio e decretar o placar final.

Se lá na frente o time tem demorado a mostrar evolução, lá atrás tem se mostrado bem seguro. Contra o Japão, atuações impecáveis de Luiz Gustavo e Thiago Silva, que não deram espaços aos talentosos Honda e Kagawa, impossibilitando qualquer ação ofensiva japonesa. Já diante dos mexicanos, foi David Luiz quem se destacou no setor defensivo. Atuações individuais brilhantes, corroborando a boa fase da retaguarda tupiniquim.

O grande desafio da fase de grupos ainda está por vir contra os italianos, e será a hora de mostrar força e comprovar a evolução da equipe coletivamente. Por mais que seja lenta, ela existe e pode dar bons frutos já na Copa das Confederações.

domingo, 21 de outubro de 2012

Brasil e Argentina: Os subestimados ganham uma cara e mostram seu valor

Na última Copa América, disputada na Argentina em 2011, menos de 24 horas separaram as eliminações de Argentina e Brasil, perante Uruguai e Paraguai, respectivamente. Ali, muitos ousaram afirmar que as duas grandes potências do futebol sul-americano estavam decadentes e caminhavam rumo a um vexame no Mundial de 2014.

Pouco mais de um ano se passou e hoje a situação é bem diferente.

Mano Menezes foi mantido no cargo após a queda na competição continental, e principalmente, após o fracasso nos Jogos Olímpicos. E foi a partir dos jogos que o treinador brasileiro começou a repensar na forma de jogar de sua equipe.

Sim, concordo que os adversários não foram lá grandes coisas – embora o Japão, que venceu a França alguns dias antes, tenha seu valor. Mas a maneira como o time se portou em seus últimos amistosos foi sim animadora.

Mano mantém o seu sistema tático preferido na formação do time titular, o 4-2-3-1, no entanto, abriu mão de um pivô no comando do ataque, da referência ofensiva que geralmente as equipes adeptas a tal esquema utilizam.

E assim, sem essa figura na frente, a seleção brasileira fez dois bons jogos, diante de Iraque e Japão.

Contra a equipe comandada por Zico, Mano ainda pôde contar com Marcelo na lateral esquerda, e sem Daniel Alves, utilizou Adriano do outro lado, com a dupla de zaga considerada pelo treinador como ideal completando a linha de quatro defensores – diante da seleção nipônica, sem o lateral do Real Madrid, o treinador teve que improvisar Leandro Castan na beirada esquerda, e funcionou muito bem, defensivamente.

À frente, uma dupla de volantes leves e de boa chegada no campo de ataque, com Paulinho e Ramires. E a boa chegada rendeu frutos, já que o volante corintiano foi o responsável pelo gol que abriu caminho para a goleada diante do Japão, e Ramires teve um gol mal anulado no mesmo confronto. Porém, embora tenham mostrado eficiência nos dois amistosos, ainda tenho certo pé atrás com a dupla formada por dois homens de maior volume ofensivo que defensivo, e gostaria de ver a dupla ser testada contra um adversário mais forte, que pode ser já no próximo amistoso, contra a perigosa seleção colombiana, no próximo dia 15 de novembro.

Mas foi o quarteto ofensivo quem mais animou – bem, eu pelo menos me animei. A volta de Kaká dá ao time o toque de experiência que faltava, isso pra não falar na qualidade do camisa 8, tanto no toque de bola quanto nas boas e velhas arrancadas com as quais todos estamos acostumados.

O meia madridista foi escalado no flanco esquerdo da linha de três armadores, com Oscar articulando pela faixa central e Hulk no lado oposto, porém, a movimentação constante e as transições em velocidade, faziam com que ninguém guardasse posição, nem mesmo o “centroavante” Neymar, escalado como a referência ofensiva, mas que sai abrindo espaço para quem vem de trás, como nos dois gols de Oscar diante do Iraque, ou na chegada de Paulinho contra o Japão, que desperdiçou a oportunidade de fazer seu segundo no jogo menos de cinco minutos após abrir o marcador.

