sábado, 28 de abril de 2012

Fim de um (glorioso) ciclo

Foi decretado na última sexta-feira o fim de uma era. Uma era gloriosa, a “era Guardiola” no comando do Barcelona. A parceria, mais do que bem sucedida, chega ao fim após quatro temporadas de puro êxito, com 13 títulos em 18 disputados, 154 vitórias, 40 empates e apenas 18 derrotas em 212 partidas comandando uma das mais fantásticas equipes de todos os tempos, a melhor que este blogueiro viu jogar, que obteve um aproveitamento de 82% dos pontos disputados.

Guardiola assumiu um Barcelona em derrocada após duas temporadas de insucessos que encerraram a passagem de Frank Rijkaard no comando da equipe. Prontamente modificou a equipe, barrando Ronaldinho e Deco, dois dos principais nomes do time até então – Eto’o era pra ter saído junto, acabou ficando por mais uma temporada. E desde então não parou de inventar, reinventar e triunfar dirigindo o time catalão.

Para tentar ilustrar um pouco do que foram as quatro brilhantes épocas blaugranas sob a batuta de Pep, esse que vos escreve irá passar, em resumo, um pouco do que foi cada uma delas nas linhas a seguir.

2008/2009

Assim que assumiu o time, (como já relatado acima) Pep Guardiola já abriu mão das três principais estrelas do time. Eto’o ainda ficou, mas Deco e Ronaldinho se foram, para Chelsea e Milan, respectivamente. O treinador pediu e o clube abriu os cofres para tirar Daniel Alves do Sevilla. Além do lateral, o Barça repatriou Gerard Piqué, formando assim a linha defensiva da equipe para a temporada juntamente com Puyol e Abidal, além de Valdés.

Mas foi no meio e no ataque que o time da temporada inaugural de Guardiola brilhou. Xavi e Iniesta, em perfeita sintonia, dominaram o meio campo e mostraram ao mundo que ali havia um novo estilo de futebol, um estilo superior, que dominava qualquer adversário, o encurralando em seu campo de defesa. Na frente, um tridente diabólico varreu todas as defesas que encarou. Henry na ponta esquerda, Eto’o por dentro, saindo para os lados e invertendo o posicionamento tanto com o francês quanto com Messi, que na ocasião, caia mais pelo lado direito da trinca de avantes. E partindo dali o argentino foi o dono do time que ganhou tudo o que disputou naquela temporada. Espanhol, Copa do Rey, Champions League, Mundial de Clubes, Supercopas espanhola e européia.

Dois confrontos em especial marcaram a trajetória da temporada debutante de Pep: O triunfo sobre o então atual campeão europeu Manchester United – na época comandado por Cristiano Ronaldo – por dois tentos a zero que assegurou ao clube seu terceiro título continental, e especialmente, a impiedosa goleada imposta ao rival Real Madrid por 6 a 2 em pleno Santiago Bernabéu, naquela que é considerada por esse blogueiro como a melhor partida da equipe naquele ano.

Barça 08-09Temporada 2008/2009: O mesmo 4-3-3 que já era utilizado por Rijkaard, com sutis mudanças nas peças e no estilo de jogo, aliando um maior domínio da posse de bola à velocidade e profundidade no ataque. Destaque para o posicionamento de Messi, ainda ponta-direita, partindo do flanco para dentro para arrematar ou abrindo o corredor para Daniel Alves.

2009/2010

Depois de uma primeira temporada simplesmente fantástica, cresceu a expectativa sobre como seria a segunda época de Guardiola a frente do Barcelona, se repetiria todo o sucesso do ano anterior. Do time multi campeão, se foi o camaronês Samuel Eto’o para a Internazionale, de onde também veio o substituto para o camisa 9, Zlatan Ibrahimovic.

Além do sueco, outras mudanças ocorreram na equipe ao longo da temporada. No meio campo, o jovem Busquets, com poder de marcação e muita qualidade na saída pro jogo, barrou Yaya Touré no papel de volante. Na frente, o prodígio Pedro, que foi o primeiro jogador a marcar em todas as competições que disputou em uma única temporada tomou a posição do veterano Henry, que a esta altura já tinha sua saída praticamente decretada ao fim daquele ano. Mas, foi com Messi que ocorreu a principal mudança. Guardiola tirou o argentino da ponta direita, o deslocou para o centro do gramado, atuando atrás de Ibrahimovic, numa linha de três armadores que contava com Pedro pela direita e Iniesta aberto na esquerda – além de Xavi, que apesar de ter sido recuado para jogar mais ao lado de Busquets, se adiantava e se juntava ao trio constantemente.

