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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cinco vezes Corinthians: Cinco jogos marcantes no caminho do título

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O empate sem gols contra o arqui-rival Palmeiras foi o suficiente para o Corinthians se sagrar campeão nacional pela quinta vez em sua rica história. Uma conquista justíssima, que vem coroar uma campanha, senão irretocável, sólida o bastante para manter o time entre os quatro melhores da competição durante as 38 rodadas, sendo 27 delas na ponta.

A manutenção do técnico Tite mesmo nos momentos de turbulência da equipe, e a crença do treinador em seu imutável 4-2-3-1 e em sua proposta de jogo de intensidade e rotatividade desde o primeiro minuto, sufocando os adversários, foram pontos de destaque no alvinegro paulista, e para fazer a justa homenagem ao campeão do país, o blog traz um resumo de cinco jogos, que para esse que vos escreve foram os mais importantes ou inesquecíveis no caminho do título.

26/06/2011 – 6ª Rodada
Corinthians 5x0 São Paulo

O time que teve 17 das suas 21 vitórias obtidas pela diferença mínima, aplicou a maior goleada contra o rival Tricolor, e justo quando o time do Morumbi liderava e dominava a competição, após uma seqüência de cinco vitórias nos cinco primeiros jogos. O triunfo garantiu ao time do Parque São Jorge a liderança pela primeira vez na competição, posição que a equipe não mais largou.

Com atuação de gala, impondo seu jogo desde o primeiro minuto, o Corinthians só veio construir a goleada a partir da segunda etapa, quando já jogava com um jogador a mais após a tola expulsão de Carlinhos Paraíba ainda aos 40 minutos da etapa inicial.

Mesmo com um buraco na meia cancha devido a expulsão, o então técnico são paulino Paulo César Carpeggiani optou por não abrir mão do seu poder de fogo para recompor o sistema defensivo, e o time pagou caro por isso. Logo no primeiro minuto, Danilo anotou um golaço que deu inicio ao massacre. Liedson três vezes e Jorge Henrique com grande colaboração de Rogério Ceni definiram aquela que viria a ser a maior goleada do Timão no caminho do título e a maior no Majestoso. (LEIA MAIS AQUI).

Corinthians 5-0 são pauloFormações iniciais do clássico: Enquanto esteve 11 contra 11, o São Paulo conseguiu segurar o ímpeto corinthiano. Com um a menos e totalmente exposto, Tricolor foi presa fácil.

14/07/2011 – 12ª Rodada
Corinthians 1x0 Internacional

Uma das melhores atuações da equipe no campeonato, que serviu para consolidar a liderança em jogo adiantado da décima segunda rodada e abrir boa vantagem sobre o então vice colocado Flamengo. Contra um adversário fechado e esperando uma brecha para contra atacar com seu perigoso quarteto ofensivo, o Corinthians precisou ser impecável, técnica e especialmente taticamente.

No jogo de muito estudo e pouquíssimas oportunidades, o time da casa foi feliz em uma delas quando Fabio Santos fez boa jogada pela esquerda e cruzou rasante para Paulinho dominar e ajeitar para Willian acertar o canto direito de Muriel, com precisão cirúrgica para garantir mais três pontos ao futuro campeão.

Corinthians 1-0 interContra um Inter acuado, o Corinthians precisou de inteligência e especialmente paciência para chegar ao triunfo.

08/09/2011 – 22ª Rodada
Corinthians 2x1 Flamengo

Na primeira das decisões antecipadas encaradas pelo time alvinegro, a torcida se fez presente para buscar a vitória contra o algoz na Libertadores do ano anterior. E o placar do torneio continental se repetiu, porém com enredo bem diferente. Se naquela ocasião, a vitória por dois tentos a um não foi suficiente para classificar os paulistas, dessa vez, a virada (uma dentre as seis viradas do time de Tite) sobre o rubro negro carioca serviu para manter a ponta com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

O gol (achado) de Deivid em cobrança de escanteio de Ronaldinho ainda no primeiro tempo não abalou o Corinthians, que não abdicou do seu estilo e seguiu martelando até chegar ao empate e conseqüentemente à virada, com dois gols de Liedson em dois cruzamentos de Willian, que entrara na vaga de Jorge Henrique durante o jogo, dando mais dinâmica e poder de fogo ao time e sendo crucial na vitória sofrida, como a torcida alvinegra diz gostar.