Só quem ainda está meio fora de órbita nesse quadrado – que se não chega a ser mágico, tem lá seus truques – é Hulk. O atacante do Zenit parece meio perdido com a velocidade dos passes e da movimentação dos outros três homens. Particularmente, ainda gostaria muito de ver Lucas como titular ao lado do trio.

De mais a mais, Mano Menezes parece enfim estar encontrando o seu time ideal, que ainda carece de alguns ajustes, é verdade, mas já ganha uma cara e dá sinais que será um anfitrião duro no Mundial que se aproxima.

BrasilSeleção que goleou o Japão: O mesmo 4-2-3-1 de sempre, Castan improvisado na lateral esquerda e Adriano na direita, ocupando as vagas dos incontestáveis Marcelo e Daniel Alves. Na frente, movimentação e velocidade caracterizam o quarteto, que vira quinteto ou sexteto de acordo com as subidas da ofensiva dupla de volantes.

Assim como a Argentina, que não é anfitriã, mas também dá indícios de que chegará muito forte à Copa do Mundo.

Ao contrário de Mano Menezes, o ex-treinador da Argentina, Sergio Batista, não resistiu à queda na Copa América e assim cedeu o cargo de comandante do selecionado albiceleste ao atual treinador Alejandro Sabella.

Sob o comando de Sabella, a Argentina lidera com campanha impecável as Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 2014. São 20 pontos conquistados em seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota, diante da Venezuela, quarta colocada no qualificatório. Além disso, o técnico tem dois amistosos comandando a seleção, ambos contra o Brasil. No primeiro, vitória por 4 a 3. No segundo, o tal “Superclássico das Américas”, contando apenas com jogadores que atuem nos dois países, vitória brasileira por dois tentos a um, em Goiânia.

Mas o principal trunfo do treinador não está nos resultados, e sim, na mudança da postura da equipe, que passou a jogar em torno de Lionel Messi, e assim, fez crescer o futebol do melhor jogador do mundo com a camisa da seleção.

Com Sabella, Messi evoluiu e passou a render próximo do que rende no Barcelona e principalmente, ser decisivo. “La Pulga” é o artilheiro da seleção na “Era Sabella”, com 10 gols, sendo 7 pelas Eliminatórias e mais três marcados contra o Brasil, no amistoso vencido pelos hermanos.

Isso acontece porque Sabella encontrou, enfim, uma forma de posicionar o baixinho de maneira parecida com a que Messi atua no Barça. Um 4-3-1-2/4-3-3, onde o craque alterna as funções de enganche e centroavante, ambas com maestria, como no primeiro gol por ele anotado na vitória por 3 a 0 sobre o Uruguai, onde Messi, como um camisa 10, lançou Di Maria e em seguida, apareceu na área, como um legitimo camisa 9, para concluir o cruzamento do meia madridista. Meia e centroavante na mesma jogada. Arco e flecha.

ArgentinaO time que encarou o Uruguai: 4-3-1-2 que alterna para 4-3-3, de acordo com a movimentação de Messi.

E assim, guindada pelo crescimento do futebol de sua estrela maior, a Argentina mostra seu valor, e a exemplo do Brasil, também dá sinais de que não virá ao Mundial a passeio.

messi-neymar

Neymar e Messi, estrelas maiores de duas seleções ascendentes.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Neymar, o imponderável

Em duelo atrasado da vigésima primeira rodada, o Santos recebeu o Botafogo na Vila Belmiro na noite de ontem. Em jogo, para o Peixe, a busca por mais uma vitória que afastaria de vez qualquer possibilidade de rebaixamento e daria tranqüilidade para pensar apenas no Mundial de Clubes em dezembro. Para os cariocas, o cotejo valia nada mais nada menos que a liderança do Brasileirão.