Atuando por ali, mais próximo do gol e com maior chegada na área adversária, o camisa 10 mostrou ao mundo que ainda tinha muito a evoluir e que poderia dar ainda mais ao Barcelona, o que deixou a torcida esperançosa, apesar dos fracassos da equipe na Champions League e na Copa do Rey, onde caiu para Internazionale e Sevilla, respectivamente.

Barça 09-10Temporada 2009/2010: O 4-3-3 tradicional deu espaço a um 4-2-3-1, que contava com Xavi mais recuado, atuando ao lado de Busquets e uma trinca de meias. Iniesta deslocado pela esquerda, Pedro pela direita e Messi por dentro, atuando atrás de Ibrahimovic e mais próximo da área oponente.

2010/2011

O time que conquistou apenas a liga espanhola na temporada anterior sofreu diversas mudanças. Ibrahimovic, que não mostrou a que veio na equipe, se foi para o Milan. Para o seu lugar, chegou David Villa. Além do artilheiro espanhol na Copa do Mundo, chegaram também alguns bons nomes para compor o grupo, casos de Adriano e Afellay.

Além das peças, dentro de campo também a equipe mudou. O habitual 4-3-3 voltou a ser utilizado, com Villa e Pedro bem abertos nas pontas, alargando o campo e penetrando em diagonal para receber os passes sempre açucarados de Xavi, Iniesta e também de Messi, que definitivamente veio jogar por dentro, cumprindo um papel de “falso 9”, circulando nas costas dos volantes adversários, entre as linhas de zagueiros e de meio campo rival, regendo o time como um legitimo camisa 10 e chegando na área para concluir como um nove. Nessa função, o argentino foi ainda mais genial do que já tinha sido em toda sua carreira e levou o time novamente à conquista da Champions, além do tri nacional.

Foi durante a temporada que aconteceram aquelas que podem ser consideradas as melhores apresentações blaugrana sob a batuta de Pep. Primeiro no clássico contra o Real Madrid pelo primeiro turno do espanhol, quando dentro do Camp Nou, o Barcelona aplicou sonoros 5 a 0 sobre o rival – leia mais AQUI. Depois na final da Champions, novamente contra o Manchester United, quando com domínio absoluto do jogo e um gol de cada avante a equipe catalã bateu os ingleses por 3 a 1 e levou seu quarto caneco continental – leia mais AQUI.

Barça 10-11Temporada 2010/2011: A volta do 4-3-3 e a mudança definitiva no posicionamento de Messi, que passou a atuar como “falso 9”, circulando por trás dos volantes adversários. Villa e Pedro abertos e penetrando nas diagonais era outra perigosa arma. No campinho, o onze inicial utilizado contra o Manchester United na decisão da UCL, por isso Mascherano e não Puyol na zaga.

2011/2012

O time base da temporada anterior foi mantido e chegaram ainda dois bons reforços. Alexis Sanchez, que veio da Udinese e Cesc Fabregas, que depois de inúmeras tentativas sem sucesso, enfim foi repatriado a casa onde começou sua carreira.

Com a chegada do camisa 4, Guardiola precisou quebrar a cabeça para encaixá-lo no time tão afinado da temporada anterior. Utilizou em diversos momentos o mesmo 4-3-3, com Messi mais adiantado, saindo um pouco mais à direita e Cesc como “falso 9”, atuando bem próximo ao argentino, buscando as tabelas.

Barça 11-12 4-3-3 O 4-3-3 chegou a ser utilizado, com Messi saindo um pouco mais à direita e Cesc de “falso 9”.

Mas em grande parte da temporada o sistema utilizado foi o 3-4-3, com Dani Alves espetado na ponta direita, Messi como centroavante, Sanchez bem aberto na ponta esquerda e Cesc como “enganche”, atuando atrás de Messi e se aproximando do camisa 10, fazendo até um 3-3-4 em algumas ocasiões.

A proposta era muito boa, mas os resultados em campo não aconteceram. Na liga espanhola, o time está a sete pontos do virtual campeão Real Madrid a quatro rodadas do fim. Na Champions, caiu diante de um Chelsea valente, que resistiu a mais de quarenta e cinco minutos com um jogador a menos e se classificou para a decisão. Ainda há a possibilidade da conquista da Copa do Rey em final que será disputada no dia 20 de maio contra o Athletic Bilbao, mas convenhamos que é muito pouco para esse grupo acostumado a conquistas maiores.

Barça 11-12 Temporada 2011/2012: 3-4-3 mais que ofensivo, que por vezes se tornava 3-3-4 com o avanço de Fabregas. Pressão total no campo adversário, com até seis homens trabalhando a bola ou tentando recuperá-la.