Corinthians 2-1 flamengoPara virar e vencer a primeira “final” do campeonato, o time mostrou maturidade ao lidar com o placar adverso em jogo tão nervoso.

02/10/2011 – 27ª Rodada
Vasco 2x2 Corinthians

A segunda “decisão” dentro do campeonato, dessa vez, com o Corinthians atrás na tabela e precisando vencer para recuperar a ponta. O triunfo não veio, mas o empate em dois tentos assegurou que o Vasco, então com dois pontos de frente, não disparasse na tabela.

Mesmo sem contar com Liedson, Emerson ou Adriano, Tite não abriu mão de seu sistema de 4-2-3-1, lançando Alex como uma espécie de “falso 9”, fazendo o pivô ou abrindo espaços para o trio de meias que vinha de trás.

E foi assim que o time chegou ao empate em duas oportunidades: Primeiro quando Danilo serviu para Alex fazer o papel de centroavante e igualar após o gol de Dedé pelo Vasco; Já na segunda etapa, em desvantagem depois do gol de Fagner no fim dos quarenta e cinco minutos iniciais, Willian cruzou e dessa vez foi Danilo quem apareceu com liberdade para testar e no canto de Fernando Prass e garantir que o time carioca não desgarrasse dos corinthianos na ponta.

Vasco 2-2 CorinthiansSem um centroavante de oficio, Tite lançou Alex como “falso 9” no comando do ataque corinthiano. Funcionou.

20/11/2011 – 36ª Rodada
Corinthians 2x1 Atlético-MG

Talvez o mais emocionante jogo da campanha vitoriosa alvinegra. A torcida corinthiana que lotou o Pacaembu na antepenúltima rodada não podia esperar uma vitória com tanta cara de Corinthians como a virada sobre o Galo que serviu para recuperar a liderança perdida para o Vasco um dia antes, após a vitória cruzmaltina sobre o rebaixado Avaí.

Diante de um Atlético muito bem armado por Cuca, o Corinthians errava muitos passes e não conseguia impor seu ritmo na primeira etapa, que terminou de maneira modorrenta.

O gol de Leonardo Silva logo aos nove minutos, foi um susto e tanto na torcida, que viu a partir dos 32, uma das mais épicas viradas de placar no campeonato. Primeiro com Liedson, aproveitando cruzamento de Alessandro para igualar. E depois com Adriano, o Imperador que ressurgiu das cinzas para voltar a marcar mais de um ano e meio depois de seu último gol (o último havia sido ainda pelo Flamengo, na vitória por 2 a 1 sobre a Universidad de Chile pela Libertadores de 2010). E que gol! Mesmo pesado, o camisa 10 deu um pique e pediu o passe, Sheik serviu e o Imperador chapou de canhota no único metro quadrado em que a bola poderia ter entrado.

Corinthians 2-1 galoA encaixada marcação atleticana dificultou o trabalho do time paulista na primeira etapa, porém, Cuca não contava que o iluminado Adriano iria entrar em ação justo contra o Galo.

A vitória deixou o time do Parque São Jorge ainda mais perto do título, que só veio ser assegurado após a vitória pelo placar mínimo sobre o Figueirense no Orlando Scarpelli e o empate contra o Palmeiras no Pacaembu, mais uma vez lotado, e dessa vez emocionado, depois da perda do ídolo Sócrates, que viu lá do andar de cima o quinto título alvinegro (Para ler sobre outros jogos da campanha alvinegra, AQUI, AQUI e AQUI).

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Muricy vs Tite – A diferença que faz o técnico

Muricy Ramalho e Tite comandam duas das maiores equipes do país e ambos pegaram essas equipes aos frangalhos, desacreditadas por seqüências de resultados negativos. O corinthiano pegou um time que apesar da terceira colocação no Brasileirão, não vencia há seis rodadas, entre elas resultados desastrosos como empate com o Ceará e a derrota para o Atlético-GO, ambos dentro de casa. O santista, por sua vez, chegou a uma equipe de incrível capacidade técnica, com craques como Ganso, Elano e Neymar, mas que não tinha um time, e sim um amontoado de jogadores prestes a serem eliminados ainda na primeira fase da Taça Libertadores.Muricy e Tite

Tite conseguiu em primeiro plano, ajeitar o time e fazer uma reta final de campeonato Brasileiro decente, apesar de perder a vice-colocação para o Cruzeiro na última rodada ao empatar com o time de juniores do Goiás. Com a terceira colocação no certame nacional, o clube perdeu a vaga direto à fase de grupos da Libertadores e teve de encarar a fase prévia, onde passou pelo maior vexame já protagonizado pelos alvinegros na competição continental ao ser eliminado precocemente pelos colombianos do Tolima.