Para sair da Vila famosa com os três pontos e a ponta, o técnico Caio Junior optou por uma formação semelhante a que encarou e bateu o Corinthians no Pacaembu há uma semana. Sacou o atacante Herrera e colocou Felipe Menezes na articulação central do seu 4-2-3-1, abrindo Maicosuel e Elkeson pelos lados, para bloquear os laterais, uma vez que o camisa 10 tinha a função de impedir a saída de bola dos volantes. A única para o time de uma semana atrás era a ausência de Renato, suspenso, substituído por Bruno Thiago.

Tudo parecia certinho, encaixado no time botafoguense, inclusive a troca de Lucas por Alessandro na lateral. Melhor marcador, o veterano poderia se sair melhor no cerco a Neymar. O que o treinador e a torcida botafoguense não esperavam era que o camisa 11 santista saísse da ponta esquerda e viesse jogar na armação do time, a frente do trio de volantes no 4-3-1-2 de Muricy Ramalho, que por conta de uma dor nas costas, não pôde ficar no banco de reservas. Tata, seu auxiliar, ocupou sua vaga.

santos 2x0 botafogo Atuando na articulação, Neymar desmontou o sistema defensivo botafoguense e garantiu a vitória ao Santos.

Como um autentico camisa 10, a “Jóia” ditou o ritmo do jogo e tirou o sono de Bruno Thiago, que certamente não esperava ter que marcar Neymar. No primeiro embate entre os dois, falta e cartão para o botafoguense, ainda aos três minutos de bola rolando. No segundo encontro, o santista mostrou mais uma vez por que é o melhor jogador do país. Entortou o marcador para a direita, para a esquerda, ajeitou e de bico tocou no canto de Jefferson. Um GOLAÇO!

Golaço que abriu caminho para a vitória santista, sacramentada minutos depois com outro belo gol, dessa vez de Borges, que matou no peito, girou e de fora da área, soltou a bomba, sem chances para o arqueiro alvinegro. O gol não só selou a vitória do time da baixada, como marcou um recorde pessoal para Borges: O vigésimo segundo gol do camisa 9, que o coloca n11ao lado de Serginho Chulapa como o maior artilheiro do Santos em uma edição do Brasileirão. Marca que possivelmente será batida nas próximas rodadas.

O Botafogo bem que tentou na segunda etapa. Apertou, encurralou o Santos em seu campo de defesa, mas esbarrou na segurança da defesa santista, além da boa atuação de Rafael.

A derrota tira do Botafogo a chance de assumir a liderança da tabela e depender apenas de si para chegar ao caneco, porém, não afasta e nem deve desanimar o time de Caio Junior na corrida pelo título, afinal, o time até fez uma boa partida, tinha tudo bem planejado, mas, apareceu o imponderável, apareceu Neymar.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Santos 4x5 Flamengo - Um Jogo Para Sempre

Para quem gosta de futebol, o jogaço da Vila Belmiro foi um prato cheio. Santos e Flamengo proporcionaram um espetáculo de encher os olhos. Nove gols, lances geniais e um show a parte de dois ícones que representam como poucos a magia do futebol brasileiro.

Neymar fez o que a Vila Belmiro já está mais do que acostumada a ver. Pediu a bola, recebeu, partiu pra cima, driblou, passou, finalizou. Enfim, arrebentou. O que a casa do Rei do futebol não contava era que do outro lado teria um certo Gaúcho. Ronaldinho como nunca. Genial como sempre.

O jogo começou quente e logo aos quatro minutos, Elano descolou ótimo lançamento para Borges, o camisa nove que o Santos tanto procurava tirar com categoria de Felipe e abrir o placar.

Os desenhos táticos das duas equipes se assemelhavam. Um 4-4-2 em losango que ainda reluto em desmembrar em 4-3-1-2, pelos posicionamentos dos vértices laterais dos dois meio campos, que se adiantavam e juntavam-se ao ponta-de-lança.