Os feitos de Guardiola no comando do Barcelona ficarão para sempre, em números e nas memórias dos apaixonados por futebol, mas, hoje, o fato é que acabou uma das mais bem sucedidas parcerias do esporte. Ambos seguirão, e a única certeza é de que Guardiola perde mais sem o Barça do que o contrário. O clube já conta com uma espinha dorsal, que muito provavelmente seguirá vencedora com Tito Vilanova, ex-assistente de Pep e futuro treinador culé.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Festa Campineira

Depois de longos quatro meses de futebol “xoxo”, sem grande desinteresse por parte de público e mídia, enfim os estaduais entraram nas suas fases finais, e com isso, ganharam atenção. Especialmente no Paulistão, onde duas gratas surpresas aconteceram nos duelos entre times da capital vs times de Campinas, com os times do interior do estado derrubando os gigantes Corinthians e Palmeiras, ambos pelo placar de três tentos a dois.

CORINTHIANS 2-3 PONTE PRETA

No Pacaembu, chuvoso e de público apenas razoável, a Ponte Preta vacinada pela derrota na última rodada da primeira fase para o mesmo Corinthians (que mesmo com o time misto não abriu mão de suas principais características), veio disposta a parar o alvinegro da capital com estratégia bem definida e muito empenho por parte do time campineiro.

Corinthians-Ponte

Gilson Kleina armou sua equipe em um 4-2-3-1 muito bem distribuído, com o lateral Cicinho escalado pela direita na linha de armadores, para acompanhar Fábio Santos. Pela esquerda, Caio fazia o mesmo com Edenilson, enquanto por dentro, Renato Cajá dava combate em Paulinho, impedindo a saída de bola corinthiana. Assim, a Macaca conseguiu se impor mesmo na casa do adversário e dominar o começo do jogo, porém, o primeiro lance de perigo só veio em uma bola parada, quando William Magrão cobrou falta de longe e contou com grande colaboração de Julio César para abrir o placar.

Com o placar adverso, o Corinthians até tentou se soltar um pouco mais e controlou a posse da bola mais no seu meio campo, porém, esbarrava no forte bloqueio da Ponte, que era quem conseguia criar as melhores oportunidades de gol em contragolpes rápidos e bem articulados, quase sempre passando pelos pés criativos de Renato Cajá e Caio. Num desses, o camisa 11 acionou o lateral Uendel passando sozinho pela esquerda, de onde esse centrou para Roger se antecipar a Leandro Castan e ampliar antes do fim da primeira etapa.

Tite mexeu mal no intervalo e voltou com Alex e Douglas nas vagas de Danilo e Jorge Henrique. As mudanças deixaram o time ainda mais entregue à marcação pontepretana, muito devido a má forma física de Alex, recém voltado de lesão que perdeu praticamente todas as disputas no meio, além de tornar a equipe mais lenta e previsível. Erro que só foi corrigido com outra mudança logo aos 10 da etapa final, quando o treinador lançou Willian no lugar do jovem zagueiro Marquinhos, recuando Ralf para a zaga central e deixando apenas Paulinho na contenção – algo que não acontecia na pratica, uma vez que o camisa 8 se lançava ao ataque.

Corinthians-Ponte2

O time se soltou e se lançou de vez ao ataque, em um 4-1-4-1 totalmente desorganizado que encurralou a Ponte – que a esta altura, com o recuo natural de Cicinho, já estava em um 4-3-1-2 – em sua retaguarda. A pressão desvairada teve efeito em um lance polêmico. Quando Renato Cajá e Douglas subiram em uma disputa de bola, o camisa 10 campineiro ficou no chão e o time do interior seguiu com o lance, mesmo com seu jogador caído. Na seqüência, o Corinthians recuperou a bola e seguiu com o lance até a bola chegar em Willian livre no bico direito da grande área para bater cruzado e diminuir o marcador. Pouco depois da retomada da partida, o mesmo Willian teve grande oportunidade de empatar, quando Paulinho tocou por cima do goleiro e o camisa 7 debaixo do travessão foi antecipado por Ferron (dono de atuação memorável), que acabou jogando pra fora.

Em meio à pressão e na pressa em busca do empate, Julio César tentou repor rapidamente na cobrança do tiro de meta e atingiu as costas de Leandro Castan e viu a bola cair nos pés de Renato Cajá que acionou Rodrigo Pimpão livre pela esquerda para ampliar e praticamente matar o jogo. Na saída de bola, Alex acertou chute da entrada da área e recolocou o Corinthians na partida, botando fogo nos minutos finais, mas a equipe não teve forças para buscar o empate e caiu perante um adversário que mostrou grande dedicação na parte tática, que jogou infinitamente melhor e foi muito merecedor do triunfo.