Ali talvez fosse o momento da direção corinthiana repensar sobre o trabalho do treinador e talvez procurar por um outro nome para o comando da equipe. Não o fez e seguiu sob a batuta do gaúcho. Irregular, o time do Parque São Jorge alternava ótimas apresentações como na vitória por três a um sobre o Santos, com atuações patéticas, como na derrota diante do São Caetano em pleno Pacaembu, por dois tentos a um.

Com um elenco heterogêneo e limitado, o time passou sem sustos pela extensa e modorrenta primeira fase do estadual – o que não representa absolutamente nada – novamente na terceira colocação. Na fase final, a hora do “pega pra capar”, o time sofreu demais para passar pelo frágil Oeste nas quartas, e a duras penas, deixou o rival Palmeiras pelo caminho nas semifinais – nas penalidades, após 90 minutos de pouco futebol mesmo com um jogador a mais.

Muricy chegou ao Santos sob a desconfiança de alguns admiradores do futebol ofensivo da equipe da baixada, temerosos que o estilo defensivo do treinador colocasse fim no estilo ofensivo e vistoso da equipe. O problema era o desequilíbrio do time em campo, que mesmo no seu melhor momento no primeiro semestre de 2010 sofria para vencer pois apesar de fazer muitos gols, sofria outros tantos. Essa era a missão do técnico tetra campeão brasileiro, dar equilíbrio ao time, montar uma defesa sólida, sem perder a vocação ofensiva que está no “DNA” do alvinegro praiano.

Para isso, Muricy abdicou do 4-2-3-1 ‘torto’ utilizado por seus antecessores Adilson Baptista e Marcelo Martellote, e adaptou a equipe em um 4-3-1-2, reforçando a marcação no meio campo e dando liberdade para Ganso e Neymar desfilarem seu talento na frente.

Foram apenas onze jogos do Peixe sob o comando do treinador. Pouco, mas suficiente para ver que o time acertou a sua retaguarda, que sofreu apenas três gols nos cotejos. Essa solidez defensiva foi crucial para que Muricy conseguisse reverter um quadro negativo na Libertadores, saindo de uma situação onde a equipe estava prestes a cair ainda na fase de grupos para ser o único sobrevivente brasileiro nas quartas de final do torneio continental.

No Campeonato Paulista não foi diferente, apesar de ter pegado o time já classificado, o treinador foi fundamental na fase final, especialmente nas semifinais contra o São Paulo, quando Muricy foi decisivo nas alterações. Perdendo o meio campo na primeira etapa, o treinador trocou o atacante Zé Eduardo pelo zagueiro Bruno Aguiar e reconfigurou a equipe em um 3-1-4-2 que além de superar numericamente o meio rival, deixou Ganso com liberdade para decidir a parada em favor do Peixe.

Os dois treinadores se encontraram na decisão, e foi aí que o perfil vencedor de Muricy superou o estilo omisso do treinador rival. Na primeira partida, apesar das diversas chances criadas por ambos os times, com direito a três bolas na trave (duas do Santos e uma do Corinthians), o zero não saiu do placar.

Na segunda e decisiva peleja ontem na Vila Belmiro, o Santos dominou o Corinthians desde o minuto inicial e chegou ao gol cedo graças a uma jogada de velocidade de seu ataque, quando Zé Eduardo recebeu lançamento de Leo e rolou na área para a chegada de Arouca, que só teve o trabalho de desviar de Julio César para abrir o placar.

A insistência com o inoperante Dentinho e a previsibilidade nas transações ofensivas talvez tenham sido os maiores pecados de Tite na decisão e ao longo do torneio. Com a semana cheia para trabalhar após o fiasco na Libertadores, o treinador não conseguiu encontrar outra maneira para a equipe chegar no gol adversário, é sempre a mesma tentativa de tabela entre o lateral e o ponta ou entre o ponta e o articulador central. Além disso, a pouca movimentação do time, que guarda a posição como um time de pebolim, facilita demais a marcação para o adversário. As bolas paradas, recurso fundamental no futebol atual, são inertes para o alvinegro, que não conta com sequer uma jogada ensaiada e não assusta seus oponentes nesse tipo de jogada.