O problema é que as duas defesas ficavam extremamente expostas e qualquer erro poderia ser fatal. Como foi quando Renato Abreu tentou virar o jogo em sua intermediaria e deu nos pés de Ganso, que achou Neymar nas costas da zaga. O camisa 11 errou na primeira, mas descolou belo passe de puxeta (tentou o gol, diga-se) para Borges ampliar.

Foi o cartão de visitas da “Jóia”, que pouco depois mostrou porque é tratado como tal. Um gol sensacional, digno do campo onde desfilou Pelé. Neymar recebeu na esquerda, saiu no meio de dois, tabelou com Borges e deixou Angelim na saudade antes de tocar na saída de Felipe para fazer 3 a 0 e ser ovacionado por toda a Vila e por todo o Brasil.

O Flamengo não se entregou e partiu pra cima do Peixe, explorando especialmente as investidas de Luiz Antonio pelo lado direito. Por ali, parecia o caminho das pedras para o time carioca, que poderia ter diminuído com Deivid que perdeu gol incrível em passe do jovem meio campista.

Mais uma vez pela direita, o Flamengo renasceu no jogo quando novamente Luiz Antonio foi no fundo e rolou pra trás, dessa vez nos pés de Ronaldinho, que ao contrário de Deivid, não desperdiçou. O mapa da mina voltou a funcionar e Leo Moura apareceu para levantar na área e ver a desatenta zaga alvinegra deixar Thiago Neves subir sozinho para tirar de Rafael e incendiar de vez o jogo.

Neymar voltou a aparecer quando avançou pela esquerda lado a lado com Williams até entrar na área e aí sim, se jogar de forma escandalosa. O árbitro André Luiz de Freitas Castro foi na dele e apontou a marca da cal. Elano mostrou personalidade ao pegar a bola das mãos de Borges e partir para a cobrança depois da trágica penalidade na Copa América. Mas mostrou muita displicência na cobrança, ao tentar uma ousada cavadinha, que Felipe teve tranqüilidade para pegar e ainda fazer embaixadinhas. Lance patético para um jogador com a experiência e a rodagem de Elano.

No fim da primeira etapa, ainda deu tempo de mais uma bobeada da zaga santista. Em cobrança de escanteio da direita, Ronaldinho levantou no primeiro pau como já havia feito em outras cobranças e ainda assim a defesa deixou Deivid aparecer livre para desviar e igualar o placar ainda nos quarenta e cinco iniciais.

A bronca de Muricy parece ter surtido efeito e a etapa final começou na mesma batida que terminou a inicial. Logo aos cinco minutos, Leo fez boa jogada e achou Neymar na área. Com belo toque, o camisa 11 encobriu Felipe e recolocou o Peixe na frente.

Foi aí que o astro maior do jogo pegou a bola, botou embaixo do braço e falou para si mesmo: “Chega de aplaudirem o moleque, eu sou o cara e vou resolver”. E Ronaldinho o fez.

Primeiro, drible desconcertante em Edu Dracena, que Arouca chegou na cobertura parando o craque com falta. Na cobrança, um toque magistral por baixo da barreira que deixou o goleiro Rafael estático, olhando a bola entrar sem nada poder fazer. Segundo, quando apareceu pela esquerda para receber passe de Thiago Neves e com muita categoria tirar de Rafael para virar o jogo de maneira épica e dar números finais ao jogo do ano (ou dos últimos anos).

Um jogo como há muito não se via no país. Cheio de oportunidades e belos lances de ambas as partes. Um jogo onde a parte tática foi sucumbida pelo talento individual de craques capazes de fazerem o inimaginável. Um jogo para sempre. O futebol agradece e aplaude de pé o espetáculo da Vila.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Peñarol 0x0 Santos - Sem craques, sem gols

Peñarol e Santos fizeram um grande jogo de futebol no Centenário, em Montevidéu. Tensão, chances para ambos os lados e belas jogadas marcaram a primeira partida das finais da Taça Libertadores, que no fim terminou em um empate sem gols.