GUARANI 3-2 PALMEIRAS

Já no duelo alviverde do Brinco de Ouro da Princesa, Guarani e Palmeiras fizeram um primeiro tempo de muitos erros e poucas chances de ambos os lados. Felipão surpreendeu e voltou Luan à equipe, na mesma função que o camisa 11 exercia antes da contusão que o afastou por cerca de três meses: dando velocidade ao time pelo lado esquerdo e se juntando a Barcos no comando do ataque e abrindo o corredor para Juninho, além de fazer o cerco ao lateral oponente, o que matou uma das principais saídas dos bugrinos, com o rápido Oziel pela direita. No mais, o time da capital era praticamente o mesmo que já vem sendo utilizado por Scolari, apenas com a entrada de Mauricio Ramos na zaga, visando uma melhora na bola aérea, grande problema da equipe.

Guarani-Palmeiras

Apesar de jogar em casa, o time de Vadão era retraído, e esperava jogar no erro dos visitantes. Além de ver Oziel ser bem marcado por Luan, outra boa saída da equipe, com Danilo Sacramento, acabou sacrificada devido a preocupação do camisa 8 em cercar Marcos Assunção. Ainda assim, foi o bom volante que teve a melhor oportunidade da primeira etapa, quando Bruno Recife cruzou, a bola atravessou toda a área e Sacramento no segundo pau arrematou para fora, já no fim dos quarenta e cinco iniciais.

Na volta do intervalo, o time da casa avançou suas linhas e passou a encurralar o Palmeiras. Não demorou para que a pressão surtisse efeito. Fumagalli cobrou escanteio fechado, Deola saiu mal e viu a bola tocar a trave do outro lado antes de entrar, golaço olímpico do camisa 10. Mal deu tempo de comemorar o primeiro e já veio o segundo gol bugrino, apenas três minutos depois. Visivelmente sem ritmo de jogo, Luan não conseguiu acompanhar Oziel, que também deixou pra trás o zagueiro Henrique antes de cruzar rasante na área para Fabinho no segundo pau apenas escorar para o gol vazio. Novamente, mal deu tempo de festejar. Na saída de bola, boa jogada de Luan pela esquerda, e Marcos Assunção, aproveitando o rebote, diminuiu e incendiou a partida de vez.

Em desvantagem no placar, Felipão trocou o marcador João Vitor por Valdivia, lançando o time ao ataque. Com a mudança, Daniel Carvalho foi deslocado para o flanco direito, enquanto o chileno passou a preencher a zona central da trinca de meias palestrinos. Assim, o alviverde da capital passou a reter mais a posse da bola e trabalhar na intermediaria adversária, mas, muito na base do abafa e sem organização, não chegou a ameaçar a meta de Emerson. Scolari ainda lançou Fernandão e Patrik nas vagas de Daniel Carvalho e Luan, porém, sem muitos resultados.

Já nos acréscimos da partida, um replay do segundo gol dos mandantes. Em contragolpe rápido, novamente Oziel escapou bem pela direita, foi ao fundo e cruzou rasteiro. Mais uma vez Deola saiu mal, não conseguiu cortar e viu Fabinho chegar para concluir e praticamente definir o jogo. Só não estava definido, porque a exemplo do rival Corinthians, o Palmeiras conseguiu um golzinho logo em seguida, com Henrique, que pôs fogo nos minutos finais da partida, que no fim, ficou nisso. O time campineiro fez valer o fator casa e se impôs diante de seu torcedor, apesar de um domínio ligeiramente maior por parte dos comandados de Felipão, que tiveram mais posse de bola, porém, sem efetividade, e principalmente, sem qualidade para saber trabalhar esse maior tempo no controle do jogo.

Guarani e Ponte Preta farão um dos derbis mais importantes da história dos rivais campineiros. Duas gratas surpresas em um estadual que se marcava pela “chatice” de ter sempre os quatro grandes entre os finalistas. Dois clubes de grande tradição e que podem ter nessa campanha mais do que digna uma esperança de renascer para o cenário nacional. Fica a torcida por um grande jogo de futebol. E especialmente, fica a torcida para que corra tudo em paz no próximo domingo na cidade de Campinas, ainda marcada pela trágica morte do torcedor bugrino no chamado “derbinho” entre os times sub-17, há pouco mais de um mês.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Schalke 04 2x4 Athletic Bilbao – Ofensividade Total é o segredo do sucesso do time de Bielsa

A apenas razoável campanha na Liga Espanhola, onde ocupa o 11º lugar, com meros 38 pontos (a nove do quarto colocado Málaga e consequentemente da zona de Champions League), definitivamente não condiz com o futebol simplesmente impressionante que vem sendo apresentado pelo Athletic Bilbao.