A troca de Dentinho por William no intervalo deu mais volume de jogo para o Corinthians, que tinha a posse de bola na segunda etapa, mas parava na encaixada marcação santista e principalmente nas próprias limitações. Retraído, o Santos liquidou a fatura em contragolpe puxado e arrematado por Neymar e falha incrível do goleiro Julio César. O time do Parque São Jorge até chegou a diminuir, em lance inusitado em que Morais tentou cruzar na área e a bola entrou direto, mas não foi o suficiente para assustar a torcida presente na Vila Belmiro.

Venceu aquele que jogou melhor futebol, que foi superior técnica e taticamente que o seu adversário. Venceu o técnico de mais capacidade, que melhor organizou sua equipe, de mais sede e gana de vencer.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ave, Cesar!

palmeiras x Corinthians

Após a eliminação na pré-Libertadores diante dos colombianos do Tolima e uma semana de muita tensão pelos lados do Parque São Jorge, o Corinthians enfrentaria o seu maior rival, Palmeiras, que vinha de uma sequência de cinco vitórias consecutivas e na liderança do Campeonato Paulista. Mas, como dizem por aí, clássico é clássico e “vice-versa”.

Ainda sem Lincoln e Valdivia, que podem dar uma luz de criatividade ao seu meio campo, Luiz Felipe Scolari foi a campo com a mesma equipe que já vem atuando, com três homens mais marcadores que articuladores na meia cancha e três avantes.

Já a equipe corinthiana por sua vez, sofreu algumas alterações, como as saídas de Roberto Carlos e Dentinho, com problemas musculares, e Ronaldo, ausência sem maiores explicações, além de Bruno Cesar, esse, por opção do técnico Tite.

A faixa direita se oferecia como a melhor saída de jogo da equipe alvinegra, com Danilo aberto pela beirada, Alessandro explorando a fraca marcação de Rivaldo e Jucilei subindo às costas do veterano Marcos Assunção, e foi assim que o camisa oito por pouco não abriu o placar logo aos quatro minutos, quando foi barrado por Marcos, após tabela com Edno.

Antes disso, o Palmeiras já havia desperdiçado boa oportunidade quando Kleber fez o pivô e escorou para Tinga bater forte da entrada da área para linda defesa de Julio Cesar. A tônica da etapa inicial por sinal foi essa. O “Gladiador” fazendo o papel de pivô para as incursões em diagonal dos ponteiros Luan e Dinei, e Julio Cesar fazendo milagres para evitar o primeiro tento palmeirense.

Na segunda etapa, o favorito e então mandante Palmeiras partiu em busca da vitória no derby, adiantando suas peças, especialmente após as substituições efetuadas por Felipão, trocando Dinei e Tinga por Adriano “Michael Jackson” e Patrik. Assim como o camisa 29, Adriano seguiu cumprindo funções pelo lado direito do campo, enquanto Patrik encostava mais em Kleber.

Enquanto isso o Corinthians recuava, marcava com suas linhas retraídas, dando campo para a equiSao Paulo/SP; Brasil; Estadio Pacaembu; 06/02/2011; Futebol; Campeonato Paulista, jogo Palmeiras x Corinthians; foto de Ari Ferreira/Lancepress; foto digital;pe de Parque Antarctica e contando ainda com os milagres de Julio Cesar, o homem do jogo, para não sair atrás no marcador.

Quando o empate sem gols já se apresentava como o melhor resultado possível para os corinthianos, eis que em contra ataque rápido, novamente pelo flanco direito, Alessandro tabelou com Morais e ficou na cara de Marcos, que dessa vez, nada pôde fazer.

Do outro lado, Julio Cesar, disparado melhor jogador em campo, seguiu parando o ataque palmeirense para segurar o placar favorável e ajudar o Corinthians a sair de campo com uma vitória que acalenta um pouco o seu torcedor e acalma os ânimos na equipe, que precisava justamente de uma vitória “a La Corinthians” para tentar um recomeço após a precoce e dolorida eliminação na competição sulamericana.