Resultado que poderia ter sido outro não fosse pela noite apagada de dois jogadores, os dois craques de Peñarol e Santos, Martinuccio e Neymar. Em uma noite ruim, os dois não foram nem de longe os jogadores que conduziram seus times até a decisão.

Vigiado de perto por Adriano durante toda a primeira etapa, Martinuccio pouco participava do jogo. Responsável por grande parte das tramas ofensivas dos aurinegros, o camisa 10 errava passes e não era capaz de distribuir o jogo, com isso, o time insistia demais nas jogadas laterais, especialmente com o limitado Corujo, meia-direita no 4-4-1-1 de Diego Aguirre.

Neymar, por outro lado, não recebia marcação individual, no entanto esbarrava nas compactas linhas defensivas dos donos da casa e não conseguia a penetração na área como de costume. Sem ser efetivo, o camisa 11 "ressuscitou" um de seus piores defeitos, e passou mais a se jogar do que a jogar (inclusive recebeu um amarelo por isso) e assim como o craque argentino do time uruguaio, pouco produzia.

Uma das poucas boas participações da dupla na primeira etapa veio por Neymar, quando a "Jóia" saiu driblando da direita até a esquerda e deixou para Alex Sandro bater forte e Sosa fazer a defesa.

Com as estrelas apagadas, sobravam para os coadjuvantes a missão de conduzir as equipes em busca do gol. Pelo lado Carbonero, Corujo era o mais efetivo dos meias abertos, até dar lugar para Pacheco, que conseguiu pensar um pouco mais o jogo aurinegro por dentro, deslocando Martinuccio para a ponta esquerda e deixando Estoyanoff (que entrara no lugar de Mier) pela direita. No Peixe, Elano era quem deveria chamar a responsabilidade, mas o camisa 8 errava muito no último passe e não criava.

No fim, o Peñarol até chegou ao gol que lhe daria a vitória e a vantagem para o jogo da volta, mas o impedimento foi bem marcado pela arbitragem que anulou o tento de Diego Alonso. Tudo igual na primeira perna da decisão, inclusive a baixa produtividade das estrelas das equipes. Faltam 90 minutos para conhecermos o campeão das Américas, a esperança é que no Pacaembu, as estrelas voltem a brilhar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ATACANTES - Jonas e Neymar

Nada mais natural que os artilheiros do campeonato saíssem na frente em qualquer enquete, mas Neymar e Jonas sobraram não apenas pelos seus gols marcados, e sim, porque ambos jogaram muita bola nesse Brasileirão.

O gremista foi peça fundamental na arrancada do Imortal. A partir da chegada de Renato Portaluppi, o tricolor gaúcho não parou mais de vencer, e Jonas de marcar. Foram 22 gols, a maioria deles no segundo turno, que colocam o camisa 7 gremista como o artilheiro maior do certame, e ainda oito assistências, o equivalente a 46% dos gols do time do Olímpico.

Já Neymar, apesar das turbulências dentro do campeonato, especialmente no fim do primeiro turno, com a briga com o então técnico do Peixe, Dorival Junior, ainda assim se destacou. A “jóia” da Vila Belmiro anotou 17 tentos (que poderiam ser 21, se não tivesse desperdiçado 4 penalidades) e deu seis assistências em 29 partidas disputadas.

Com o ótimo desempenho, os dois não deram a mínima chance para os concorrentes pela “Seleção do Visão”. A votação foi um massacre, Jonas obteve 61% dos votos e Neymar 48%, enquanto o terceiro colocado Thiago Ribeiro ficou com 16%.