Talvez pelo fato do encantador time de Marcelo Bielsa ter se dedicado em demasia às copas em disputa pelo clube basco. Além de já estar garantido na final da Copa do Rey – encara o Barcelona no dia 25 de maio, a equipe vem sobrando na Liga Europa, onde passou com facilidade pelo poderoso Manchester United nas oitavas de final e ontem, jogando um futebol de encher os olhos, bateu o Schalke 04 de um inspirado Raul por 4 a 2 em Gelsenkirchen e encaminhou a classificação para as semifinais.

Schalke - Bilbao O ofensivo 4-3-3 do Bilbao de Bielsa sufocou o Schalke em seu campo de defesa.

A velocidade e a movimentação do quarteto ofensivo vermelho e branco envolveu facilmente a frágil defesa azul e o primeiro gol não demorou a sair. De Marcos fez grande jogada pela direita e passou para Susaeta chegar batendo. O goleiro Hildebrand soltou no pé do matador Llorente, que precisou de duas oportunidades para tocar para as redes.

O problema é que do outro lado também havia um goleador nato, que apareceu para complicar a vida dos espanhóis apenas dois minutos depois de abrir o placar. Após lançamento do incansável Farfan para Uchida, o japonês foi no fundo e cruzou rasante na área, Raul, com o faro de gol que lhe é peculiar, se antecipou ao goleiro Iraizoz e tocou para empatar.

O camisa sete estava a fim de jogo e depois de desperdiçar algumas oportunidades no fim do primeiro tempo, conseguiu balançar as redes novamente já na segunda etapa, e em grande estilo, acertando um lindo voleio da entrada da área, mostrando toda a categoria de sempre. E por muito pouco não fez o terceiro, em lance de craque que é, depois de limpar a zaga e tocar por cobertura, mas a bola passou raspando a trave.

Depois da virada dos azuis reais, “El Loco” Bielsa lançou o time ainda mais a frente que o habitual ao trocar o lateral Aurtenetxe pelo meia Iñigo Perez e assim o Athletic voltou a equilibrar as ações do jogo. Não demorou e veio o empate, novamente com o matador Llorente, aproveitando cobrança de escanteio de Gómez e desviando para o fundo do gol.

O tento de igualdade atordoou o time alemão, que não mais se encontrou e por pouco não sofreu nova virada apenas três minutos depois, quando De Marcos passou pelo goleiro Schober – que substituira o lesionado Hildebrand – e acabou desarmado por Papadopoulos. No entanto, a pressão imposta pelo time visitante culminou no gol pouco depois, quando Gómez avançou pela esquerda e lançou para Susaeta, sem ângulo, arrematar de primeira sem muita força e contar com a falha de Schober que soltou nos pés de De Marcos que só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio.

O Schalke ainda buscou o empate nos minutos finais, e por pouco não conseguiu, primeiro com Huntelaar, que carimbou a trave, e segundo com Raul, que soltou uma bomba a queima roupa para defesa espetacular de Iraizoz. Mas foi o Bilbao que voltou a marcar, num contra ataque letal puxado por Susaeta pela direita, até invadir a área e rolar para Muniain bater alto sem chance para Schober, e definir o jogo e praticamente, a classificação.

Com o Bilbao jogando a bola que vem jogando, é quase inimaginável alguma chance do Schalke reverter o placar no jogo da volta em San Mames. O time de Marcelo Bielsa é hoje, sem duvidas, um dos mais agradáveis de se ver no planeta, aliando marcação alta e pressão no campo adversário sem a bola à qualidade no trabalho coletivo e um dinamismo impressionante com ela. Ofensividade total, bem ao estilo “Loco” do treinador argentino.

quarta-feira, 21 de março de 2012

234x Messi

Lio01Mais um brilhante capítulo na já brilhante carreira de Lionel Messi foi escrito na noite de ontem. Com os três gols marcados na goleada do Barcelona sobre o Granada, pela 28ª rodada do Campeonato Espanhol, o argentino assumiu o posto de maior artilheiro da história da equipe catalã em jogos oficiais, com 234 tentos, superando os 232 de César Rodríguez, dono do posto até então – contando jogos não oficiais, o maior artilheiro é Paulino Alcântara, com 369 bolas na rede.