Pronto, com os dois avantes nossa seleção está formada com: Fábio, Mariano, Dedé, Rhodolfo e Roberto Carlos; Jucilei, Elias, Conca e Montillo; Jonas e Neymar. Agora, só falta um comandante para o esquadrão. Então, vote já e ajude a eleger o treinador ideal.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Súmula da Rodada 15

Décima quinta rodada do Brasileirão marcada é claro pelos clássicos. Na capital paulista, um massacre corinthiano sobre um São Paulo completamente desnorteado. No Rio de Janeiro, um empate justo pelo futebol dos dois times e pela festa proporcionada pelas duas torcidas, que não mereciam sair com a derrota. Derrapada cruzeirense, firmação botafoguense e vitória santista também foram destaques na rodada.

GOIÁS/GO 1X2 GRÊMIO PRUDENTE/SP – No jogo dos desesperados, melhor para os paulistas, que venceram na estréia do técnico Antonio Carlos Zago. Os goianos, se complicaram ainda mais após nova derrota. O time amarga a vice-lanterna e não dá sinais de que possa melhorar, a começar pelo seu torcedor, que vem abandonando o clube no momento difícil e protagonizou o pior público do certame, com meros 1.493 pagantes.

BOTAFOGO/RJ 1x0 AVAÍ/SC – O Fogão vive um momento especial, soma quatro vitórias seguidas e conseguiu um avanço incrível na tabela. Coincidência ou não, essa arrancada começou com a chegada de Maicosuel e a saída de Lúcio Flávio do time titular. Parabéns à torcida botafoguense que sempre foi tão cobrada por não apoiar o time e dessa vez lotou o Engenhão.

CEARÁ/CE 2x1 GRÊMIO/RS – Pela primeira vez no campeonato o time nordestino anotou mais de um gol em um jogo e enfim, a primeira vitória dos cearenses após a Copa. O resultado coloca o Vozão novamente entre os quatro melhores colocados, com 24 pontos. O Tricolor dos Pampas segue sua sina na zona de rebaixamento e ainda não se reencontrou mesmo após a chegada de Renato Portaluppi.

ATLÉTICO/PR 1x0 FLAMENGO/RJ – Vitória magra para sair da zona de rebaixamento e manter o tabu de jamais ter perdido para o rubro negro carioca na Arena da Baixada. Essa foi a nona vitória em onze jogos do Furacão contra o Fla no estádio. O time de Rogério Lourenço precisa urgentemente das estréias de Deivid e Diogo, que podem ressucitar esse ataque completamente inofensivo dos cariocas.

GUARANI/SP 0x0 PALMEIRAS/SP – Jogo fraco e sem muitas emoções. De relevante mesmo só a reestréia de Valdivia pelo lado palmeirense. A volta do chileno é a esperança de bom futebol no meio campo alviverde, carente de talento desde a saída de Cleiton Xavier.

INTERNACIONAL/RS 1x1 ATLÉTICO/GO – Com o time titular ainda de ressaca pela conquista da Libertadores, o Colorado não conseguiu passar de um empate diante do lanterna da competição. O Dragão segue com a vida complicada. Na lanterna da competição, a cinco pontos do décimo sexto colocado.

Neymar SANTOS/SP 2x0 ATLÉTICO/MG – No primeiro jogo após o “fico” de Neymar, um show do garoto, que com um gol e uma assistência decidiu o jogo diante do Galo, que voltou a ser derrotado e voltou a figurar na zona de rebaixamento.

CRUZEIRO/MG 0x1 VITÓRIA/BA – Mais uma vez o Cruzeiro tinha a chance de entrar no G4 jogando dentro de casa, e mais uma vez, tropeçou. Um golaço de Junior garantiu um trunfo importantíssimo para o time baiano, que emplaca a segunda vitória seguida e busca uma arrancada após os dois baques sofridos na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana.