Desde o primeiro gol em 1º de maio de 2005, na vitória blaugrana sobre o Albacete por dois a zero pela Liga das Estrelas, já foram 153 no certame nacional, 19 na Copa do Rei, 49 na Champions League, oito na Supercopa da Espanha, um na Supercopa Européia e quatro no Mundial de Clubes da FIFA, sendo 184 com a mágica perna esquerda, 38 com a direita, 10 de cabeça, um de mão como o ídolo Diego Maradona e um deMessi6 peito, ou de coração, como foi chamado na Catalunya o gol que decidiu o Mundial sobre o Estudiantes em 2009. As maiores vítimas da “Pulga” são Atlético de Madrid, Sevilla e Real Madrid, que sofreram 18, 14 e 13 gols, respectivamente.

Seja arrancando com a bola, enfileirando a defesa, ou com um simples e genial toque, encobrindo o goleiro (que por sinal é especialidade da casa), como foi no gol do recorde, o segundo na goleada de ontem. Além do recorde de gols com a camisa do Barça, Messi bateu ainda outro número pessoal. Com os três tentos de ontem, o camisa 10 chegou a 54 na temporada, um a mais que na anterior. E tudo isso com apenas 24 anos!

Diante de tudo que Messi faz com a bola nos pés, só aumentam as comparações com outros gênios e as perguntas de qual o lugar do Messi2argentino na história do futebol. EU prefiro me abster de tais discussões e apenas admirar o que faz o baixinho, o que já é um grande privilégio para toda nossa geração, assim como foi para as gerações passadas poder ver Pelé, Rivelino, Maradona, Cruyff, entre tantas outras lendas.

Enquanto muita gente perde seu tempo comparando, eu apenas exalto e agradeço a oportunidade de desfrutar a cada semana do espetáculo que Messi nos proporciona. E recomendo que todos os amigos façam o mesmo, apreciemos a história sendo escrita diante dos nossos olhos, e deixemos que o tempo coloque Lionel no seu devido lugar.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Porto 1-2 Manchester City – Ampla vantagem aos ingleses

A primeira fase de mata mata da UEFA Europa League nos reservou um jogo do tamanho de Champions League. No estádio do Dragão, o atual campeão do segundo principal interclubes europeu Porto recebeu o atual líder da poderosa Premier League, o Manchester City.

Correndo atrás do rival Benfica na Liga Sagres, o time português tem no certame continental uma grande chance de faturar um troféu na temporada, até por isso, o técnico Vítor Pereira entrou com o que tinha de melhor para encarar os ingleses. Postado no mesmo 4-3-3 que já era utilizado pelo seu antecessor André Villas Boas (do qual o atual treinador era assistente), o time portista apenas não podia contar com o recém contratado centroavante Marc Janko, pois este já atuou na competição pelo Twente. Assim, seu substituto no comando do ataque foi o brasileiro Hulk, atuando numa função que não é bem a sua especialidade, já que funciona melhor pelo lado do campo.

Porto 1-2 City Formações iniciais: Porto no seu 4-3-3 habitual, porém, com Hulk na referência. City também no seu rotineiro 4-2-3-1 que investiu muito pela direita.

E foi justamente quando o camisa 12 saiu da área para buscar o jogo, que o time lusitano chegou ao gol. Depois de tabela com James pela esquerda, o brasileiro cruzou rasante na área para a chegada em velocidade de Varela, que só teve o trabalho de empurrar para o gol de Hart, aos 27 da primeira etapa.

Antes disso, o time da casa vinha sofrendo e contando com belas defesas de Helton para não sair atrás no placar. O Manchester City que foi a campo também com força total e contando ainda com a importante volta de Yayá Touré investia muito pelo seu setor direito, ás costas do uruguaio Álvaro Pereira, que subia demais para o apoio e não tinha cobertura. Primeiro foi Micah Richards que testou o goleiro brasileiro, em bomba de fora da área. Depois foi a vez de Nasri, também pelo flanco direito, entrar na área e bater forte para nova intervenção. E Helton voltou a aparecer também depois do placar aberto, quando Balotelli recebeu completamente livre na entrada da área e bateu a queima roupa.

Porém, tudo que o arqueiro brasileiro fez de bom no primeiro tempo foi comprometido aos dez da etapa final, quando Yayá Touré ainda do meio campo tentou lançar para Balotelli, o goleiro saiu mal e Álvaro Pereira acabou desviando para o próprio gol, igualando o marcador.