Carlos Alberto VASCO/RJ 2x2 FLUMINENSE/RJ – Que jogo! A começar pelo espetáculo maravilhoso proporcionado pelos mais de 80 mil torcedores presentes no Maracanã, que com certeza saíram felizes com o que viram. O Gigante da Colina poderia até ter saído com a vitória, não fosse o erro grotesco de Felipe que entregou o segundo gol para o Tricolor das Laranjeiras. Destaque para Carlos Alberto, que foi o dono do jogo, controlou o meio campo e ainda deu duas assistências magníficas.

CORINTHIANS/SP 3x0 SÃO PAULO/SP – O clássico paulista JH   Eliasfoi um jogo de um time só, com vários destaques no cotejo. Rogério Ceni, mesmo derrotado e sofrendo três gols foi um deles, pois evitou um vexame ainda maior do Tricolor. Mas, claro que os destaques ficaram por conta do time de Adilson Baptista, especialmente para o seu setor de meio campo, onde teve Ralf, eleito pelo próprio treinador como o melhor em campo e Elias, autor de dois gols. Jorge Henrique, com duas assistências e muita disposição também brilhou e ajudou o time do Parque São Jorge a bater o rival e encostar novamente no Fluminense.

Os dois líderes precisarão mostrar sua força na próxima rodada, pois ambos jogarão longe de seus domínios. O primeiro colocado Fluminense sai para encarar o Goiás no Serra Dourada, que provavelmente terá mais torcida tricolor que esmeraldina. Já o Corinthians encara uma parada duríssima contra o Cruzeiro em Uberlândia. O terceiro colocado Botafogo mais uma vez encara o atual quarto, dessa vez o Ceará, no Engenhão. Expectativa também para ver como se sairá o São Paulo, que beira a zona de rebaixamento e vive um momento de crise.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Agora quem dá bola é o Santos

O futebol que encantou o país durante o primeiro semestre já não é mais o mesmo, mas o Santos merecia ser premiado com o título da Copa do Brasil. O time que aplicou goleadas sensacionais como os 10x0 e os 8x1 sobre Naviraiense e Guarani respectivamente, que fez impressionantes 39 gols em 11 jogos, uma absurda média de 3,54 gols por jogo não podia ter outro destino que não fosse o título, justo, merecido e inquestionável. O Vitória foi valente, lutou até o fim, o que enaltece ainda mais a conquista do Peixe.

Título conquistado com absoluta propriedade (mesmo tendo sido o campeão com o maior número de derrotas na história do torneio), em uma campanha irretocável com direito a recorde de gols em uma edição de Copa do Brasil, além de passar por nada mais nada menos do que quatro equipes da primeira divisão nacional. Reveja abaixo a trajetória santista até a inédita conquista:

Naviraiense (MS) 0x1 Santos – Marquinhos.
Santos 10x0 Naviraiense (MS) – André (3), Neymar (2), Madson (2), Robinho, Marquinhos e Ganso.
Remo – PA 0x4 Santos – André (2) e Neymar (2).
Santos 8x1 Guarani (SP) – Neymar (5), Robinho (2) e Marcel.
Guarani (SP) 3x2 Santos – Breitner e Alex Sandro.
Atlético (MG) 3x2 Santos – Robinho e Edu Dracena.
Santos 3x1 Atlético (MG) – André, Neymar e Wesley.
Grêmio (RS) 4x3 Santos – André (2) e Robinho.
Santos 3x1 Grêmio (RS) – Ganso, Robinho e Wesley.
Santos 2x0 Vitória (BA) – Neymar e Marquinhos.
Vitória (BA) 2x1 Santos – Edu Dracena.


A segunda taça conquistada em um semestre brilhante coroa o excelente trabalho de Dorival Junior e o futebol espetacular mostrado pelos “meninos da Vila”. Título que dá sobrevida e faz bem ao futebol brasileiro, que estava carente de times campeões dando espetáculo. Neymar com 11 gols termina como o artilheiro da competição e Ganso, o melhor jogador do país no ano até aqui, foi premiado como o melhor jogador do torneio. Parabéns ao Santos, o campeão absoluto desse ano.