A partir do gol de empate, o gol ficou morno. O Porto tinha a posse da bola, mas não conseguia passar da intermediaria de um Manchester City que se mostrava muito satisfeito com o empate com gol fora de casa. A fim de reoxigenar e fechar o time, Roberto Mancini trocou o esgotado Balotelli por Kun Aguero e David Silva por Kolarov. As mexidas funcionaram e a cinco minutos do fim, em jogada iniciada pelo sérvio, Nasri lançou Yayá Touré em profundidade. O marfinense avançou e rolou para Kun completar e definir o placar.

Se o empate já agradava ao time britânico, a vitória dá uma baita vantagem para que o time possa até se dar ao luxo de poupar alguns atletas no jogo da volta, mas é bom que não se descuide, pois do outro lado há uma grande equipe, totalmente capaz de reverter.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Corinthians 1-0 São Paulo – Lado esquerdo foi o caminho para a vitória

Depois de começar bem o Paulista e derrapar nas duas últimas rodadas, o Corinthians recebeu o São Paulo no Pacaembu. Em jogo, além da co-liderança ao lado do Palmeiras, o clássico valia a motivação de um para a estréia na Libertadores ou a afirmação do outro, com o time ainda em construção.

O técnico Tite não se importou com o fato de ser um clássico e fez o que tinha que fazer. Valorizou a competição mais importante que se iniciará na quarta-feira e poupou suas três principais peças ofensivas: Alex, Emerson e Liedson. As entradas de Willian, Jorge Henrique e Elton não alteraram a estrutura do time, que se manteve no 4-2-3-1 de sempre e contou com Danilo na faixa central da meia cancha e não pelos lados, como atua quando Alex está em campo.

Sem poder contar com Luis Fabiano e Piris, além do capitão Rogério Ceni, Leão manteve o time que vem sendo utilizado, um 4-3-1-2 com um meio campo leve, criativo, porém de pouca pegada, pelo menos na teoria. Porque na prática, esse mesmo setor mostrou um nervosismo excessivo e começou o Majestoso distribuindo pontapés, e Cícero poderia ter sido expulso antes dos quinze minutos de jogo.

Corinthians 1-0 São Paulo Formações iniciais: Corinthians no seu costumeiro 4-2-3-1, com força total do lado esquerdo. São Paulo no 4-3-1-2 que não soube diminuir os espaços para o trio Jorge Henrique, Fabio Santos e Danilo.

Do outro lado, um Corinthians maduro demonstrava calma e tocava a bola com facilidade, envolvendo o adversário, e assim as tramas ofensivas foram saindo naturalmente, sempre pelo lado esquerdo com Jorge Henrique e Fabio Santos, mais a aproximação de Danilo. Na primeira tentativa por ali, Jorge lançou Fabio nas costas de João Filipe e o camisa 6 rolou para Danilo soltar a bomba e obrigar Denis a fazer uma difícil intervenção.

Dominando completamente as ações do jogo, o Corinthians não demorou a abrir o placar. Em escanteio cobrado por Jorge Henrique, Danilo se antecipou a João Filipe e testou sem chance para Denis. E poderia ter aumentado com Fabio Santos, em nova jogada de ultrapassagem do lateral que recebeu lançamento de Danilo e bateu cruzado para nova bela defesa de Denis, que ainda viu a sobra passar a centímetros dos pés de Elton.

Mesmo inferior, o São Paulo teve a chance do empate ainda no fim do primeiro tempo, em dois lances de bola parada. Primeiro, em falta cobrada por Jadson da direita, Julio César saiu mal e Rhodolfo cabeceou para o gol e Ralf salvou em cima da linha. No rebote, Cortes botou na frente e Alessandro o derrubou, pênalti infantil cometido pelo capitão corinthiano. Jadson bateu muito mal, jogando por cima do gol a chance de igualar o placar na etapa inicial.

No começo da segunda etapa, a tônica era a mesma. Posse de bola corinthiana e força total do lado esquerdo. Na tentativa de alterar a dinâmica do jogo, Emerson Leão promoveu de uma só vez as suas três alterações, trocando Jadson, Casemiro e Willian José por Maicon, Fernandinho e Osvaldo. Sem fazer nada para corrigir a avenida que o Corinthians tinha para jogar pela faixa canhota, o treinador são paulino ainda viu sua situação piorar quando João Filipe perdeu a cabeça e deu um pontapé em Jorge Henrique, recebendo o vermelho direto apenas quarenta segundos depois das alterações.

Com a expulsão, Wellington acabou deslocado para a lateral direita, prendendo mais Cícero e Maicon na contenção e liberando Cortes para o jogo. Curiosamente, com um a menos, o Tricolor até cresceu no jogo, passou a ter mais a bola e sufocar os donos da casa, mesmo que sem assustar o gol de Julio César, que só teve trabalho em uma finalização de Fernandinho do bico esquerdo da grande área. Com Lucas apagado e Cícero recuado, faltou criação e sobrou afobação ao time do Morumbi e o placar seguiu inalterado até o fim.

A derrota não pode apagar o até agora bom trabalho de Emerson Leão, com um time que tende a seguir evoluindo com o talento que tem, mas antes precisa amadurecer e aprender a corrigir os próprios erros em campo. Ao Corinthians, o sexto triunfo seguido sobre o rival no Pacaembu serve para esquecer os dois tropeços contra Bragantino e Mogi Mirim e renovar os ânimos para a estréia na Taça Libertadores.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Chelsea 3-3 ManUtd – Sensacional!

Emocionante. Excitante. Impressionante. Use o termo que quiser para definir o que foi o clássico entre Chelsea e Manchester United em Stamford Bridge pela vigésima quarta rodada da Premier League.

Emocionante pela reviravolta no placar, que viu o três a zero em favor do time da casa ser igualado de maneira épica pelos visitantes. Excitante pela intensidade do jogo, disputado a ferro e fogo até o último minuto pelas duas equipes. Impressionante pela força de vontade dos Red Devils, que foi buscar um empate quando parecia completamente batido.

Ao contrário do jogo no primeiro turno, onde apesar de se apresentar melhor, o Chelsea foi batido por três a um, fruto de sua própria falta de pontaria e das falhas do time ainda em construção de André Villas Boas, que armado em 4-3-3 oferecia espaços em demasia para os letais contragolpes vermelhos.

20120206103944 O 4-2-3-1 azul foi efetivo, com Mata transitando de um lado ao outro e os extremos buscando o fundo.

Dessa vez, mais compacto em um 4-2-3-1, com Mata articulando e aparecendo para arrematar, como no lindo segundo gol em que o camisa 10 acertou um voleio preciso após cruzamento de Torres, que saía da área para abrir espaços a quem vinha de trás. Pelos flancos, Malouda e Sturridge travavam os laterais vermelhos, além de buscar a linha de fundo constantemente. Numa dessas, o camisa 23 passou por Evra, centrou e contou com a sorte ao ver a bola desviar em Evans e ir morrer nas redes de De Gea, abrindo o marcador ainda na primeira etapa.

Quando David Luiz subiu sozinho e testou firme o cruzamento de Mata fazendo o terceiro gol azul aos cinco da etapa final, a impressão era de que uma goleada viria e o time de Stamford Bridge iria, enfim, superar a desconfiança e se firmar entre os quatro primeiros colocados. Foi só impressão.

Alex Ferguson, vendo seu time entregue e pronto para sofrer uma derrota humilhante, resolveu abrir mão de esquema e lançar seu time ao ataque na base do tudo ou nada. Sacou o inoperante Ashley Young, colocou Chicharito Hernandez, e deu mais liberdade para Giggs ir à frente. E foi justamente o veterano meia que lançou Evra na área, onde o estabanado Sturridge o derrubou. Pênalti suspeito, mas marcado por Howard Webb e convertido por Rooney.

Após diminuir, Sir Alex mexeu novamente e dessa vez ajeitou sua equipe. Trocou Rafael por Scholes e armou o time no mesmo 4-2-3-1 do oponente, com Rooney armando na faixa central, Welbeck e Giggs pelos flancos e Valencia recuado para a lateral, dando mais poder de fogo ao lado direito.

Apesar da evidente melhora e da ligeira pressão vermelha, foi novamente Howard Webb que resolver aparecer e intervir em favor do vice líder da Premier League. Após receber de Chicharito na entrada da área, Welbeck se enroscou com Ivanovic e caiu. Dessa vez, não foi absolutamente nada, mas o árbitro da final da última Copa do Mundo marcou, e novamente Rooney converteu.

O gol deu animo ao United e a pressão resultou em empate a cinco minutos do fim do jogo, quando Valencia fez a ultrapassagem e cruzou na área, Rooney ajeitou e bateu para boa defesa de Cech. Na sobra, Giggs foi ao fundo pela esquerda e levantou para Chicharito testar com força, dessa vez, sem chances para Cech.

Manutd Na etapa final, Ferguson lançou o time ao ataque. Funcionou.

Empate histórico em um jogo daqueles que ficarão para sempre na memória do torcedor, seja ele vermelho ou azul. Para uns, fica o gosto amargo de ver a vitória escapar entre os dedos. Para outros, a esperança de que o futebol e a garra apresentados para buscar o placar adverso sirva também para recuperar os dois pontos de desvantagem em relação ao líder Manchester City. Alguém dúvida disso?